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Arquitectura.pt


Rui Resende

[blog] 7olhares

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“Adeus pai”



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Sonhar através de uma câmara

*** Este comentário pode conter spoilers ***
Este filme, por tudo o que mostra, só poderia ter sido filmado nos Açores. Arquipélago no meio do Atlântico, o presente diz que é território português com gente portuguesa, o mito diz que pode ter sido o topo das montanhas da Atlântida, país dos sonhos e consciência de toda a civilização ocidental, a viver hoje (e há 11 anos atrás, o ano do filme) à beira da auto-destruição, pelo encorajamento (há muitos anos já) do desenvolvimento “material” em oposição ao “espiritual”, cada dia mais perdido, cada dia mais necessário. Açores, terra de sonho; este filme é um sonho, e o seu tema é precisamente o que estamos a perder. Escolher os Açores é procurar a origem, é procurar a pureza.
História:
Um mecanismo simples - voz off que narra a história, isto é assumido desde o início, não sabemos até bem perto do fim que é o rapaz, a voz off, que gera todo o enredo à medida que o filme avança. A segunda parte é o revelar de tudo. Revela todas as fontes de inspiração, na inocente e aberta mente de uma criança.
“era uma vez um filho que queria ter um pai que quisesse ter um filho”. isto resume tudo… trata-se de narrativa por camadas de grande qualidade.




[...]


Adeus Pai - 7Olhares

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é na sequência de um post do meu blog 7olhares que proponho este filme (não havia uma secção filmografia), mas achei que devia por ser um caso pouco explorado na história do cinema, de tentar retratar a profissão do arquitecto num filme. Eu acho que falha redondamente, e explico no meu comentário, no entanto penso que todos os interessados em arquitectura deviam dar uma olhada:

“The fountainhead” (1949)
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Arquitectura (e Cinema) à superfície
Este filme foi um terrível desapontamento, uma má experiência em absoluto. Sendo um estudante de arquitectura, quase graduado, naturalmente relacionei-me com o tema de uma forma mais próxima do que o normal espectador.
Aparentemente este Howard Roark foi vagamente inspirado no mestre americano Frank Lloyd Wright. Em primeiro lugar, Wright não foi tão radical em relação à arquitectura do seu tempo como os europeus daqueles dias (como Le Corbusier, Van Der Rohe, Loos ou mesmo Taut). Ele foi um génio de direito próprio mas o seu trabalho, apesar de fantástico, é hoje datado e bastante mais agarrado à tradição do que o dos nomes que referi, e os seus projectos mais arrojados (formalmente falando) surgiram já na segunda parte da sua carreira, num ambiente cultural diferente. Assim, provavelmente, o personagem de Cooper poderá ser antes (mais) um reflexo do crescimento do (super) ego americano, como consequência da recente “vitória” na segudna guerra mundial (esta arrogância atingiria o seu máximo no princípio dos anos noventa, mas isto é uma nota à parte).
Cinema e Arquitectura:
De qualquer forma, o que realmente incomoda é que este filme pode ser acusado exactamente com as mesmas falhas apontadas aos detractores de Roark. Não li o livro, aparentemente representou um marco na juventude americana desse momento, relacionado com individualidade e espírito criativo. Não posso falar sobre o entendimento da autora sobre o que é arquitectura (não apenas as dos últimos 100 anos). Mas posso justificar que as pessoas envolvidas neste filme nada sabem sobre o tema: o que os arquitectos modernos fizeram foi separar a arquitectura da decoração e noções de escultura em que os românticos estavam imersos. Estes arquitectos entenderam que arquitectura é, antes demais, sobre espaço, sobre movimento, sobre a quarta dimensão, e rejeitaram a ideia de submeter os seus edifícios exclusivamente ao seu interesse como objectos. A primeira cena na qual Roark mostra o seu arranha-céus e vê-o ser arruinado pelos elementos neoclássicos de fachada juntamente com uma outra em que Roark desenha, ele mesmo, uma fachada neoclássica provocando assim Wynand são a prova de que o modernismo na arquitectura não era de todo entendido por quem concebeu este projecto, e que eles o viam meramente como “estilo” a ser usado no mesmo nível como o “neogótico” “neoclássico” “neo qualquer coisa”… Isto representa conceber arquitectura por superfícies, eventualmente volumes, não espaço, não como esse espaço é vivido. Linhas “direitas” e volumes puros não são nada se não estiverem contidos em noções mais profundas. E é imperdoável que isto não tenha sido considerado, especialmente 9 anos depois de Welles fazer Citizen Kane (O mundo a seus pés) e introduzir (algumas) noções de como compreender um espaço através de uma câmara. Welles devia ter feito este. Ele teria transformado a arquitectura num tema (Hitchcock, apenas um ano antes, assinou a sua brilhante exploração espacial que foi Rope (A corda) ).
Lloyd Wright compreenda completamente o que o espaço era, não estes, não Roark. Ele é um personagem romântico, cheio de sentimentos melodramáticos, esperando o seu amor “perdido”, a mulher perdida, ele tem precisamente a personalidade daqueles que no século XIX escolheram reviver todos os estilos passados contra os quais Roark supostamente se revolta.
Também a ideia de “génio”, de criador é, eu diria, perigosa aqui. A arquitectura destaca-se das outras artes precisamente no ponto em que tem uma responsabilidade social, impacto social e assim, o maior drama e glória de um arquitecto é, simultaneamente, ser capaz de fazer coexistir as suas convicções pessoais com as necessidades de uma audiência (cliente) e assim criar verdadeira arte (arquitectónica, não escultura, não decoração) que com sucesso junte concepções individuais com necessidades colectivas.
A minha avaliação: 1/5, uma das minhas maiores decepções, eu estava realmente a querer ver este… a não ser que seja especialmente interessado em arquitectura (e aí poderá retirar algum interesse histórico em relação a quando algumas expressões chave da arquitectura moderna surgiram) fique longe. Poderá sair danificado se não conhece suficientemente o tema.


