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Rui Resende

[blog] 7olhares

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no quadro 11 de Vivre sa Vie, Anna Karina mantém uma conversa de vários minutos com o homem a quem, como prostituta, se insinuou. no decurso dessa conversa, ele relembra Platão quando refere, há 2500 anos, que pensamento e palavras são um só, e que as palavras existem para fixar as ideias. Quando me decido começar um blogue escrevendo (penso eu) sobre cinema, procuro precisamente, fixar ideias que me passaram pela cabeça quando via um filme e que, sem as palavras, acabarão por se perder. Os meus comentários não são, por isso, descrições completamente abrangentes de cada filme de que falo, são os aspectos que achei importantes naquele momento e que, na minha cabeça, fazem aquele filme. Tenho a esperança, mais, tenho a ambição de ser lido e, talvez, ser comentado. É esse o meu convite.


Gostava de anunciar aqui que comecei agora a escrever para um blog que vinha planeando há algum tempo.
Trata-se de um blog sobre cinema, completamente de minha autoria. Na sequência dos comentários que vinha (e venho) fazendo com mais ou menos regularidade para o IMDB, achei que seria interessante manter esse ritmo de escrita (e talvez intensificá-lo, sempre que o tempo o permita), contribuindo ainda para o imdb mas tendo o meu próprio espaço onde me possa organizar melhor e tentar desenvolver a ideia que o imdb não me permitia desenvolver, de escrever a várias línguas. Esse é, talvez, o aspecto mais ambicioso desta tentativa simples de criar o meu espaço. Vou tentar, enquanto conseguir, escrever as minhas contribuições em três línguas. Uma que é a minha materna (português), outra que domino (inglês) e outra que pouco a pouco, pelo autodidatismo e por amizades várias estou a aprender a dominar (espanhol).

o que escrevo é apenas, normalmente, o conjunto de ideias que me vem à cabeça quando vejo um filme e quando o termino. Há um prazer enorme em reflectir sobre um filme depois de o ver, por vezes tão grande, por vezes mesmo maior do que ver esse filme, e este blog é o reflexo desse prazer. Convido-vos a visitá-lo e deixarem, caso assim entendam, a vossa opinião ou comentário.

http://www.7olhares.wordpress.com

o princípio que conduz o blog está explicado, o resto, aspecto visual sobretudo, está sempre em cosntrução :)

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Já agora deixo a referência ao primeiro comentário que optei por publicar, para inaugurar o blog.


Escrevendo Beleza
“Lucía y el sexo” (2001)
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Realizador: Julio Medem
Argumento: Julio Medem

*** Este comentário pode conter spoilers ***
“a primeira vantagem é que no final a história não termina. Cai num buraco e recomeça do meio […] a segunda e maior vantagem é que nós podemos mudar o rumo a partir daí.”
Isto resume basicamente as “vantagens” do cinema de Medem. O que obtemos com Lucía y el sexo é do melhor. Argumento fantástico, quente, bonito em todos os aspectos, visuais ou escritos. A escrita é o tema. Realidade (des)descrita. O cinema evoluiu para explorar este tema. Aqui, a realidade é escrita pela escrita de Lorenzo [...]


http://7olhares.wordpress.com/2007/05/26/escrevendo-beleza-lucia-y-el-sexo/

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novo post publicado:

Dentro e fora da realidade, “Sunset Boulevard”


“Sunset Blvd.” (1950)
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Realizador: Billy Wilder
Argumento: Charles Brackett, Billy Wilder, D.M. Marshman Jr.
Link IMDB
*** Este comentário pode conter spoilers ***
Este filme tem uma escrita fantástica, excelente multisignificação, e muito bem sucedido na forma como usa a “forma” para nos atingir a nós, audiência, com um significado. Pode não ser o primeiro filme auto-referencial na história mas é sem dúvida um dos primeiros feitos com inteligência.
O que obtemos aqui são filmes dentro do filme. O filme é o que nós vemos. Para o fazer parecer com um filme, ouvimos a voz ausente do cadáver (o narrador), mesmo quando o cadáver nos é mostrado. Um homem morto que se descreve como morto (a intenção original era colocar o cadáver falante na morgue). Dentro deste filme de construção clara encontramos outros. A saber:
[...]

