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A verdadeira ARQUITECTURA portuguesa

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http://img263.imageshack.us/img263/7320/errorpicyl2.jpg

Ora aqui está um excelente artigo que veio hoje no Jornal de Notícias do Porto, assinado pelo Arquitecto Manuel Correia Fernandes que escreve semanalmente no jornal.

É sobre o futuro "centro cultural" situado na margem ribeirinha de Gaia e em resposta directa às acusações incultas de um vice-presidente da câmara como muitos existem por aí!

Recomendo vivamente a leitura:

No passado dia 2, dei conta do "susto" que apanhei com as notícias da assinatura do "contrato de constituição do direito de superfície do espaço das antigas instalações da Real Companhia Velha" entre a Câmara Municipal de Gaia (CMG) e a Novopca, para a "concepção, construção e exploração" por cinquenta anos (?) do futuro Centro Cultural de Gaia. As notícias eram desenvolvidas e eram acompanhadas de imagens virtuais do que se "esboçava" para o local. Escrevi então que só "não morreu de susto" quem "já nada lhe pode causar dano". Mantenho o que disse e ainda hoje fico impressionado não só com a proposta arquitectónica mas, também, com toda a "arquitectura" do "projecto". Dada, no entanto, a natural limitação de espaço deste "Passeio Público", deixei para posterior oportunidade outras reflexões.

Acontece, porém, que o senhor vice-presidente da CMG, Marco António Costa, veio, três dias depois, neste mesmo JN, perorar sobre o meu comentário de que, naturalmente, não gostou. Tal como eu, está no seu direito, mas confesso que apanhei outro susto, agora com a grosseria da prosa. Apesar disso, fique descansado que não vou entrar pela via do insulto pessoal que utiliza porque, para tanto, precisaria de descer do patamar cívico e profissional de que não abdico! Aos cidadãos desta cidade não importam as questões pessoais. Por isso, vamos ao que interessa

A "praça" - qualquer "praça" ou "passeio público" - de que o senhor vice-presidente não gosta porque "tem comentadores, opinadores e quejandos que sem conhecerem em concreto os dossiês… tomam posições inflamadas e muito críticas…", só pode pronunciar-se sobre o que lhe é dado conhecer. Ora, a única informação que foi prestada foi a publicada e o facto de não conhecer "no concreto os dossiês" só acontece porque quem os podia (e devia) disponibilizar não o fez. Ora, esse alguém é a própria CMG.

Depois, senhor vice-presidente, só faltava que o projecto (a que, aliás, o senhor chama "esboço") não tivesse mão de arquitecto! Só que isso não o torna imune à crítica. A crítica é um direito e, por mais que lhe custe, é um acto de cultura. Limitei-me a exercê-lo com educação, mas com a intensidade ou, se preferir, com a "violência" que o objecto da crítica me merecia e merece a verdade é que, com ou sem arquitectos, a proposta é, em si mesma, uma violência muito maior do que a minha crítica, já que, com ela (proposta) se mata, de um só golpe, a imagem, a paisagem, a tipologia, a morfologia, a memória, a história e tudo o que fez e faz das encostas do Douro, o "património" que é "da humanidade" e não apenas de Gaia, do Porto ou de qualquer vereação ou presidente de circunstância. Aliás, não é o próprio PDM de Gaia que, no seu artigo 42.º, classifica o local como "Área de Paisagem Protegida das Encostas do Douro"?

Sobre a questão que parece preocupar o senhor vice-presidente, de haver "quem queira impor o seu gosto estético a todos os outros" (!), só conheço uma proposta e essa é única e é a do único concorrente que se apresentou! Por outro lado e ao contrário do que pensa, não tenho inveja de nada nem de ninguém exerço a profissão há mais de 40 anos e nunca tive nem procurei os favores da Administração Pública; além do mais, sou professor de Arquitectura há mais de 35 anos e não sou masoquista!

Sobre "o projecto" que, segundo o senhor vice-presidente "resulta do trabalho técnico convergente entre os projectistas da empresa que venceu o concurso, os responsáveis técnicos do IPPAR e os técnicos municipais", anoto que o projecto final ainda vai "ser submetido à aprovação do IPPAR", sendo que o próprio administrador da empresa vencedora, Manuel Maia, não só admite que o projecto é "muito arrojado" como poderá vir a ser "polémico"!

