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asimplemind

Habitação Social - paradigmas do bem estar social

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Como combater os problemas de criminalidade atraves da arquitectura e do Urbanismo?


Muito simples!

Construindo umas belas de umas prisões e meter TODOS, rico ou pobre, preto ou branco, politico ou cidadão, etc etc ... que prevaricar !

Quanto ao resto de obras a arquitectura não serve para nada (neste tipo de problemas é claro) !

Ah, já me esquecia, uns tribunais novos também dava jeito, para não terem que ir para pré-fabricados sem condições!

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Muito se tem dito aqui neste tópico, incluindo muita coisa fora do contexto inicial. Na minha opinião, estão aqui a confundir-se dois conceitos que, infelizmente, as autarquias tendem igualmente a confundir. Um bairro social podia não ser aquilo que habitualmente se faz por cá, que são bairros de realojamento. Em França são famosos os HLM (habitação de arrendamento barato). Nesses bairros mora toda a gente que não tenha dinheiro para mais, mas a habitação é paga, habitualmente de qualidade relativamente baixa e os seus locatários não são em geral pessoas provenientes de bairros degradados, todos "arrumados" ali para se poderem deitar abaixo as barracas. Este é, na minha opinião, o cerne do problema que temos enfrentado em Portugal. Os bairros como a Quinta do Mocho não são bairros sociais, são bairros quase exclusivamente para realojar pessoas que já viviam em condições muito degradantes. Penso que para se realojar pessoas provenientes deste tipo de bairros, teria que se ter à volta uma estrutura social sólida que os "aculturasse" e não o vazio total onde medra a delinquência e aquela forma abandonada de viver de subsídios. Quando se diz a uma família que a renda que vão pagar é inferior a 5 euros por mês e se deixam passar anos sem reclamar o respectivo pagamento está-se a dar um sinal de total desresponsabilização dos seus habitantes. Não pagam aquilo, logo aquilo não é deles e não tem qualquer valor. Os bairros sociais deveriam ser locais com habitação a custos controlados, mas onde vivessem casais jovens, pessoas em início de carreira, gente com baixos recursos, mas não necessariamente provenientes de bairros de barracas. Se fosse assim, a existência de algumas famílias realojadas não traria qualquer problema e provavelmente estas poucas famílias acabariam por tornar-se iguais aos outros. Isto é que seria integração. Quando a quase totalidade dos habitantes de um determinado bairro são pessoas provenientes de bairros degradados, muitos sem emprego, que não pagam qualquer renda pela casa, está montado o cenário para o que temos vindo a assistir na TV. Tudo fica escavacado num instante, e as poucas famílias que poderiam contagiar os outros com valores sociais estruturados dão à sola na primeira oportunidade. Daqui para a frente basta atear o rastilho.

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O responsável do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo, Garcia Leandro, falava à agência Lusa a propósito do tiroteio que ocorreu domingo na Quinta do Mocho, em Loures, que causou um morto e cinco feridos, alegadamente devido a uma luta entre gangues. Garcia Leandro disse que a construção típica de bairros que funcionam como guetos é um factor de desintegração social e, consequentemente, que faz aumentar os conflitos sociais. Garcia Leandro defende ainda que a diminuição dos conflitos sociais não passa pelo aumento pelas formas de segurança. «Os conflitos sociais devem-se, sobretudo, ao baixo nível cultural, de educação, aos elevados níveis de desemprego, aos problemas de inclusão, à grande comunidade imigrante proveniente dos PALOP, à imigração nacional que sai dos campos para as cidades e à imigração de Leste», disse, sublinhando que «se juntarmos todos estes factores teremos uma equação explosiva». Para Garcia Leandro, a integração da população, tanto das minorias como das maiorias, não passa pela criação de bairros específicos que funcionam como guetos «onde nada se passa e onde quem lá está não está senão dedicar-se ao ócio ou ao crime». O presidente do Observatório de Segurança defende assim que a prevenção dos conflitos sociais para as gerações futuras passa pelo aumento da taxa de emprego e pelo ordenamento territorial. Defende ainda tratar-se de uma tarefa que cabe às organizações sociais, aos partidos políticos e ao governo, sob pena de se estar a «hipotecar o futuro». Fonte: Lusa/SOL

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Sendo o Bairro da Quinta da Fonte um Mau exemplo urbanistico que pode levar os seus habitantes a comportamentos marginais e por vezes criminosos nao devemos entao enquanto cidadaos e arquitectos reflectir nos bons exemplos?