continuar em: 7olhares - Sunset Blvd (1950)

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novo tema iniciado

Princípio cinemáticos

O cinema, como toda a arte, é comunicação. Tudo o que passa por imagem em movimento ou não, com ou sem som, é pura comunicação. Queira-se ou não, negue-se (enquanto artista) ou não esse facto, tudo que aparece comunica algo. Em controlar o que se comunica está a arte. Assim, “Babel” escolhe porventura o tema mais difícil de explorar por qualquer médio artístico: o da não comunicação. Tudo o que Iñarritu pretende é mostrar a ausência da comunicação, e os efeitos dela,



[...]

continua: 7olhares - o cinema de Iñarritu, introdução a Babel

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Novo post, filme, Babel, comentário publicado em Imdb e revisto.

(In)comunicação



“Babel” (2006)
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Realizador: Alejandro González Iñarritu
Argumento: Guillermo Arriaga; Alejandro Iñarritu
Género: Drama/Thriller
Link IMDB
Aqui, uma vez mais, como no resto da triologia, a narrativa não linear é utilizada, pela sobreposição de histórias que se ligam em determinado(s) momento(s). Funciona como 4 pequenas estórias, que são editadas e vistas em excertos, com uma ordem específica. Cada estória é clara e fácil de seguir, se analisada sem a ligação às outras. A ordem dos excertos é sempre:
1- as crianças marroquinas
2 - a ama mexicana e as crianças americanas
3 - os americanos em Marrocos
4 - a história japonesa

[...]


7Olhares - Incomunicação, Babel

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este filme é simplesmente genial!!!

Tudo o que Iñarritu pretende é mostrar a ausência da comunicação, e os efeitos dela,


e estas palavras descrevem na perfeiçao a intençao de Iñarritu no filme...e essa intençao esta impressa até ao tutano no desenrolar do mesmo...

alias..cada vez + iñarritu passa ater um lugar de detaque nos meus realizadores favoritos...

ja agora ja alguem viu o paris texas do wim wenders?

abraço e ate breve...muito breve:D

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yep, eu acho que o iñarritu está na linha da frente do melhor que se faz hoje. Acho que com o babel ele fechou um ciclo e estou curioso para saber o que ele vai fazer a seguir... tenho a sensação que esta triologia "amores perros" "21 grams" e "babel" foi uma mesa de experiências, e q agora ele vai sacar obras ainda superiores... mas espero para ver...

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Novo post, um filme (teoricamente) mais ou menos anónimo do grande público.

Onde demasiadas ideias convergem


“Gwai wik”(Recycle) (2006)
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Realizadores: Oxide Pang Chun, Danny Chung
Argumento: Cub Chin, SirLaosson Dara, Sam Lung, Oxide Pang Chun, Danny Pang, Thomas Pang
Link IMDB
Vi este filme no Fantasporto 2007, no Porto, Portugal.
Fui ver este filme sem expectativas de algum tipo em relação a ele. Gosto de entrar em filmes assim, retira o preconceito trazido normalmente pelo excesso de conhecimento prévio sobre as pessoas envolvidas. Aparentemente, sei-o agora, os realizadores são parte de uma nova geração no cinema de Hong-Kong, e realizaram já alguns sucessos com esse estatuto. Para mim, eram desconhecidos.


O filme é complexo, mas nem sempre por bons motivos. Começa com um ambiente misterioso, retirado (creio, mas não necessariamente) dos thrillers psicológicos de “apartamento” de Polanski.

