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‘Hortas de lata' urbanas são um luxo para muitos

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‘Hortas de lata' urbanas são um luxo para muitos

Marina Almeida, Diário de Notícias, 05-03-2007

Lisboa: há centenas de hortas em terrenos camarários cultivadas ao milímetro ao arrepio das autarquias
António Marcelino amanha um retalho de terra de que só ele conhece os limites com uma quase doçura. Alinha milimetricamente as "cebolinhas", em movimentos precisos, acaricia o chão que não lhe pertence. Sorri. A poucos metros, zumbem os carros no IC19. Cabo-verdiano de Santo Antão, trabalhador na construção civil e residente na Cova da Moura, Marcelino, 53 anos, retira destas terras os vegetais com que alimenta a família ao longo do ano.
Há quem lhes chame "hortas de lata", mas para Marcelino os três palmos de terra na berma da via rápida são um luxo. Sabe que nada daquilo lhe pertence, sabe que só tem água quando o céu dá, mas vai-se deixando ficar assim, à mercê dos elementos, com uma alegria desarmante.
António Marcelino é um dos muitos que impregnam de sementes os terrenos encravados entre os viadutos, alguns de acesso quase malabarístico, todos de propriedade alheia. Os agricultores de berma de estrada dividem os terrenos entre si e cultivam com esmero. Parecem genuinamente pobres, dizem que o fazem por necessidade e "entretém."
Por aqui também passam os "oportunistas" que "vêm para catar caracóis e levam tudo, da cebola ao alho." A queixa é comum. Também Manuel Andrade aproveitou o sol de sábado para plantar batatas na horta em Carnide. A única coisa que diferencia a sua rotina da de Marcelino é que tem um poço de onde retira água e não precisa de pôr os bidões de prontidão aos ímpetos do céu. Já é a segunda horta que este residente no Bairro Padre Cruz cultiva. A outra "era no cemitério" que entretanto foi construído.
Ainda Marcelino não acabou a fileira das cebolas e já acena a Maria, sua conterrânea, que segue pela berma da estrada até ao seu quintal, do outro lado do vale que a CRIL escavou. Não se incomoda com os carros. Cuida desta terra há um ano, vai ficar enquanto a deixarem, mas avisa: "Vamos sempre encontrar uma hortinha, cabo-verdiano gosta de mexer."


Fonte: OA Notícias

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isso dá que pensar! Poderá de certa forma ser uma solução possível para os hectares gastos em nós de auto-estradas principalmente de estradas circulares das cidades onde cada vez mais pessoas habitam. De certa forma a câmara deveria promover este tipo de actividades já que é saudavel para as pessoas e para a paisagem

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Câmara disposta a criar local de venda para os hortelões

Lisboa vai ter mais e melhores hortas urbanas até 2011

25.05.2009 - 09h38 Inês Boaventura

A Câmara Municipal de Lisboa diz que vai avançar, "nos próximos meses", com uma intervenção nos cerca de 15 hectares de hortas do vale de Chelas, com o objectivo de assegurar o fornecimento de água e reordenar o espaço através da criação de caminhos pedonais de acesso. Mas o plano da autarquia é mais ambicioso e inclui, num prazo de dois anos, a criação de hortas em Campolide e Telheiras, e que tentará melhorar os espaços já existentes na Quinta da Granja, Vale Fundão e Bairro Padre Cruz.

A Associação Portuguesa de Arquitectos Paisagistas promoveu recentemente um encontro nas hortas da zona de Chelas, onde os visitantes se depararam, "num vale cortado por dois edifícios escandalosos - um hipermercado e uma escola - que cortam a circulação de água" pelos terrenos, com "um interessante mosaico de culturas, conjugando uma produção de espécies hortícolas com algumas plantas ornamentais".

A descrição foi feita pela presidente daquela associação, Margarida Cancela d'Abreu, dizendo ao PÚBLICO que aquelas hortas são mantidas por residentes dos prédios vizinhos, "na maioria reformados", que cultivam produtos agrícolas para autoconsumo, mas também como forma de "entretém".

