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[Projecto] Casa não casa - Pedro Campos Costa

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Pedro Campos Costa
Casa não casa . 2005

As casas pátio são um paradigma da arquitectura mediterrânica. mas, o que inicialmente era claramente relacionado com o clima, a morfologia e a cultura de uma região, foi ao longo dos tempos libertando-se destas condições através de novas tecnologias de construção, novos materiais, novos usos e hábitos culturais. o pátio tornou-se, se já não o era, um elemento de fácil exportação. chegando inclusivamente à gelada escandinávia onde são exemplos incontornáveis as casa pátio em Fredensborg na dinamarca de Jorn Utzon ou a Muuratsalo House na Finlândia de Alvar Aalto.
A tipologia pátio tornou-se a representação de uma qualidade espacial e a relação com o mundo exterior, mais do que o reflexo cultural ou a identidade de uma região.

A "casa não casa" cria um pátio que é o centro da casa. Em cima, as salas que olham para a copa da árvore do pátio e para a massa verde adjacente, e em baixo os quartos que se relacionam directamente com a terra. O pátio descoberto é também circulação e ligação entre os quartos e as salas.

A fachada é a pele que envolve a casa. Relaciona-se com o exterior definindo o perímetro do que está dentro e do que esta fora. A "casa não casa" tem no módulo da fachada a pretensão de criar a relação com o exterior, criar a composição e criar energia. Através de superfícies espelhadas a fachada reflecte o ambiente, criando uma relação mimética. Na sua forma cria o motivo de composição e com a introdução de painéis fotovoltaicos resolve o problema da energia.

Hoje a utilização de painéis fotovoltaicos em edifícios pode ser não só viável como tem tempos de recuperação do investimento muito atraentes. O decreto-lei 33a/2005 permite finalmente ligações à rede pública. Isto quer dizer: vender a energia que se produz a um preço superior ao do mercado.
Elevado ao extremo, a casa ao fim de alguns anos, paga-se a si mesma. A casa não casa deixa de ser um investimento meramente especulativo mas gerador de dinheiro e de mais valias para o ambiente.

A casa não casa esconde-se atrás de espelhos. Espelhos em forma de bico.
Reflectem nem sempre aquilo que se vê. Perlonga, mimetiza, camufla, copia, esconde, mas deforma.
Não se consegue fixar uma imagem num espelho, mas ainda assim olhamo-nos ao espelho para nos vermos. Para ver como estamos. Essa imagem que temos de nós não se fixa, não é provavelmente real, mas reflecte-se e é essa a imagem que acompanha a nossa identidade.


CASA NÃO CASA.

Data: 05.09.2005
Superfície: 180 m2
Custo de Construção: 0 euros ( Consultar o conceito da casa , o custo inicial era 750 euros)

Arquitectura: Pedro Campos Costa with Ivan Teixeira and Alessia Allegri Renovable enegies
Fotovoltaicos: Maria João Rodrigues Model: Marco Galofaro -MODELAB
3D: Hugo Fernandes, Marco Madruga.
Agradecimentos: António Cavaleiro, Andrea Barczyk, Yo , Rita Henriques, Fedelica Caccavale e Florindo Ricciuti


Agredecemos a colaboração de Campos Costa

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ola nos somos alunos da escola da ponte. estamos interessados em fazer uma maquete da vossa "casa nao casa" e gostariamos k colocassem o projecto da casa para nos a contruirmos em miniatura agradecia k colaborassem com o nosso projecto. obr e comprimentos do Luis e Edu.

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o que é isto? estão-me a dizer que se eu comprar essa casa, vamos lá, nos próximo 10 anos ela paga-se a sí mesma e no restantes anos da minha vida posso viver reformado a pala dos meus painéis fotovoltaicos? parece-me um exercício académico interessante e especulativo, que na sua irrealidade consegue levantar questões interessantes, a um nível,claro sempre de pesquisa. quanto ao revestimento em espelho, assusta-me...acho que não é grande solução seja para que tipologia de edifício for, se calhar um fotovoltaico baço naquele azul-cinzento ficaria engraçado...uma casa dos bicos contemporânea, ecológica e rentável....è giro

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ola nos somos alunos da escola da ponte.

estamos interessados em fazer uma maquete da vossa "casa nao casa" e gostariamos k colocassem o projecto da casa para nos a contruirmos em miniatura agradecia k colaborassem com o nosso projecto.

obr e comprimentos do Luis e Edu.


3fast, este projecto foi disponibilizado pelo arquitecto Pedro Campos Costa para ser apresentado no arquitectura.pt no âmbito das Semanas Temáticas.
O arquitecto responsável pode não aceder regularmente ao site, pelo que sugiro um contacto directo com ele (http://www.camposcosta.com/)


kwhyl, tanto quanto sei este projecto foi divulgado durante a trianal de arquitectura, ou na Experimentadesign 2005, não me recordo, pelo que terá sido mais um exercício do que um projecto real para um cliente real.
Como dizes e bem "parece-me um exercício académico interessante e especulativo, que na sua irrealidade consegue levantar questões interessantes, a um nível,claro sempre de pesquisa."
A menos que tenha sido idealizado antes e tudo o que estou para aqui a dizer deixe de fazer sentido... :\

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Será que podemos levar ao extremo o conceito de casa, reduzindo-a à mais pura equação tecnológica do problema habitar?! É licito pensar que se pode viver realmente bem numa "caixa" que nos resolve os problemas de energia, mas que no fundo tem a imagem de uma central fotovoltaica?! Não estamos perante mais uma "moda" gerada pela crise energética, e efectivamente o amarrar da criação arquitectónica a mais uma pesada condicionante técnica - a auto-suficiência energética?! Não caminhamos a passos largos para a extinsão da Arquitectura enquanto disciplina humanista e porque não dizê-lo artistica?! São estas questões que me bailam no espiríto quando vejo este tipo de ensaios académmicos, não contestando a sua validade e/ou qualidade.

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Pessoalmente acho importantes estes exercícios, como forma de alargar horizontes, o pegar na técnica e "esticá-la" até onde der, ou na imagem e perceber até onde podemos ir conceptualmente. Quanto a mim funciona um pouco como os protótipos das mais diversas áreas, onde se testam soluções, onde se desenvolvem tecnologias, onde se experimentam conceitos. Depois, quando esse protótipo passa à produção, tudo se torna necessariamente mais humanizado, mais próximo do utilizador.

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Acho esta questão da sustentabilidade e as suas teorias muito dicotómicas. À partida, a primeira questão da "sustentabilidade", como o nome me parece indicar, faz-me pensar que ,desde logo, ser sustentável é resistir pelo maior periodo de tempo. Parece-me o factor mais importante e económico que muitas pessoas parecem esquecer-se. No entanto isto dá pano para mangas...inclusivamente , no limite, à extinção da nossa profissão. Não massacrando muito, esta discussão poderia continuar por inúmeros caminhos.

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