[...]


http://7olhares.wordpress.com/2007/06/10/onde-demasiadas-ideias-convergem-gwai-wik/

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“Blood Diamond” (2006)
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Realizador: Edward Zwick
Escritores: Charles Leavitt, C. Gaby Mitchell
Género: Aventura/Drama/Thriller
Link IMDB
Abrir a janela
Penso que vale a pena ver este filme porque algo de novo aconteceu aqui. Não relacionado com a criação de filmes, estruturas narrativas ou outra vertente intrinsecamente cinemática, mas devido à forma como a luz de África foi captada, algo que os manuais chamam fotografia
Cinematografia:.
Estou a tentar chegar ao máximo de trabalho possível de Eduardo Serra.

[...]


Continuação em 7olhares

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novo comentário, um dos filmes que eu considero mais influentes na história do cinema:

“Rope” (1948)

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Realizador: Alfred Hitchcock


Escritores: Patrick Hamilton, Hume Cronyn, Arthur Laurents, Ben Hecht


Género: Crime/Drama/Thriller


IMDB

O nascimento de um “olhar”
Eu tenho este na minha lista de filmes que todos deveriam ver. Isto é, para que se possa compreender algumas questões fundamentais de criação cinematográfica dos últimos 50 anos.
O que menos me interessa aqui são as realizações técnicas. Essas representam hoje uma curiosidade, um facto “de museu”, que vale apenas relembrar e ser creditado àqueles que trabalharam nele, mas apenas isso.

Também não estou interessado nos assuntos tabu das entrelinhas, nomeadamente os relacionados com a homossexualidade. Em relação a isso, creio que toda a construçãod o filme, dos actores à escrita das cenas retirou muitas coisas do contexto. Vou mais longe. Acredito que Hitchcock na verdade desprezava essas mensagens (os escritores estavam preocupados em explorá-las, não Hitch), ele não perseguia aqui significados subjacentes ou controvérsia, ele procurava algo bem mais engenhoso e influente. Falo do “olhar” da sua câmara.

[...]

continuação: Rope . 7Olhares

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novo comentário, um filme que chegou agora há pouco tempo (mais ou menos incógnito) aos cinemas portugueses:

“Teresa, el cuerpo de Cristo” (2007)

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Realizador: Ray Loriga

Argumento: Ray Loriga

Género: Drama

IMDB

Lucía com um manto

Trabalho perfeccionista, contudo ultrapassado nas ideias que transmite.


O filme tem alguns elementos interessantes, de alguns pontos de vista, apesar das suas (várias) falhas. Quem o produziu sabia o efeito que Paz Vega pode ter, e colocou-a aqui com o seu personagem de “Lucía y el Sexo” em mente (por isso, neste sentido, este filme só poderia ter a ela no papel principal). Como Lucía, ela foi (juntamente com as tensões sexuais que também ajuda a criar) um dos principais agentes geradores de todo o filme na cabeça do personagem-escritor. Num certo sentido um personagem satélite, no entanto, essencial na trama. Aqui, ela desloca-se para o centro dessa trama, as mesmas tensões sexuais são mantidas, e o que é gerado é a evolução das suas lutas interiores, e da forma como o fundo exterior a Teresa vê essas evoluções. Esse mundo também nos inclui a nós, espectadores, que colocamos os nossos próprios (pre)conceitos religiosos (ou não) a julgá-la, tal como as várias personagens no filme. De qualquer forma, mesmo alguns aspectos na cinematografia revelam algumas influências do filme de Medem (algumas paisagens excessivamente expostas à luz, ambiente de sonho, gerador de ideias).


O filme é construído por episódios, quadros, frescos biográficos. Os factos da biografianão são interpretados, a luta interior é escolhida para este efeito.