Enfim, sobre tudo o resto (modelo de concurso, caderno de encargos, critérios de avaliação e ponderação, clausulado contratual, envolvimento do IPPAR, etc.) o "Passeio Público" aguarda conhecer "os dossiês". De resto, e já que estamos em maré de "responsabilidade", seria muito útil que o senhor vice-presidente explicasse em que é que "um hotel, 13 salas de cinema, estabelecimentos comerciais e espaços para o ensino ligados às artes", para além de "bares, cafetarias e parque de estacionamento subterrâneo", se parece… com um "centro cultural"?

http://jn.sapo.pt/2007/02/09/porto/outro_susto.html

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Esta "conversa" no jornal já vem de longe...
Estive a ver se encontrava o artigo que deu origem a esta controvércia, mas só consegui encontrar aquele que antecedeu o apresentado pelo asimplemind, assinado pelo vice-presidente da câmara de VN Gaia, o sr. Marco António...

Não se assuste, sr. arquitecto

A nossa "praça" é muito dada à existência de comentadores, opinadores e quejandos que sem conhecerem no concreto os dossiês sobre que falam tomam posições inflamadas e muito críticas acerca dos mais diversos temas.

Exemplo disso ocorreu esta semana (edição de 2 de Fevereiro) no "Jornal de Notícias", em que o arquitecto Manuel Correia Fernandes discorreu violentamente na sua crónica semanal acerca do projecto do Centro Cultural de Gaia "…é tal a enormidade que só a certeza de que IPPAR vai 'chumbar' sem pestanejar e sem grandes 'conversas' esta manifestação de barbárie".

O sr. arquitecto ignora que "a tal enormidade" que afirma ser este projecto não é obra de um qualquer desenhador de "vão de escada" ou pedreiro, mas sim resultado da cogitação e criação de colegas seus arquitectos que, face ao enquadramento espacial da intervenção em causa, projectaram esta forma e conceito.

Não me cabe sobre o projecto de arquitectura, ou antes, esboço de arquitectura, defendê-lo tecnicamente, mas permito-me tomar posição acerca da forma irresponsável e mal-educada como este cronista se comportou no caso.

Há de facto quem queira impor o seu gosto estético a todos os outros. Fica-se, aliás, com a suspeita de que só criticam por inveja e ciúme de eventualmente não serem, os próprios, projectistas da obra.

Enfim, haja paciência para as vaidades e invejas de que a nossa praça está cheia e é rica.

Quanto a nós, Município, continuaremos a trilhar o caminho do rigor, sentido de responsabilidade e respeito pelos técnicos.

A propósito, o projecto que foi apresentado e insultado pelo cronista resulta da opinião e trabalho técnico convergente entre os projectistas (arquitectos) da empresa que venceu o concurso, os responsáveis técnicos do IPPAR e os técnicos municipais.

Assim desmente-se e contradita-se que este projecto seja um trabalho realizado e cogitado nas costas do IPPAR. É obvio que o IPPAR, em Vila Nova de Gaia, não só é respeitado como é igualmente um parceiro activo no desenvolvimento do território.

Quanto às agressões verbais do sr. cronista, como diz o povo, "os cães ladram e a caravana passa"…


http://jn.sapo.pt/2007/02/05/porto/nao_assuste_sr_arquitecto.html

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Já agora fica aqui mais um artigo sobre este assunto assinado por Carla Sofia Luz:

Hotel, lojas e 13 cinemas no centro cultural em 2009

Carla Sofia Luz

Os antigos armazéns devolutos da Real Companhia Velha, sitos na Zona Histórica de Gaia, serão convertidos num centro cultural. O imóvel, adquirido em 1999 pela Câmara de Gaia, foi concessionado à Novopca - Construtores Associados em direito de superfície por 50 anos, que investirá 25 milhões de euros na criação de um hotel, 13 salas de cinema, auditórios, estabelecimentos comerciais e espaços para o ensino ligados às artes e bares.

A Câmara de Gaia e a construtora - única participante no concurso público internacional, lançado pela Autarquia há mais de três anos - celebraram, ontem, o contrato de concepção, construção e exploração, que estabelece o prazo de 31 meses para a execução do centro cultural, desde o projecto até à abertura, estimada para Agosto de 2009. A Novopca dispõe de 30 dias para entregar o projecto definitivo e o licenciamento municipal terá de ser concedido em 45 dias. Necessitará, também, do aval do Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) do Porto.