em : The Fountainhead - 7Olhares

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rui quando vi essa review ao school of rock até me arrepiei, por momentos pensava que ias dizer que era um bom filme para ver! Fui logo ao final do texto para ver a pontuação! Por fim aliviei-me! heheheheh grande blog!! gosto bastante de o ler! e já agora uma review ao "le mepris" que tal?

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The Black Dahlia
~
Com essa tua sugestão fiquei curiosa.

é de ficar curiosa. Eu acho que vale bem a pena ver o filme, mesmo que não seja o melhor dele. Mas com o dePalma tem sempre interesse, sobretudo para pessoas interessadas em perceber como funciona o olhar e a imaginação visual, todo o dePalma é sobre isso. aliás o meu conselho antes de ver qualquer filme dele é sempre relegar-se para segundo histórias, personagens, actuações, isso é o que menos interessa. Verifique-se antes Como ele mexe a câmara, o que se vê, o q não se vê, etc.

rui quando vi essa review ao school of rock até me arrepiei, por momentos pensava que ias dizer que era um bom filme para ver!

lol, não ia dizer isso, o filme é realmente mau, e eu até ainda tinha uma pequena esperança que pudesse ter algum interesse, pelo Black e o realizador. Mas por vezes acontece com filmes completamente submetidos a interesses comerciais dos mais básicos estarem minimamente bem cosntruídos.

grande blog!! gosto bastante de o ler!

e já agora uma review ao "le mepris" que tal?


obrigado, gosto de saber que há quem leia e vá gostando. O le mépris acabara por sair, um dia destes quando o rever, escrevo o que acho sobre ele. Acho que é um filme fundamental para arqutiectos e estudantes, não só pela casa, mas pelo trabalho de câmara todo do Godard.

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“Le Mari de la coiffeuse” (o marido da cabeleireira, tradução livre)
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Intimidade e uma cena de amor
este comentário pode conter spoilers
Tudo isto é sobre intimidade. A cena de amor não tem nada que ver com sexo, apesar de ele entrar nela. O momento em que Mathilde se atira da ponte, toda essa sequência, do acto de amor na cadeira até à sua súbita escapada no meio da tempestade é tão aparentemente casual que se torna incrivelmente confrangedor. Tem um lugar nas minhas memórias como uma das cenas mais fortes que já vi.

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Le Mari de la coiffeuse - 7Olhares

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“Nick of Time” (1995)
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espaço e tempo
Gosto deste projecto particular, gosto muito de Badham, em geral. Normalmente ele é capaz de construir os seus filmes em torno de ambientes muito contidos, quer em termos de espaço quer em termos de tempo. Mesmo em Saturday night fever esta característica era visívil, de uma forma subtil: aí tínhamos um filme sobre uma época, uma certa juventude e uma certa parte do mundo, podemos falar de contentor espacio-temporal num sentido de cultura pop. WarGames também era sobre isto, correr atrás do tempo era a desculpa para aumentar a tensão, e construir cinematicamente o modo de suspense. Aqui temos os mesmos pressupostos que em WarGames, um tipo tem de fazer algo num curtíssimo espaço de tempo, de contrário algo terrível vai acontecer. A coisa terrível e a acção que ele tem de cumprir estão ambas localizadas no mesmo quarteirão de cidade, assim tudo se desenvolverá ao redor disso.