[...]

em: Teresa, o corpo de Cristo . 7Olhares

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pequeno comentário ao filme Lisboetas, documentário premiado de 2004, dedicado ao tema da imigração. Coloquei este de seguida com "Alice" (2005) pelos motivos que explico nos comentários:

“Lisboetas” (2004)
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Realizador: Sérgio Tréfaut
Género: Documentário
IMDb
Binóculos
Lisboa está construída sobre colinas. Se caminharmos junto ao rio, em frente à baixa iluminada de Pombal, construída nos destroços do terramoto de 1755 e olharmos para cima, podemos ver todo o centro histórico, protegido pelo castelo. Bonita vista. Subimos, chegamos a esse castelo, e olhamos para baixo, a vista oposta, abraçada pelo rio, também magnífica, também linda. A luz é especial, qualquer amante de cinema deverá sabê-lo, Wenders sabe-o (Lisbon Story). As cores são ocre, amarelo pálido, rosa aguado, e o laranja argilado dos telhados. Quando chegarmos ao castelo, peguemos num par de binóculos, observemos a cidade de cima, tomando atenção ao outro lado do rio, e muita atenção às partes velhas. O amarelo torna-se azul vivo, veremos preto e branco, grandes contrastes, e uma cidade que não vem em postais. Através desses binóculos, poderemos ver este filme.



[...]


continuação: Lisboetas - 7Olhares

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de seguida, comentário ao filme de Marco Martins de 2005:

“Alice” (2005)

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Realizador: Marco Martins


Argumento: Marco Martins


Género: Drama


IMDb

Casaco azul

Há muito para dizer sobre este. É fantástico poder apreciar um filme como este, viver o momento em que finalmente, isto acontece. Não sei muito sobre M.Martins, não tinha ouvido falar dele antes (praticamente ninguém tinha). Também não sei o que fará a seguir. Mas coloco este junto com um pequeníssimo número de primeiras tentativas “difícil-ser-melhor” (junto com títulos como “a bout de souffle” ou “citizen kane”).
A cidade aqui é o tema. Esqueça a história. Ponto. Está lá. Ponto. Serve o objectivo de agarrar uma cidade nunca vista no grande écran antes deste film. Ponto final. É tudo que há para dizer sobre a história.
Assim, este tem sucesso onde “Ossos” e “O fantasma” tinham falhado completamente; em mostrar Lisboa livre de clichés, de imagens pre-concebidas e (re)aquecidas. O tempo evolui, o cinema tem de o acompanhar. O que se passou aqui foi ajustar contas com o tempo.

[...]


continua em: Alice - 7Olhares

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“Fresa y chocolate” (1994)

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Realizadores: Tomás Gutiérrez Alea; Juan Carlos Tabío

Argumento: Senel Paz

Género: Drama / Comédia

Sair para a rua

O cinema é uma arte em si mesmo, não uma soma de artes. Isso acontece porque tem aspectos específicos que não podem ser atingidos sozinhos por qualquer outra arte. Mas o que torna o cinema autónomo como expressão artística é discutível mas terá sempre algo que ver com imagens em movimento (ou dinâmica de imagens estáticas):

. contar uma história
. um ambiente, atmosfera, modo
. factos

Todos são passíveis de ser explorados. Em “Fresa y Chocolate” o problema é que, aparentemente, temos uma mistura dos 3, mistura que pode existir, mas não como acontece aqui.

[...]


em: http://7olhares.wordpress.com/2007/06/28/morangos-e-chocolate-1994/

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“Et Dieu… créa la femme” (1956)