A solução final terá de preservar a chaminé e a fachada dos armazéns da Real Companhia Velha. "É um projecto muito arrojado e vai ser polémico. Houve uma negociação informal com a Câmara e com o IPPAR para não ferir o património do Centro Histórico. Quisemos afastar o edifício do Corpus Christi, que é uma área sensível. Por isso, terá uma zona relvada. Ainda não está definida a utilização dos 500 metros quadrados a ceder à Câmara no centro cultural", esclareceu Manuel Maia, administrador da Novopca. A empresa pagará a anuidade de 102 mil euros ao Município (o preço de concessão do imóvel por 50 anos é de 4,85 milhões).

Para garantir a sustentabilidade do centro, nascerão um hotel, lojas, ligadas ao comércio das artes (desde livrarias a galerias de arte ou espaço "tipo Fnac") e os bares temáticos, acessíveis através da fachada principal na Avenida de Ramos Pinto. "Queremos ter espaços para a realização de leilões e trazer os operadores do comércio das artes, que estão dispersos, para Gaia", adiantou. O desenho, com dois pisos de estacionamento subterrâneo, contempla uma praça coberta para actividades culturais.

"Não há nenhum município do país - diria mesmo que não há um distrito do país - que tenha obtido uma concentração tão grande de investimento privado nos últimos anos como Gaia. É porque os investidores acreditam no projecto que estamos a desenvolver", sublinhou Luís Filipe Menezes, presidente da Câmara. "Sei que faltam as pontes para sermos a Rive Gauche, mas lá chegaremos", afirmou, assinalando a satisfação pelo centro abrir as portas em 2009, ano de eleições autárquicas. "É justo que, quem semeou, faça a colheita", concluiu. A obra deverá começar ainda no primeiro semestre de 2007.


Três anos de espera O processo para a criação do centro cultural nos armazéns da Real Companhia Velha tem mais de três anos. A Câmara de Gaia aprovou o lançamento do concurso público internacional em Abril de 2003 e, só em Dezembro de 2006, foi decidido entregar a concessão à Novopca - a única concorrente. O processo viveu momentos de indefinição depois do IPPAR ter dado um parecer negativo à solução arquitectónica da Novopca em Setembro de 2004. Em Junho de 2005, a Autarquia equacionou o alargamento do centro cultural a outras instalações, o que conduziria à anulação do concurso, mas, a 13 de Outubro passado, a empresa disponibilizou-se para reformular o projecto, como defende o IPPAR.



Nova linha da STCP

O presidente da Câmara de Gaia, Luís Filipe Menezes, deu conta de uma reunião, realizada com a Administração da STCP, na qual a Autarquia solicitou a criação de uma carreira que ligue o centro urbano, em Mafamude, à beira-rio, "com carácter permanente ao longo do dia e parte da noite". Foi sensibilizada, ainda, para a colocação de autocarros mais pequenos, adequados à ruas estreitas, para as linhas que cruzam o Centro Histórico.


http://jn.sapo.pt/2007/01/30/porto/hotel_lojas_e_cinemas_centro_cultura.html

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essa resposta do vice-presidente da camara ao artigo do Arquitecto é absolutamente absurda e só demonstra que ele não faz a mínima ideia do que é a arquitectura! E quando vem com a história do IPPAR, como se esta entidade fosse detentora da verdade! Aliás o que se tem visto o IPPAR a fazer é precisamente o contrário do que eles defendem. Por querem defender radicalmente o património arquitectónico histórico, deixam-no cair em ruínas ou transformam-no en "faits divers" como acontece neste projecto em que a fachada dos armazéns é encarada como um mero brinquedo que tanto pode ser parede como chão só para fazer referencia que ali existiu um edifício com história, mas nem por isso se conserva o edificio! Deixa-se a fachada, faz-se o que se quer da fachada e por de trás contrói-se uma aberração chamada "Centro Cultural de Gaia"! É a triste realidade! E assim se destrói o património histórico da cidade e pior ainda, de toda uma cultura de séculos de existência.

