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Arquitectura.pt


Rui Resende

[blog] 7olhares

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foi uma surpresa enorme :p não sei de onde ela veio; é óbvio que é mesmo muito bom descobrir que se foi nomeado, sobretudo porque o blog é relativamente novo (6 meses e qq coisa), mas dá um grande orgulho. Eu só reparei que estava lá nomeado para o melhor blog de entretenimento porque comecei a receber uma quantidade estranha de visitas vindas do blog que nomeou, que já agora é o :

http://melhorblogportugues.com/

vamos ver o que sai dali, mas sinto-me já muito feliz por estar ali na lista. Obrigado por reparares asimplemind ;)

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é uma grande vitória desde já! Também te digo, tenho observado alguns blogs e muitos deles tratam apenas de colar imagens e duas linhas de texto sobre a imagem... A dedicação que é necessária para manter um blog como o teu é bastante distinta

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Obrigado Dreamer :p Pois, asimplemind, tens razão nisso, a uma boa parte dos blogs são "preguiçosos" já que normalmente repetem apenas informação retirada de um conjunto diferente de sítios. Isso pode ter interesse mas normalmente não tem. Mesmo, assim ainda há muitas pessoas que realmente criam os conteúdos que põem nos seus blogs (tu és um deles), por isso é bom ser reconhecido nessa base. Obrigado pelo apoio.

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O novo de Oliveira



“Cristóvão Colombo - O Enigma” (2007)
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Memórias Ligadas

No meu livro de referências, Manoel de Oliveira tem uma abordagem única em cinema. Isso é devido a dois aspectos que aparecem aqui vivos como poucas vezes antes na carreira dele.
Muitos espectadores (especialmente portugueses) vão-se colocar numa posição gosto/não gosto baseada nas “falhas” imediatamente visíveis:- o diálogo, que é antiquado, inadequado em praticamente todos os momentos, fora de contexto, não cinematográfico na visão que temos hoje (e que já temos há muitos anos) de como um diálogo de filme deverá ser (soar?). Este diálogo explica constantemente demasiadas coisas, para dar ao espectador informação sobre aspectos desconhecidos do enredo usando dispositivos que por vezes são tão denunciados que se tornam infantis. -depois há as actuações, que muitas vezes são simplesmente horríveis, e outras mais melancólicas e sobre-dramáticas que os discursos de, digamos, “e tudo o vento levou”. Se você, caro leitor, pensa que é inteligente porque detectou tudo isto, não é. Tudo isto é verdade, e não me interessa minimamente, nem me afectou a experiência.


E não me importam esses defeitos, por dois aspectos:


o primeiro tem que ver com o sentido de posicionamento. Oliveira é um verdadeiro mestre na forma como “coloca” as coisas nos seus filmes. Ele coloca a visão, a sua câmara está a maioria do tempo fixa

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[...]

Cristóvão Colombo - O Enigma - 7Olhares

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“Call Girl” (2007)
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sobre cinema:

pensei várias coisas durante e após ver este filme. E há uma discussão que necessito trazer para a mesa antes de comentar especificamente este filme:
Este é um filme por um realizador que não quer um autor. Ele tem o entendimento que a autoria marcada matou o cinema europeu, ele até refere uma data para isso, 1963, quando Fellini chamou ao seu 8 1/2 “Fellini’s 8 1/2″. Tenho a sensação que Vasconcelos encara como snobes os autores que querem ser autores. Assim, ele escolhe o cinema americano erejeita a forma como o cinema europeu, em geral, vem sendo desenvolvido agora e nos últimos 40 anos. Compreendo muitas das suas preocupações e críticas, eu partilho essas mesmas preocupaçõe, nós necessitamos (em Portugal e na maior parte da Europa) de uma indústria de cinema, filmes que possam pagar-se e permitir que outros filmes sejam feitos, e lucros sejam distribuídos. Mas discordo profundamente com a noção implícita (ou não tão implícita) de cinema ‘comercial’, ‘industrial’ como algo oposto a cinema de ‘autor’, cinema ‘de marca’, e creio que os melhores filmes ‘comerciais’ têm ideias visuais profundamente interessante e motivadores, conceitos fortes, o mesmo tipo de ideias por trás de filmes de autor. Assim, eu rejeito a separação entre criações autorais e industriais, e critíco Vasconcelos como tendo uma atitude algo snob em relação às concepções de cinema autoral idêntica à atitude snob que muitos autores têm em relação ao cinema industrial. Muitos dos melhores autores, para mim, nasceram para o cinema produzindo em contextos imensamente comerciais (Wilder, Ray, Hawks, Welles! ), muitos também começaram criando em ambientes underground e vieram a produzir o seu trabalho “importante” para grandes audiências (Hitchcock, Lang, Almodóvar, Kubrick, Park), e alguns dos cineastas mais interessantes de sempre lutaram contra a ideia de se tornarem “industriais” e apesar de se tornarem conhecidos de uma grande audiência, produziram o seu trabalho relativamente livres de exposição pública (Godard, Antonioni, Medem, Kar Wai). Vim a admirar estes ‘autores’, e francamente creio que há muito mais em comum entre, por exemplo, Kubrick, Welles ou Medem do que entre Welles, Hawks, ou Ray…
A minha convicção até agora é simplesmente que temos bom e mau cinema, e transversal a esta ideia (de bons e maus filmes), temos aqueles que têm uma boa máquina de marketing a suportá-los, e conseguem uma vasta distribuição (filmes das majors americanas, alguns filmes franceses da Gaumont, certas produções inglesas e o crescente cinema espanhol, com a grande Sogecine e a crescente popularidade de certos ‘autores’ espanhóis). Assim, temos grandes filmes e material mau que é (nos dois casos) vendido eficientemente e que passa praticamente ao lado. O entendimento de se o autor tentou muito deixar a sua marca ou ao invés não se esforçou por o fazer, é para mim secundário. Vamos a ver, não será Hitchcock um dos autores mais reconhecíveis?, não conseguimos identificar um dos seus filmes por um par de planos apenas? Há alguém que tenha vendido filmes tão facilmente como ele no seu tempo? O que será o cinema de Scorcese, Coppola ou Spielberg senão cinema de autor de grande orçamento? Será que o Blade Runner é mais “fácil” de ver que Le Mépris? Magnolia que La ardilla Roja? eu vi-os e partilhei com igual emoção o que entendi ser o cerne de cada filme. E já agora, creio que os 4 filmes que mencionei são cinema de autor. Nos meus comentários, sempre tento submeter todos os filmes ao mesmo tipo de critérios, rejeito a atitude daqueles que rejeitam filmes porque muitas pessoas gostam deles assim como rejeito quem rejeita um filme por ser demasiado “intelectual” (creio que esta deve ser a palavra mais usada por esse tipo de fazedores de opiniões).
Tenho pensado neste tema por algum tempo, fiz uma quantidade razoável de pesquisa sobre Vasconcelos e a forma como ele pensa cinema antes de ver este Call Girl (também já vi uma boa parte do seu trabalho anterior), e respeito a sua visão, mas tinha de falar da minha, porque creio que muito do que disse acima influencia as opções (boas e más) do filme que agora comento.
o filme:


[Continuar a ler...]