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Nick of Time - 7Olhares

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“Girl with a pearl earring” (2003) (A rapariga do brinco de pérola)
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Hiper-realismo e luz
Luz como um manto: a janela foi aberta e a luz entrou. Cobriu superfícies, cobriu alguém. Com Vermeer, tudo é sobre realçar as personalidades através de sombras e superfícies que definem almas. O século XVII holandês produziu Vermeer e Rembrandt. Ambos mudaram o significado da luz na composição e conteúdo e escreveram um capítulo fundamental da construção visual (composição). Mas enquanto com Rembrandt temos a luz como um foco, que domina e conduz os outros elementos, cuja personalidade e significado são moldados e submetidos a essa luz que o pintor escolhe, com Vermeer temos outra situação: luz como um manto, traquila, pacífica luz, aquele que atravessa um copo numa manhã de sol e nuvens.

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7 Olhares - Girl with a pearl earring

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“Mary Reilly” (1996)
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Malkovich, Jekyll e Hyde
Este filme causa-me desconforto. Suponho que seria esse o objectivo. Mas o que se passa é: com a distência do tempo tenho uma boa impressão dele, e a minha memória retém boa opinião. Mas enquanto o vejo, e já o fiz algumas vezes, não encontro razões que justifiquem as minhas recordações. Pensei sobre isso e creio que tudo se resume a um elemento, que é Malkovich. Julia Roberts é inútil, um ornamento, a rapariga que está ali para se assustar e representar o “caminhar no escuro enfrentando os seus próprios medos e vencendo-os”. Tudo bem com isso. Não tão bem quando ela supostamente deveria fornecer ao nosso Hyde o suporte e emprestar-lhe os seus medos e más memórias, ela falha completamente e esse é um ponto fraco. A direcção de Frears é correcta, ele compreende ritmo e como construir um filme respeitando o modo do enredo. Tudo bem.
Depois temos Malkovich. Ele tem uma forma de actuar que muitas vezes dá a sensação que ele não está a actuar de todo, quase como se ele estivesse sempre a ser ele próprio. Isto é uma sensação falsa e, na maioria dos casos, creio que resulta como aspecto positivo das suas actuações.

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Mary Reilly - 7Olhares

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não é a minha preocupação principal escrever sobre os que estreiam, embora possa acontecer, e já aconteceu. Simplesmente o que se passa é que nem sempre posso ir tanto ao cinema (infelizmente) e quando escrevo, é sempre primeiro para o IMDb e normalmente esse comentário em inglês demora cerca de um mês antes de aparecer no blog traduzido, e nesse espaço, se o filme estivesse a aparecer, já estará quase a desaparecer :D. Mas tenho a ideia de começar a escrever directamente para o IMDb e traduzido por isso vou tentar escrever sobre filmes em cartaz sempre que possa.

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Também gostei imenso deste filme, contudo não consigo concordar que o Brendan Fraser seja o elo fraco, se é que ele existe neste filme. Alias, tenho de admitir que (não conhecendo nada dele a não ser pérolas como George of The Jungle e os filmes da mãezinha[Mummy]) ele conseguiu surpreender-me e muito.

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Eu aprecio algum do trabalho do Brendan Fraser, em determinados momentos, e se for suportado por um conjunto de factores (argumento sobretudo) consegue ter momentos bastante interessantes... aliás a respeito disso escrevi recentemente sobre o seu Bedazzled.
Mas aqui no americano tranquilo, este não é o registo dele. Ele é demasiado cómico para estar aqui, o que em si não é um problema, há actores eminentemente cómicos que conseguem interpretar bem o papel de fazer "drama". Repara por exemplo naquele momento em que ele entra na casa do Michael Caine com uma garrafa. Repara como ele faz o gesto de retirar a garrafa das costas e a cara q ele faz ao entregá-la. Aquilo tem o exagero de uma caricatura. O filme ajuda a que a prestação dele possa passar por boa, mas na verdade não é...

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