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Uma proposta destas é não perceber o local, a sua história e o seu potencial... é o espírito do deita abaixo, da tábua rasa... e como se "tem" de manter a fachada e a chaminé ao alto, é isso que se faz e o resto... Tudo isto numa zona de património universal... Acredito que este projecto não vá para a frente, ou melhor, tenho fé... porque nestas coisas nunca se sabe... o que posso dizer é que outros projectos estão a ser pensados para esta zona, muito mais bem pensados se me premitem dizer, e num futuro próximo podem ser potenciadores de novas soluções para este tipo de património... ...e mais não posso dizer... PS: Ricardo, aquilo eram os antigos armazéns de vinho do Porto da Real Companhia Velha e que hoje estão praticamente em ruínas... e aquelas fachadas que vês são dos armazéns, não de "casas"...

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ainda pior....porque a escala das existência é mais significativa...já para não falar na mais valia que poderia ser reinterpretar a tipologia...enfim, opções projectuais....confesso que nao li o texto por isso não sabia o que eram as pre-existências...

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Faz mais ao menos 6 anos que este edifício estava a ser alvo de um projecto de ocupação/ reconversão, assinado pelo arquitecto Adalberto Dias, não sei o porquê da autarquia ter desistido disso. Eu sei porque na altura eu trabalhava no gabinete de reabilitação do centro histórico. Este edifício tem vindo a arrastar-se penosamente no tempo à espera de uma digna condição e agora surge este ante projecto que mais parece uma anedota. Enfim...

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Põe-se sempre o problema de como rentabilizar um investimento numa zona em que os terrenos são muito (mas mesmo muito) valorizados... Poderia existir uma reinterpretação da forma do armazém, mas isso implica uma reduzida área de construção, e consequentemente o aumentos dos custos por m² da construção final... o que não é de todo atractivo para os investidores... Acredito que existam opções de compromisso que permitam realizar esse investimento e assim reabilitar o degradado centro histórico. É preciso é valorizar a realidade dos armazéns, sabendo que alguns deles apenas restam as paredes e pouco mais...

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De certeza que o projecto do Adalberto Dias seria bem mais consequente, mas talvez menos rentável para os bolsos do promotor/CMG. Em relação ao nosso património, para podermos salvar uns temos de deixar outros, infelizmente é assim, não há orçamento que consiga reabilitar todo o nosso património e voces sabem bem disso, os custos são incomportáveis. Mas isso não quer dizer que por estar em ruina que se possa fazer o que se quiser, é preciso mudar o modo de pensar e aprender a gostar do que é nosso. Quando tivermos orgulho no nosso património, e não estou só a falar das "maravilhas" porque existe todo um património rural, a arquitectura tradicional com tecnicas e saberes que são diariamente demolidos pela falta da tal cultura do que é genuino. abraços

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Senhores arquitectos, sintetizando as V/ intervenções e citações temos: 1) Tem de se "manter a fachada e a chaminé ao alto" (desde logo porque são as únicas coisas que resta do edifício...); 2) "Este edifício tem vindo a arrastar-se penosamente no tempo à espera de uma digna condição"; 3) É absolutamente imperativo "reabilitar o degradado centro histórico" de Gaia; 4) Estas ruinas foram adquiridas "em 1999 pela Câmara" e agora concessionadas a um privado "que investirá 25 M€ na criação de um hotel, 13 salas de cinema, auditórios, estabelecimentos comerciais e espaços para o ensino ligados às artes", assegurando 500 m2 e uma anuidade de 102 mil euros ao Município. Juntando-lhe alguns factos, como por exemplo: 5) O país está a passar por uma profunda crise económica; 6) As autarquias não se podem endividar; 7) As parcerias público-privadas constituem soluções com muito risco para os privados, mas muito vantajosas e sem risco para as entidades públicas (veja-se a quantidade de concorrentes a este concurso público internacional: 1). Permite-me, se me perdoam, concluir... ...que a reabilitação de todas as ruinas existentes no centro histórico, a par com a dinamização desta zona constituem a única via para impedir que os armazéns de vinho do Porto que ainda sobrevivem sigam o mesmo caminho da Real Companhia Velha... :icon_flower:

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Senhores arquitectos, sintetizando as V/ intervenções e citações temos:

1) Tem de se "manter a fachada e a chaminé ao alto" (desde logo porque são as únicas coisas que resta do edifício...);

2) "Este edifício tem vindo a arrastar-se penosamente no tempo à espera de uma digna condição";

3) É absolutamente imperativo "reabilitar o degradado centro histórico" de Gaia;

4) Estas ruinas foram adquiridas "em 1999 pela Câmara" e agora concessionadas a um privado "que investirá 25 M€ na criação de um hotel, 13 salas de cinema, auditórios, estabelecimentos comerciais e espaços para o ensino ligados às artes", assegurando 500 m2 e uma anuidade de 102 mil euros ao Município.