Imagem colocada

E os bairros sociais dos anos 50 teriam eles problemas de marginalidade e criminalidade?

Nao existe nenhum exemplar de Bairros sociais de pequenas dimensoes? Como seria os Bairros Sociais como estes habitados pelas pessoas que vivem no Bairro da Quinta da Fonte?

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JVS: eu creio que as questões não são bem essas. Se reparares, quando abri o tópico coloquei exemplos de pequenos bairros sociais com mais de 50 anos e que ainda hoje se conservam num estado bastante aceitável e com condições sociais mais ou menos estáveis. A questão dos grandes complexos de habitação social há-de ser sempre a mesma: quanto maior a escala, maior a dimensão dos seus problemas. Porque os problemas existem sempre, o segredo é saber jogar com esses problemas de forma a dissipá-los e a educar as pessoas intuitivamente para que deixem de se fazer notar. Ora num enorme complexo habitacional onde se juntam grandes populações de grupos étnicos distintos, com estilos de vida bastante diferentes e valores quase contrários, é claro que há um choque de mentalidades, de acções que com o tempo leva à marginalidade, à violência e à criminalidade. Isto reflectir-se-á nos filhos, nos netos, etc. É uma questão de educação. Quem viveu desde sempre com essa realidade, não conhecerá outra e foi educado dessa forma, logo muito dificilmente poderá contrariar os seus instintos.

A questão da Arquitectura é tão importante quanto a questão política e sociológica. Estas três dimensões deveriam trabalhar em conjunto de forma a não produzirem este tipo de efeitos. Sublinho o "não produzirem" porque grande parte das vezes estas situações são fruto da falta de planeamento e/ou de defeitos projectuais.

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sim, ja conheco estas, mas o que e que sera habitacao social num estado comunista? supostamente esta nao existiria, porque tudo seria propriendade do estado, hummmmm e em alguns paises do norte da Europa onde a maioria da habitacao urbana e social? ou pelo menos construida e gerida pelo estado.

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R|L procura pelos bairros operários em Moscovo. Ou simplesmente analisa a planta de Moscovo. Ou mesmo os bairros operários em cidades industriais no meio da Sibéria. Ou então procura pela habitação social em Bombaim, em Joanesburgo, em São Paulo... São tudo exemplos absolutamente distintos da realidade ocidental em países com uma tradição democrata. Essas fotos são muito boas, mas nem sei quem é o autor... nem qual o propósito

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ola a todos! tive de ferias e ja n vinha aqui a algum tempo, fico contente por este topico ainda estar a dar que falar. Como disse tive de ferias e passei umas semanas de volta a Lisboa. Na curta viajem de carro do aeroporto da portela ate sintra fui reparando nos varios bairros a beira do IC-19, (constantemente em obras), confesso que fiquei um pouco triste e preocupado com o que vi. A qualidade da arquitectura e do urbanismo nestes bairros comeca a assemelhar-se as de grandes cidades ditas do terceiro mundo. Sei que nao e um problema unico de Lisboa e de Portugal, mas as nossas periferias estam num estado lastimavel. Desculpem se este reparo nao se insere totalmente neste topico, mas uma vez que muitos dos bairros sociais se inserem nas periferias das nossas cidades achei oportuno. Como resolver estes problemas de ma gestao territorial? Acho que e um pouco obvio que muita coisa tera de ser refeita, deitar abaixo e fazer de novo? mas em que moldes se vai fazer de novo? Vem-me a cabeca muitas perguntas das quais nao sei se ha resposta possivel para os resolver na practica. O estado em que as coisas chegaram e para onde caminham e apenas lastimavel. Desculpem o desabafo

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"Bela Vista vai na terceira geração de excluídos"
Arquitecto Charters Monteiro, que projectou bairro de Setúbal, critica Governo de adiar a sua recuperação
Ontem
SUSANA OTÃO
José Charters Monteiro foi o responsável pelo projecto de arquitectura do Bairro da Bela Vista, em Setúbal. A tipologia tem sido criticada, mas o arquitecto diz que o problema está na conjuntura social e não nos edifícios.