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Realizador: Roger Vadim

Argumentistas: Roger Vadim and Raoul Lévy
Género: Drama
IMDb

auto-biografia cinematográfica

“o problema com o futuro é que está sempre a arruinar o presente”, diz Bardot no princípio. A minha intuição relaciona esta frase com o papel que este filme viria a ter no cinema em anos posteriores.
Este filme é realmente importante. De um ponto de vista sociológico e cinemático. Apesar disso, este não é um bom filme.. Não tem enredo forte, ideia forte ou actores fortes. Mas tem BB e uma revolução no cinema que surgiria apenas 4 anos depois e que mostra as suas garras aqui.
Fenómeno Social
Brigitte Bardot apareceu aqui. A primeira cena garante-lhe um lugar na imaginação colectiva da sociedade ocidental. O resto do filme define uma nova personalidade tipo para um símbolo sexual, que não é assim tão diferente da pessoa vulgar, apenas mais bonita. Este é o filme dela, e ela é a única que se recordará apenas após um pequeno espaço de tempo após o seu visionamento. (ela, não o seu personagem).



[...]


E deus criou a mulher - 7Olhares

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“The Departed” (2006)
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IMDb
Martin olhando para o seu passado
Scorcese voltou ao seu passado como realizador. Nos seus últimos projectos ele vinha explorando as possibilidades de movimentar a sua câmara, a meu ver em dois aspectos fundamentais: -explorar espaço, arquitectura, a envolvência; -provocar sensações, neste caso agarrando-se a um personagem (ou vários) e transmitindo essas sensações a nós, audiência. Estou naturalmente a falar aqui de “Gangs de Nova Iorque” e “O aviador”. O primeiro foi bastante mais arrojado nestes aspectos, o segundo foi mais reflectido, talvez mais refinado e multi-facetado (introduziu o tema das cores, da evolução do tempo e reviveu a “câmara que segue um personagem”). Eu valorizo esses projectos porque Scorcese correu neles alguns riscos e tentou evoluir como realizador. Não chegou a “terra firme” ou conclusões reais. Mas esse é o objectivo de experimentar: tentar soluções.
[...]


continua em: Os infiltrados - 7Olhares

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já tinha colocado algures no fórum este comentário, agora traduzi-o e coloquei no meu blog:

“Blade Runner” (1982)
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Impressionismo de contornos distópicos
Primeiro que tudo, é importante compreender que Blade Runner não tem que ver com uma história ou personagens, não é sobre ser concreto. É um filme sobre paisagem, sobre a cidade, como reflexo da civilização. É sobre corrigir o nosso presente, sabendo o que aconteceu no passado. E por isso o futuro é usado, por isso a ficção científica é chamada. Por paradoxal que possa parecer, o modo futuro dá ao espectador a distância necessária em relação ao que ele é suposto “ver”. E o que se vê aqui é fundamental, não por causa dos cenários espectaculares, não pela espantosa previsão do que a cidade será em anos vindouros mas porque mostra o que já está agora defronte de nós. Praticamente todos os filmes de ficção científica tentam prever uma cidade completamente nova baseada no que é “futurista” no momento da criação do filme, de obras-primas visuais como Metropolis a versões comerciais de um mundo futuro como “Demolition Man”. Ridley Scott propõe uma cidade que existe já, hoje, agora. Nós chegamos ao futuro através do presente, o nosso presente, e isso liga-nos ao que vemos onde o tempo futuro nos dava distância. Tudo é deliberadamente atirado num ambiente distópico, caótico, que faz tremer, não porque é escuro e chuvoso, mas porque é numa cidade que já existe, em edifícios com mais de 100 anos agora. Sebastian vive num edifício neoclássico de provavelmente final do século XIX, as raízes de tudo o que claramente está mal e distorcido neste futuro de Scott estão agarradas ao nosso presente. Evidentemente um realizador de ficção científica é, antes de mais, um habitante da Terra, assim a sua base será sempre a sua realidade como terráqueo mas aqui ele faz o esforço de atirar isso ao espectador.