1) Ao que tudo indica, sim, esse era um dos requesitos para a proposta. Mas o que resta dos edifícios não é apenas isso, porque todas as outras fachadas ainda existem, já para não falar das paredes de pedra que faziam a separação interior, os arcos, a riqueza dos percursos entre "pavilhões", os desniveis das cotas de piso, inclusivamente algumas coberturas, etc, etc, etc...

2) Como decerto concordarás, há muitas formas de se resolver um projecto, tantas quantas as pessoas que percam algum tempo a pensar nele, mas o facto de hoje se encontrar degradado não pode nem deve ser razão para que seja (quase) completamente derrubado...

3) Concordo, mas não é com intervenções deste tipo que se consegue isso, porque em vez de preservarmos o património, estamos a destruí-lo...
Imagina que se cria o precedente de uma intervenção construtiva deste tipo. Daqui para a frente, todo e qualquer dono de uns armazéns devolutos nesta zona vai deixá-los ainda mais ao abandono, e quando estiverem a ameaçar ruína, toca a deitar abaixo, mantém-se as fachadas e o que está para trás pouco interessa...
Imagina agora como será Gaia vista do Porto nesse futuro...

4) Chamar a um "centro comercial", centro cultural não me parece correcto... sim, porque é isso que lhe querem chamar... por ter umas salas de cinema e uns espaços dedicados à arte... sim, porque o resto de cultural tem muito... o hotel, as lojas e a própria filosofia da intervenção...

Juntando-lhe alguns factos, como por exemplo:

5) O país está a passar por uma profunda crise económica;

6) As autarquias não se podem endividar;

7) As parcerias público-privadas constituem soluções com muito risco para os privados, mas muito vantajosas e sem risco para as entidades públicas (veja-se a quantidade de concorrentes a este concurso público internacional: 1).


Permite-me, se me perdoam, concluir...

...que a reabilitação de todas as ruinas existentes no centro histórico, a par com a dinamização desta zona constituem a única via para impedir que os armazéns de vinho do Porto que ainda sobrevivem sigam o mesmo caminho da Real Companhia Velha...

:icon_flower:


Há muitas formas de se encarar o patriónio e a rebilitação, mas esta não me parece de todo a mais acertada... arrisco mesmo a pô-la ao nível da intervenção do "Cais de Gaia"...

Mas pode ser que as coisas mudem... pode ser que sim... mas sobre isso não se pode falar por agora...

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A mim o que mais chateia é a Denominação de Centro Cultural que aqui é claramente usada abusivamente para dar suporte a uma operação de carácter eminentemente comercial. Assim, como é "cultural" e para rentabilizar toda essa "cultura" permite-se uma volumetria muito superior àquilo que seria razoável ou aceitável ! Tenho praticamente a certeza que se um promotor apresentasse tal proposta seria imediatamente chumbado ! Aliás, para criar ali um espaço cultural a volumetria existente é mais que suficiente. Bastaria reabilitar a construção, mantendo paredes, coberturas, desníveis e criando as infraestruturas e apoios mínimos (sistemas de iluminação e segurança,casas de banho, etc) e com 1 ou 2 milhões de euros tinhamos um excelente espaço para manifestações culturais... mas claro que não tinhamos um Hotel, Cinemas e Lojas...

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Centro Cultural de Gaia :

Sabemos que estava a projectar... :clap:

Sabemos quem aprovou... :)

Sabemos quem frontalmente não gostou... :clap:

Não sabemos quem projectou e " ganhou "... :nervos:

Mas afinal quem são os projectistas da famigerada obra?????

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Senhores arquitectos, sintetizando as V/ intervenções e citações temos:

1) Tem de se "manter a fachada e a chaminé ao alto" (desde logo porque são as únicas coisas que resta do edifício...);

2) "Este edifício tem vindo a arrastar-se penosamente no tempo à espera de uma digna condição";

3) É absolutamente imperativo "reabilitar o degradado centro histórico" de Gaia;

4) Estas ruinas foram adquiridas "em 1999 pela Câmara" e agora concessionadas a um privado "que investirá 25 M€ na criação de um hotel, 13 salas de cinema, auditórios, estabelecimentos comerciais e espaços para o ensino ligados às artes", assegurando 500 m2 e uma anuidade de 102 mil euros ao Município.