Um dos principais problemas sentidos é o do acesso à água, recorrendo os hortelões ao expediente de a armazenar em "depósitos extraordinários" como "arcas frigoríficas e barricas", tidos como a única forma de aproveitar a água da chuva, como constatou no local Margarida Cancela d'Abreu.

A Câmara Municipal de Lisboa conhece esta realidade e, segundo o vereador do Ambiente, Espaços Verdes e Plano Verde, vai resolver o problema "nos próximos meses", criando além disso caminhos pedonais. No futuro, a ideia de José Sá Fernandes é que as hortas de Chelas venham a acolher, numa ponte a unir os dois lados do vale, um mercado onde quem cultiva a terra possa vender a sua produção.

Prática comum

Esta é, aliás, uma prática comum em vários locais do globo (como Chicago ou Londres), mas pouco vista num país que, lamenta o arquitecto paisagista Gonçalo Ribeiro Telles, "ignora pura e simplesmente as hortas" e a sua importância para as comunidades. A colega de profissão Margarida Cancela d'Abreu conta que uma das excepções ocorre em Évora, onde aos sábados e domingos há bancadas de madeira à porta do mercado para os "quintaneiros" que cultivam hortas à volta da cidade e que ali comercializam os seus produtos, por sinal muito procurados.

Os projectos da Câmara de Lisboa, que o vereador Sá Fernandes acredita que poderão estar concluídos nos próximos dois anos, incluem também a criação de um parque urbano que integrará as hortas já existentes na Quinta da Granja de Baixo, em Benfica. Em Campolide, a ideia é criar hortas que serão atribuídas por concurso a moradores da zona, surgindo também áreas para produção hortícola em Telheiras, num terreno ainda a negociar com a EPUL.

Escola de Lisboa tem terreno cultivado por centenas de mãos

Na Escola 34, na Alta de Lisboa, ao Lumiar, onde estudam 330 crianças com idades entre os três e os 14 anos, houve em tempos um matagal que deu lugar a uma horta, que rapidamente se transformou na menina-dos-olhos dos professores, auxiliares e alunos. Num terreno lavrado e cultivado por muitas mãos, na Alta de Lisboa, crescem couves, favas, feijões, ervilhas, batatas, cebolas, cenouras, pepinos, pimentos e outras espécies hortícolas.

No ano lectivo passado, as abóboras transformaram-se num doce que foi comido com tostas por todos os alunos, junto de quem se tenta, através do projecto da horta, promover uma alimentação mais saudável.

É por isso que para este ano lectivo estão reservadas para a festa do dia das bruxas. Os pais contribuíram para a plantação com sementes e plantas, e são também eles os principais clientes compradores dos produtos que os alunos vendem à porta da escola sempre que há colheitas.

Também naquele bairro da Alta de Lisboa poderá nascer nos próximos tempos uma outra horta, esta comunitária, sonhada pelo morador e arquitecto paisagista Jorge Cancela, que tem vindo a recrutar futuros hortelões. O mentor da ideia adianta já que conseguiu convencer "mais de 40" e precisa que vai tentando tentar reunir o maior número de apoios para o projecto, incluindo o necessário terreno.

Uma das ambições desta horta comunitária é aproximar os moradores realojados naquela zona da cidade dos que lá compraram casa, contribuindo para uma maior harmonia entre este "mix social" e para o aumento do sentimento de pertença dos próprios ao todo da comunidade. A produção, explica o arquitecto paisagista Jorge Cancela, será biológica e a zona a cultivar terá que ter "um acesso relativamente fácil, seja de automóvel, seja pedonal", além de fornecimento de água e uma vedação.

O projecto e a eventual cedência de um terreno por parte da Câmara Municipal de Lisboa já estão a ser analisados pelos serviços da autarquia, garante aquele arquitecto paisagista.

No mesmo sentido, e segundo a Câmara Municipal de Lisboa, que aponta os exemplos das hortas no Vale Fundão e no Bairro Padre Cruz, o desafio da autarquia é intervir nas hortas comunitárias já existentes, algumas das quais em espaços privados e que não têm fornecimento de água ou acessos em condições, garantindo que nenhum dos hortelões deixa de ter um espaço de cultivo.

