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O artista francês que elegeu Portugal como habitat criativo

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O artista francês que elegeu Portugal como habitat criativo
Humanismo fotográfico

No Minho, diz apreciar "a natureza generosa e suave", no Alentejo, "a originalidade e a beleza" cativaram-no desde logo, mas é mesmo por Portugal enquanto somatório idiossincrático de regiões pelo qual sente uma devoção genuína. A relação entre o nosso país e o fotógrafo francês é uma história de amor iniciada há 27 anos que parece !não ter fim à vista". Acompanhado pela inseparável esposa, Christine, Dussaud tem trilhado milhares de quilómetros dessa "faixa de terra orlada de mar", como sintetizou Miguel Torga, em busca de "paisagens humanas e naturais únicas".

"Talvez seja verdade que conheço Portugal melhor do que a maior parte dos portugueses", admite, sem que, no entanto, se lhe possa atribuir uma ponta de vaidade, antes o simples reconhecimento do elevado grau de conhecimento do nosso país, trazido pelas dezenas de viagens efectuadas nas últimas décadas.

O resultado dessa cumplicidade tem-se traduzido em numerosos trabalhos que elegem Portugal como eixo central. Só nos últimos meses, apresentou dois projectos no Centro Português de Fotografia (CPF), no Porto, expôs durante os últimos meses mais de meia centena de películas resultantes das longas itinerâncias portuguesas, entre 1980 e 2002. Nessas imagens, há exemplos fartos da rudeza de uma paisagem só amaciada pela amabilidade das suas gentes, como em Trás-os-Montes, mas também retratos fortemente impressivos da urbanidade lisboeta que ajudam a compor uma radiografia de um certo Portugal que parece ameaçado pelo processo de homogeneização em curso. Por tudo isso, Georges Dussaud diz não compreender o famigerado défice de auto-estima dos portugueses: "Mas porquê? Têm um país fantástico e único. Urge apenas preservar as tradições".

O mesmo acervo fotográfico exposto no CPF, intitulado "Crónicas portuguesas", deu origem a um ambicioso álbum editado há semanas pela Assírio & Alvim, no qual Christine Dussaud explica que a admiração nutrida por Portugal não se confina às gentes e à paisagem. "Não podemos interessar-nos verdadeiramente por um país sem passar pela sua literatura", explica, revelando que foi com Torga, de quem o casal se tornou amigo, que conseguiram perceber melhor a essência lusitana. Mas também o cinema, sobretudo com Manoel de Oliveira e Paulo Rocha, contribuiu para que deixassem de se sentir estrangeiros em Portugal.

Entretanto, a paixão dos Dussaud pelo país mais ocidental da Europa promete ter continuidade na próxima geração, já que os três filhos do casal - Alexandre, Eric e Tristan - são companheiros assíduos de viagem do casal pelos caminhos de Portugal.


Define-se como "um fotógrafo humanista", interessado em provar que é a emoção e não tanto a técnica que determina o mérito. Para Georges Dussaud, a fotografia é sempre "uma aproximação do outro", sempre imperfeita, é certo, mas nem por isso menos válida, desde que imbuída de uma forte convicção. E numa época em que a exploração de sentimentos parece ditar o rumo da fotografia - basta ver os vencedores do World Press Photo... -, Dussaud insiste em seguir o caminho inverso. "Talvez seja um fotógrafo antiquado", graceja, nada arrependido com a opção. O sentido de descoberta já levou o fotógrafo até paragens como Cuba Índia ou Grécia, mas, exceptuando a Irlanda, é por Portugal que sente uma afeição maior.

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