[...]




continua em: Blade Runner: 7 Olhares

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“The Black Dahlia” (2006)
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O problema com enredos pesados e uma visão cinemática
Eu coloco Brian De Palma num lugar alto na minha lista de realizadores com interesse. Isso significa que faça ele o que fizer, eu quero ver, mesmo que eventualmente me venha a desiludir. Isto acontece porque ele tem uma forma altamente cinemática e pessoal de ver as coisas e de contar histórias, e parte sempre dessa visão. Assim, eu discordo da opinião de muitos apreciadores de cinema que desprezam De Palma por ser uma “fotocopiadora” de vários outros estilos de cinema. Eu penso que ele denota, sim, várias influências, claras como água, mas no final todas elas surgem filtradas pela sua magnífica forma cinemática de ver. E sublinho esta última palavra, porque com De Palma tudo se relaciona com “ver”… COMO, mas do que O QUÊ.
Dito isto, considero este filme como um projecto menor.
[...]


A dália negra - 7olhares

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“Caótica Ana” (2007)
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Abrir portas

Qualquer filme de Medem é um acontecimento. Poder observar este mestre evoluir, filme a filme, é um privilégio. Medem está no topo da inovação cinematográfica e exploração do meio neste momento, e este filme será eventualmente o sua maior conquista até este ponto.
Assim, este está construído com oposições, de escala, de temperamentos de personagens, de paisagens. Ana é, ela mesma, “caótica”, ela contém dentro de si a calma das vidas anónimas e o fardo da herança das mulheres: A primeira cena, com os pássaros, aparentemente tão descontextualizada do resto; Ana e o senador corrupto; Ana e Linda, sua amiga.
(CONSTRUÇÃO NARRATIVA) Os filmes de Medem têm sido sempre uma reinvenção da história de amor, ao mesmo tempo preocupada com a emoção, a mente humana e a renovação da narrativa visual cinemática. A alma humana é um enorme iceberg do qual só vemos uma pequena ponta, e o cinema de Medem sempre se preocupou com a vasta massa que não vemos. Tudo isto ainda importa neste filme.
[...]


Caótica Ana - 7Olhares

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“Nadie conoce a nadie” (1999)
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Sevilha merece mais
Tive uma decepção com este. Não porque fosse realmente um mau filme, mas porque podia ter sido feito algo muito melhor.
Cheguei aqui porque tenho estado interessado no cinema espanhol, e este podia ter-me chegado como algum merecedor apesar de não ser o melhor que Espanha tem para oferecer.
O filme segue a linha de Amenábar. Thrillers “fechados”, que apelam a uma busca interior, à resolução de conflictos em abstracto, vivendo mundos paralelos, paralelos a uma realidade que é tão “normal” quanto possível. Funcionou em “Abre los ojos” devido à dualidade mundo de sonho vs inferno. Aqui a mistura é entre vários mundos “estranhos” ou “não normais”:
- o sempre fascinante período das cerimónias religiosas na Andaluzia espanhola;
- o mundo do “jogo”, inventado pelo personagem de Mollà, através do qual Simón (Noriega) chegará à sua luta interior;
- Noriega, outra vez representando o seu personagem de “abre los ojos”, escolha segura da produção, sem riscos;
Isto falha devido a vários aspectos:
[...]


Nadie conoce a nadie - 7olhares

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“School of Rock” (2003)
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“B(l)ack to the past”
Tenho de ver o filme recente “Tenacious D” para escolher onde gosto mais de ver Black em projectos “relacionados com música”: as duas opções para mim são “tenacious d, the pick of destiny” ou “High Fidelity”. Este “escola do rock” não concorre para mim. Definitivamente não.
Eu dou grande crédito a Black pelos seus dotes completos de comédia, ele junta com sucesso comédia física, verbal e de gestos. Tão importante como ouvi-lo é vê-lo. Em Alta fidelidade ele estava perfeitamente adaptado e integrado numa equipa correcta (actores, produtores, realizadores) e servia uma construção inteligente, grande escrita. Aqui ele é prima donna. E consegue cumprir. Se há uma boa razão para ver este, é por Black. Ponto. Tudo o resto é simplesmente desleixado.
[...]


School of Rock - 7Olhares

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