"A Bela Vista é apenas o sinal. Com a actual crise de modelo social e económico e perante a ineficiência das medidas de governação, estaremos a caminho do alastramento de processos como os da Bela Vista que se estenderão a muitas outras áreas urbanas empobrecidas e sem futuro viável". A voz crítica, mas ao mesmo tempo preocupada, de José Charters Monteiro reflecte a sua posição quanto a uma intervenção urgente no bairro sadino, acusando, no entanto, o Governo de não lhe prestar "a merecida atenção".

"O seu plano e os seus edifícios são o cenário de um processo onde a miséria da população leva às mais graves consequências", justificou.

O arquitecto realça que a população da Bela Vista representa um "caleidoscópio de culturas e nações", mas também "todo o tipo de carências", que se vieram a acentuar, desde que o bairro foi construído, na década de 70, e enunciou a raiz dos principais problemas: "A generalizada falta de instrução e de formação profissional que abrange as diferentes gerações, o desemprego crónico e o recurso ao rendimento mínimo de subsistência. Estes factores são, por si só, capazes de provocar os maiores problemas sociais e de relacionamento, qualquer que seja a proveniência e composição da população residente e qualquer que seja a área urbana em causa", destacou, para defender uma intervenção "imaterial" que deverá abranger a "educação, a formação profissional e a oferta de emprego".

Além disto, Charters Monteiro realça a necessidade de uma aposta "material", no que respeita à requalificação das componentes construídas, como os espaços públicos e colectivos e os edifícios. "Ao longo de 35 anos e apesar da persistente acção física de destruição e demolição, tem resistido, porque não é uma arquitectura de 'pladur'", salientou.

Em consequência, considera que a conjuntura social tem vindo a criar uma população "excluída". "Vamos na terceira geração de excluídos ", afirmou. Defende a intervenção urgente no bairro, mas destaca que ela "não tem merecido da parte do Governo Central a necessária atenção nem importância".

"Enquanto isto não acontecer, não aparecerá uma primeira e diferente geração de cidadãos na Bela Vista", defendeu, para concluir que a "pobreza material e imaterial é a questão central para as populações, qualquer que seja o seu bairro".

Cardeal apela ao diálogo em visita ao bairro

O presidente da Cáritas Internacional visitou, ontem, o Bairro da Bela Vista e mostrou-se agradado com o trabalho desenvolvido pela instituição. O cardeal hondurenho Óscar Rodriguez Maradiaga não comentou os acontecimentos violentos que assolaram o bairro sadino, mas lançou o apelo: "É importante o diálogo para combater as lacunas sociais", realçou, enaltecendo o "trabalho de amor" feito pela Cáritas, enquanto cumprimentava alguns moradores.

"O bairro não é problemático, algumas pessoas é que são", avançou uma moradora, presa a uma cadeira de rodas, que via passear a comitiva. "Vêm cá, mas fica tudo na mesma", repetia outra, zangada.

Entretanto, o indivíduo tido como principal instigador dos incidentes da Bela Vista foi ouvido no Tribunal de Setúbal, ontem, e ficou obrigado a apresentações semanais na esquadra. O jovem, de 19 anos, foi detido, anteontem à noite, pela PSP, depois de uma entrevista televisiva onde se intitulava o instigador da revolta. A PSP garantiu, entretanto, que ele já estava referenciado, suspeito de estar ligado a dois "carjacking" ocorridos em Setúbal.

in http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=1232480

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Há bairros sociais bem construídos e com bons exemplos
14 | 05 | 2009 10.38H

Azulejos do mestre Lima de Freitas e jardins bem cuidados dão as boas-vindas a quem visita um bairro social nos Olivais (Lisboa), um exemplo de integração que contrasta com a degradação de alguns bairros de realojamento que são notícia pelas piores razões.

Construídos no final dos anos 50 e início dos anos 60 do século passado, os bairros de Olivais Norte e da Encarnação distinguem-se pelos edifícios "em correnteza" em tijolos e por prédios com habitações em duplex, adornados com jardins que saltam à vista pela forma como estão bem cuidados.

Os espaços verdes são o orgulho dos moradores. "O meu marido é quem cuida do jardim", conta à agência Lusa Ascensão Raposo, que mora no bairro de Olivais Norte há 41 anos e não tem razões de queixa: "A vizinhança é boa".

Para António Baptista Coelho, do Núcleo de Arquitectura e Urbanismo do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), este bairro, com 2500 fogos e dez mil habitantes, conseguiu fazer "a aliança entre a qualidade arquitectónica e a satisfação residencial", tornando-se "um exemplo de urbanismo".