"É a primeira vez que a câmara aposta mesmo nas hortas", garante Sá Fernandes, acrescentando que "antigamente" a prática era simplesmente "fechar os olhos" e ir permitindo a sua existência.

in http://ultimahora.publico.clix.pt/noticia.aspx?id=1382724

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Câmara dá lotes de terreno para criação de hortas urbanasInserido em 05-11-2009 17:06

A autarquia de Ponte de Lima criou o projecto "Hortas Urbanas", distribuindo, pelos munícipes interessados, lotes de terreno para cultivo agrícola.

"As pessoas que têm o gosto pela terra mas que não dispõem de um terreno para cultivar passam, a partir de agora, a dispor de um espaço para a sua própria horta", explicou, à Lusa, Gonçalo Rodrigues, responsável pelo projecto.

Na Veiga do Crasto, mesmo às portas da sede do concelho, foi vedada uma área expressamente para a implantação das "Hortas Urbanas", que, nesta primeira fase, disponibiliza 36 lotes, cada qual com uma área entre 40 a 45 metros quadrados.

O projecto já recebeu oito candidaturas, a quem vão ser atribuídos os respectivos lotes, no próximo sábado.

Entre os primeiros candidatos, "há de tudo", desde um arquitecto a uma mulher que vivia no campo e que entretanto se transferiu para o núcleo urbano, sendo também muitos variáveis as idades, com gente jovem e outra já a entrar na terceira idade.

"O denominador comum a todos é o gosto pela terra", frisou Gonçalo Rodrigues.

Naquelas hortas poderá cultivar-se todo o género de produtos hortícolas, bem como flores.

Além do lote de terreno, o Município disponibiliza também um ponto de água destinada à rega das culturas, um abrigo comum para armazenamento dos utensílios agrícolas e um espaço comum para compostagem ou colocação de
estrumes.

in http://www.rr.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=92&did=78062

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Finalmente parece que estas soluções estão em vista de serem implementadas.
O arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles tem lutado muito pela introdução de uma série de conceitos, e espero sinceramente que a estratégia da cidade de lisboa se concretize.

O social e o económico, quando se referem às hortas comunitárias, por um lado defendem a integração entre gerações e culturas e por outro lado, e não menos importante, estaremos perante uma agricultura de subsistência. No meio disto tudo, o ambiente e a paisagem agradecem.

Estas experiências já não são inovadoras noutros países, mas espero que realmente vingue por cá.

Ainda não possuo informação detalhada sobre o assunto, sei apenas de algumas experiências que têm vindo a acontecer na cidade do Porto, mas quero saber pormenores, dos próprios que estão inseridos nestes projectos.

De acordo com as previsões, a maioria da população irá habitar nas cidades e suas periferias. Os vazios urbanos, as áreas remanescentes de somatórios de loteamentos desinfraestruturados, e a cidade, agradecem.

Só deixo aqui uma questão, alguém me sabe dizer se conjuntamente com estes projectos de setá a prever algum sistema de rega para estas hortas comunitárias, que provenha de sistemas de aproveitamento de águas pluviais?

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Há uns anos atrás a Sic transmitiu uma reportagem sobre as novas hortas do século, que nascem no meio do caos urbano, por dividirem fronteiras com a poluição das auto- estradas. Recordo-me vagamente que foi colocada a questão, até que ponto seria benéfico para a cidade a existência de mais hortas destas, pela natureza não só da localização, como das influências que as emissões poluentes teriam sobre os alimentos. Mas também coloco a questão; "se ao tratarem daquela terra, a dar regas de águas limpas, a mexer constantemente nela, a fazer com que ela dê alimentos e a renova-la para que volte a fornecer sistematicamente legumes, não estarão de certa forma a proteger, purificar e a enriquecer as defesas contra a poluição?" já que essas terras paradas e abandonadas, seriam um acumular de tóxicos, que inevitavelmente ajudariam no processo de auto-destruição das mesmas...

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