Juntando-lhe alguns factos, como por exemplo:

5) O país está a passar por uma profunda crise económica;

6) As autarquias não se podem endividar;

7) As parcerias público-privadas constituem soluções com muito risco para os privados, mas muito vantajosas e sem risco para as entidades públicas (veja-se a quantidade de concorrentes a este concurso público internacional: 1).


Permite-me, se me perdoam, concluir...

...que a reabilitação de todas as ruinas existentes no centro histórico, a par com a dinamização desta zona constituem a única via para impedir que os armazéns de vinho do Porto que ainda sobrevivem sigam o mesmo caminho da Real Companhia Velha...

:icon_flower:



Mas que conclusões foram tiradas? Sinceramente não entendi. Tudo o que foi dito é válido e precisamente aquilo que não pode de forma alguma ser válido é este tipo de intervençao onde se leva a pré-existência ao rídiculo!

Por alguma razão há arquitectos e concursos públicos para edifícios públicos de forma a haver uma escolha da obra mais adequada ao local. Como se viu neste projecto o concurso não existiu ou então foi meticulosamente silenciado, o que resultou numa proposta que em nada tira partido do existente e pelo contrário destrói completamente a imagem dos antigos armazéns e ridiculariza-os ao usar a fachada como caricatura de uma pré-existência levando-a ao ponto de pegar numa parede e torná-la passeio.

Isto é um assassínio completo das referências históricas e de valores culturais e sociais da cidade. Não é admissivel que uma equipa de arquitectos tenha apresentado um projecto como este e pior ainda é ridicula a atitude do vice-presidente que defende o projecto com unhas e dentes como se ele alguma vez na vida soubesse o que é arquitectura, planeamento urbano e cadastro cultural.

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A questão vai muito além disso... porque realmente existiu um concurso... mas um concurso de concepção, construção e exploração... logo à partida muito mais limitativo... a adesão foi tanta que só um candidato apareceu... imaginem qual... Os problemas começaram quando, à custa da necessidade de investimento na baixa, este projecto foi eleito como vencedor, existindo probavelmente a possibilidade de não declarar nenhum vencedor... Os problemas alongaram-se quando a política começou a intervir em questões que a ela não dizem directamente respeito... mas pelo que já vi, a política de urbanismo na baixa de VN Gaia, nomeadamente na zona património da humanidade, fica muito àquem dessas referências históricas, desses valores sociais e culturais da cidade... Basta ver o que aconteceu no Cais de Gaia, um empreendimento premiado por entidades ligadas ao turismo, mas que a nível urbanistico é um desastre completo, nomeadamente quando ao perceber a realidade local... e ao que parece isso é tão verdade, que os restaurantes já começam a fechar, porque o factor novidade já se foi... e a afluência de pessoas decaíu a olhos vistos... Mais pior do que isso é a própria forma como a câmara tem opinado sobre alguns projectos mais "sensibilizados" que se pretendem implementar nesta zona... onde as ruínas, ou seja, a história que nos chegou aos dias de hoje, que se pretendem preservar, parecem não ter a mínima importância para a entidade pública, dando primasia a outras questões... Resta-nos esperar que o IPAR, com as ferramentas que tem à disposição, intervenha e ponha um cobro à iminente destruição de um património que é de todos nós enquanto humanidade... PS: Basta olhar para uma fotografia aérea desta zona de Gaia para se perceber a riqueza da organização espacial dos armazéns... mas parece que há quem ande com os olhos tapados...

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o edificio do Hard Club já está a ir abaixo.... É um edifício magnífico e de um valor histórico indiscutível. Os outros ao lado vão pelo mesmo caminho! viva a destruíção dos valores históricos e viva os restaurantes de luxo em vidro em cima do rio!

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Sabia que estava a ser feita alguma coisa no Hard Club... apenas não o quê... muito menos que aquela maravilhosa sala de música (tantos bons momentos) estava a ser demolida... Já contava com a mudança de uso, mas a demolição é uma profunda decepção... :cry:

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