A habitação social não pode ser julgada só pelos maus motivos e há mesmo razões de orgulho, como a atribuição do Prémio Valmor em 1967 a um conjunto de torres naquele bairro, da autoria de Nuno Teotónio Pereira, Nuno Portas e António Pinto de Freitas.
"Há mais de 250 exemplos de boa habitação social feita em Portugal nas últimas duas décadas", salienta o arquitecto Baptista Coelho, autor do livro "20 anos a promover a construção de habitação social".

Para o arquitecto, o maior inimigo da habitação social é a concentração de pessoas e a ausência de misturas de diferentes estratos sociais. Uma situação que pode levar a actos de violência como aqueles que estão a acontecer no bairro da Bela Vista, em Setúbal, e como os que ocorreram na Quinta da Fonte, em Loures, há alguns meses.

Durante um périplo pela cidade de Lisboa, Baptista Coelho mostra outros bons exemplos de habitação social que marcaram várias décadas, como o do bairro de Alvalade, onde nas traseiras da Avenida de Roma se encontram "células" de habitação social que foram "replicadas positivamente noutras cidades".

Maria Clara foi viver para Alvalade na década de 1940. A "boa vizinhança" e o "sossego" têm marcado a vivência no bairro.

"Gosto muito de viver aqui", conta, apontando com orgulho para o jardim cuidado da praceta e para os girassóis que tem na sua janela.

A integração de “células” sociais num bairro residencial com pessoas de vários estratos sociais foi “perfeita”, diz o arquitecto, contando que Alvalade, que tem 45 mil habitantes em 230 hectares, foi construído para 33 mil moradores em fogos com renda económica.

"Mais do que um bairro fez-se cidade viva”, sublinha, defendendo que estes locais têm de ter comércio, escolas e equipamentos colectivos que levem à convivência entre vizinhos.
Já na década de 1990, mais precisamente em 1999, foram construídos 227 fogos nas avenidas de Berlim e Cidade de Luanda, paredes-meias com “habitação de luxo” no bairro de Olivais Sul.

Em “termos de pormenores nota-se que as coisas mudaram, mas era muito bom se toda a habitação social fosse a este nível”, comenta Baptista Coelho.

As fachadas dos prédios são bem cuidadas e dinamizadas e as escadas comuns têm
ventilação e alguma luz natural. Além disso, os moradores têm comércio e transportes públicos no bairro, o que contribuiu para uma “boa integração na cidade”.

Paulo Luís foi morar para o bairro há sete anos e está satisfeito: “Se não misturarem aqui mais pessoas, está óptimo”.

“Relativamente ao que ouvimos nas notícias [actos de violência na Bela Vista], nós estamos no paraíso”, comenta na praceta do bairro, onde está à conversa com os vizinhos.

Há meros três anos foi construída a “cidade cooperativa do Vale Formoso”, em Chelas, com 294 fogos. Cada quarteirão foi projectado por um arquitecto diferente.

A construção distingue-se pelas linhas simples, pelos espaços verdes e a vista sobre o rio Tejo. “Este bairro amarrou ao antigo e fez-se cidade”, diz orgulhoso Baptista Coelho.

Helena Neves da agência Lusa

in http://www.destak.pt/artigos.php?art=29498
in http://www.destak.pt/artigos.php?art=29498

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Aos interessados...Apresentação do doc. de João Dias "As Operações SAAL", no Museu de Portimão (antiga fábrica Feu), dia 18 de Junho, pelas 21h00m.

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Actualidade "Continuo a orgulhar-me da minha arquitectura ... « Actualidade « Página Inicial |

"Continuo a orgulhar-me da minha arquitectura do bairro"

É o 'pai' da Bela Vista. O arquitecto José Charters Monteiro, 65 anos, liderou em 1975 uma equipa de 30 especialistas (sociólogos, geógrafos e engenheiros) que construiu um bairro a pensar nos operários da Setenave.

Hugo Franco

22:01 Quinta-feira, 21 de Mai de 2009

Na altura, apelidaram-no de fascista, por não ter desenhado casas mais espaçosas. 34 anos depois, José Charters Monteiro olha para a sua obra com orgulho e não se revê nas críticas de autarcas e moradores à sua arquitectura.

O que sente ao ver o bairro que projectou como centro de distúrbios sociais?