Call Girl - 7Olhares

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“El laberinto del fauno” (2006)
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o Bem e o Mal

Este foi um projecto ambicioso. O realizador estava realmente apostado em produzir algo notável. E consegue momentos lindos, cheios de intensidade e poesia visual, algo que aquece um espectador mas não é imediatamente sinónimo de bom cinema. Directo ao assunto, eu não gostei realmente deste filme, apesar da avassaladora boa opinião e simpatia da audiência. A estrutura narrativa é clara e simples: temos uma história que acontece num tempo histórico “real”, e temos outra linha que é “mágica” e decorre (talvez) na cabeça e na visão de uma jovem rapariga. A primeira linha deverá representar a crueldade e violência do mundo real, mesmo no meio de um contexto bruto de guerra; a segunda linha é a escapatória para aqueles que são capazes de “ver” magia, aqui encorporada pela nossa pequena rapariga. Ela lê livros, muitos, livros de histórias, e essas histórias “vertem” para o mundo que ela cria, representando isto na verdade o que realmente del Toro queria fazer, cruzar as suas próprias referências e criar um mundo mágico que é, na verdade, uma mistura de várias histórias de “crianças”. Bem, aqui está, para mim, o problema. Fernando Pessoa apoiava o paradoxo de que uma história de crianças nunca deveria ser escrita para crianças.

[...]

El laberinto del fauno . 7Olhares

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“Paycheck” (2003)
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um nada explosivo

Isto é muito trapalhão. Hoje, um pouco antes de ver este, revi a versão do realizador do Blade Runner, não o via há cerca de um ano, é sempre saudável rever essas peças fantásticas, deixa a nossa imaginação trabalhar visualmente e prepara-nos para encarar coisas como este com uma base muito mais forte. Como é que alguém pode negligenciar uma história de Phil Dick de tal forma que ela se torna num simples filme de fuga e perseguição com um enigma qualquer para resolver no meio? Qual é o sentido de fazer cinema se não há a preocupação de resolver visualmente os desafios que a história tem? Hitchcock sempre usou histórias simples, muitas vezes desinteressantes (ou apenas o suficientemente interessantes para dar ao filme algum sítio para onde ir). Isto acontecia porque ele sabia que o que interessava era narrativa visual, assim ele ficava fora de “problemas” no que tocava a conceitos mais complexos, porque ele tinha ideias visuais que queria explorar. Os compositores de ópera italianos procuravam descomprometimentos semelhantes em relação à história para poderem concentrar-se mais na música.

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Paycheck - 7Olhares

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“El embrujo de Shanghai” (2002)
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Lolita, Quixote . um filme dentro de uma tendência
*** Este comentário pode conter spoilers ***
Este filme está em linha com o que o cinema espanhol tem explorado nos últimos anos. Isto significa que estou a falar de um filme com uma construção muito pensada, em termos narraticos, referências internas e simbolismo. De Trueba, eu apenas tinha visto, há alguns anos, Belle Époque, e não conheço o arco que a sua carreira desenhou nos 10 anos entre esse filme e este, mas questiono-me, mesmo devido a outros projectos espanhóis recentes, quão profunda está a ser a influência das criações de Medem nos filmes espanhóis. A sua primeira longa é Vacas, de 1992, precisamente o ano de Belle Epoque, que não tinha nenhuma das preocupações que verifiquei neste filme, assim sinto-me inclinado a considerar que Medem está a tomar o seu caminho (merecido) em influenciar os criadores espanhóis (e não só espanhóis).
Assim, aqui temos uma base narrativa baseada no já visto filme dentro de um filme. Neste caso é quase literalmente um filme já que uma história é contada paralelamente à acção principal, e vimos a descobrir que essa história não é verdadeira ou, pelo menos, poderá estar distorcida e deslocada. Esta estrutura canónica existe exactamente assim no “Kiss from the spider woman” de Babenco, pelo que esse filme apareceu-me como uma referência directa para este. Mas é interessante compreender como a realidade paralela inventada influencia (talvez) a linha principal. Verificando: a mulher de Shanghai chega-nos a nós, espectadores, representada pela actriz da mãe da rapariga; a história fictícia termina com essa mulher oriental a ser levada pelo pai da rapariga. Forcat veste um traje oriental que vemos o pai da rapariga usar na história inventada. Poderá o filme que Forcat conta falar sobre o passado da relação dos pais da rapariga? não sei, mas gosto da ambiguidade de indagar quando deveremos colocar a história

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El embrujo de Shanghai (2002) - 7Olhares

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“Tout va bien” (1972)



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esquisso estrutural

Godard faz-me sempre pensar. Raras vezes sou indiferente ao que ele faz, com algumas excepções. Mas muitas vezes, a excitação em relação a um filme dele vem nos dias depois de o ver. Este é um desses casos.
O esquema aqui é simples, ele está a trabalhar a (re)invenção estrutural dos seus próprios filmes. Provavelmente nesta altura ele seria suficientemente arrogante para acreditar que estava a trabalhar na reinvenção de todo o cinema (lembram-se do “jean luc cinema godard” de Bande a part?). Bem, há conclusões aqui que viriam a afectaro trabalho de outros autores, mas nem sempre. Creio que este filme é importante como um marco na própria obra de Godard, no quadro maior dos seus trabalhos e também é importante ver no contexto histórico do cinema de então. Muitas coisas aconteciam no princípio dos anos 70, e a principal questão seria clarificar o significado do cinema e as suas ligações à vida real, a questão essencial que a nouvelle vague tinha levantado mas nunca respondido satisfatoriamente. Assim, há um conjunto de trabalhos deste período que creio deverão ser analisados porque demonstram diferentes abordagens de diferentes contextos a uma questão similar. Pensem em “F for Fake” de Welles, “The conversation” de Coppola, “La nuit américaine” de Truffaut ou, uns anos antes, no Blow Up de Antonioni. Em comum entre estes projectos (e alguns outros) há, a meu ver, esta preocupação cinematográfica de compreender se o cinema representa vida, encena vida, ou é pura ficção que poderá influenciar a vida. Este filme é provavelmente a resposta menos interessante dos projectos que mencionei, mas mesmo assim vale a pena verificar.
A razão porque creio que este é menos recompensador do que os filmes que referi acima é porque Godard, nesta altura, tendia a arruinar parcialmente os seus filmes aborrecendo o espectador com as suas concepções infantis e cruas de ideologias políticas. Assim, ele não se foca tanto no cinema como se foca na política. Gosto de acreditar que mesmo então ele tinha a noção da falta de profundidade das ideias que ostentava, mas escolhia adoptar essa postura panfletária como motivadora de determinadas opções estéticas. Assim, no que toca ao cinema:
O filme é, em si mesmo, uma estrutura crua e denunciada, que contém várias estruturas cruas e denunciadas.



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Tout va bien - 7olhares

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“Macao” (1952)
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Cinzento, não “noir”
Desta vez a minha intuição falhou. Normalmente prevejo algumas coisas sobre os filmes que estou prestes a ver baseadas em puro preconceito, algumas coisas que retiro de outros filmes dos mesmos produtores/actores/realizadores que estou prestes a ver, o título do filme (normalmente sugere-me muito simplesmente saber o título) ou pura intuição. Este foi o caso.
O que temos aqui é um noir feito no início de uma década de aspectos interessantes no cinema americano: não foi uma década experimental como os anos 30 (que exploraram as possibilidades de um meio renovado pela possibilidades de sincronização entre som e imagem) nem tão apoiado num género e num sentido de estilo com os anos 40. Assim, num certo sentido, esta era uma década de indefinição. Mas filmes como este dizem-me que já não se vivia o período do noir tal como os anos 40 (e em grande medida John Huston) o definiram. The Maltese Falcon mudou (ou eventualmente resumiu) algumas convenções e introduziu novas possibilidades para dispositivos narrativos em cinema, e esse legado seria desenvolvido continuamente e ainda tem novos passos a serem dados nos dias que correm. Mas esse estilo, os muito apreciados chapéus, detectives, luz/sombra que eram a face mais visível (e para muitos espectadores incorrectamente tidos como a essência do noir) não funcionam já aqui. Ainda estou a tentar encontrar um filme noir posterior a Sunset Boulevard que realmente funcione. Este não funciona.
Comecemos com Macau.

[...]

7Olhares - Macao (1952)

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