O problema da Bela Vista é humano e não de caliça. O bairro é uma amostra de gente socialmente desprezada há uma dezena de anos. As casas são mais do que decentes, parte da população é que não as sabe habitar. Muitas das pessoas vieram de bairros de lata, sem preparação para viver em casas e muito menos em andares acima do solo. É de lá que despejam o lixo e muitas vezes fazem até as suas necessidades fisiológicas.

A população e autarcas de Setúbal criticam a arquitectura do bairro, argumentando que faz aumentar o sentimento de exclusão.

Não me revejo nessas críticas. O bairro tem uma arquitectura sóbria, não estigmatizante. Ele não é de certeza a causa dos crimes. É uma arquitectura civil no melhor sentido do termo: útil e até com alguma beleza. Com uma articulação entre espaços rara em Portugal. A hierarquia dos espaços verdes, do espaço colectivo, dos espaços de circulação e dos fogos é imbatível.

As pessoas põem em causa, por exemplo, as varandas sem divisórias, que impedem a privacidade. Ou a cor dos prédios (azul, amarelo e rosa), que as estigmatiza do resto da população de Setúbal.

As galerias (varandas) foram pensadas para serem espaços de convívio entre a comunidade. E não foram feitas à balda: estão viradas de modo a aquecer as pessoas no Inverno e a refrescá-las no Verão. As cores também não são um problema. Se pintássemos os prédios de branco, hoje teríamos de andar de óculos escuros para não ofuscar a vista, pois é uma zona de muito sol.

Sente orgulho na sua obra?

Sinto, nas condições em que foram feitas na altura. Entregámos as casas em tempo recorde (um ano e meio) e a custos muito baixos. O plano foi feito com uma enorme economia de meios. O país estava falido. O primeiro edifício tinha o custo de 2600 escudos (€13) o metro quadrado. Muito baixo se compararmos com o bairro do Siza Vieira na Falagueira , que custou três vezes mais.

Houve cortes de orçamento na altura?

Só na dimensão dos fogos. Não no material, que é muito bom. Aliás, em trinta anos tem resistido a todos os distúrbios e nunca foi reparado.

As casas são demasiado pequenas?

Não. As tipologias, à época, eram do melhor que havia: 65 fogos por hectare. Numa reunião com moradores, em 1975, apelidaram-me de fascista. Queriam o quê? Ter casas com lotes brutais, com quintinhas?

Tem ido ao bairro nos últimos tempos?

Sim, algumas vezes. Este ano, já lá fui.

E ouve as críticas das pessoas?

A mim não se queixam das casas nem da arquitectura. Mas qual é o resultado possível quando se amontoam três gerações no mesmo espaço? Se vivessem um mês na casa do Dias Loureiro, ela não ficaria em melhor estado.

Texto publicado na edição do Expresso de 16 de Maio de 2009


in http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/515698

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Boas a todos ! Visto que os meus avós vivem num bairro de habitação social, penso que posso dizer algo acerca disto. Este bairro divide-se numa série de blocos, cada um de 5 andares, ou seja cada um com 15 apartamentos + sotão. Foram construídos por volta da década de 50. Foi com algum espanto que vi os meus avós mudarem-se de uma casa não inserida numa zona de habitação social para este bairro onde tinham esta casa ''abandonada'' , mas a verdade é que aquela arquitectura faz com que as pessoas se comuniquem mais e no interior de uma cidade, onde o caos moderno abunda, este é um pequeno oásis onde eu posso ver isto a acontecer. Sem dúvida que algumas ideias deste método arquitectónico poderiam ser retirados para a sociedade moderna, e trariam bastantes mais valias. Cumps.

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Caro Asimplemind Retomando a questão de porque é que bairros "sociais" de há 50 anos continuam a servir hoje em dia, eu diria que são tantas as razões que só Deus sabe. Continuo a achar que a eficácia dos projectos de habitação ""social"" dependem muito mais das decisões políticas do que das decisões dos arquitectos (o orçamento, a localização, por vezes até a própria linguagem escapa ao poder decisivo do arquitecto). Portanto se a tua questão é: "o que é, diante de um projecto de Habitação ""Social"", qual é a (pequena) parte de responsabilidade do arquitecto", eu diria: o mesmo que faz com TODOS os projectos - o melhor que pode. Porque o verdadeiro arquitecto não faz distinções, faz escolhas. Dito isto, acrescento ainda a leitura de "Imaginar a Evidência" de Álvaro Siza, texto sobre o bairro da Malagueira.

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