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Souto Moura vence o prémio Pritzker 2011

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O arquitecto Eduardo Souto Moura venceu a edição 2011 do prémio Pritzker, considerado no meio como o "Nobel da arquitectura".
O prémio foi atribuído ao arquitecto natural do Porto pelo seu "rigor e precisão na arquitectura", assim como pela "sensibilidade" na inserção das obras no seu contexto, revela o site "Scalae", apesar de o site oficial do prémio Pritzker ainda não divulgar o vencedor deste ano.
O português sucede assim a nomes como Oscar Niemeyer, Frank Gehry ou Rem Koolhaas, que também já foram galardoados com este prémio.

fonte: JN

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"Durante as últimas três décadas, Eduardo Souto Moura produziu um corpo de trabalho que é do nosso tempo mas que também tem ecos da arquitectura tradicional. Os seus edifícios apresentam uma capacidade única de conciliar características opostas, como o poder e a modéstia, a coragem e a subtileza”, pode-se ler no comunicado emitido pelo júri do prémio.

Entre os projectos mencionados, o júri destacou a obra do Estádio Municipal Braga, mais conhecido como o estádio AXA, construído numa antiga pedreira.

Nascido em 1952, no Porto, Eduardo Souto Moura é o segundo arquitecto português a receber esta distinção, depois de Álvaro Siza Vieira ter vencido em 1992.

Eduardo Souto Moura sucede, assim, a nomes como Oscar Niemeyer, Frank Gehry, Jean Nouvel e Rem Koolhaas. Entre as suas obras mais conhecidas, destacam-se, além do Estádio Municipal de Braga, a Casa das Histórias em Cascais, a Casa das Artes no Porto, a Estação de Metro da Trindade, o Centro de Arte Contemporânea de Bragança, o Hotel do Bom Sucesso em Óbidos, o Mercado da Cidade de Braga, a Marginal de Matosinhos-Sul, o Crematório de Kortrijk (Bélgica), o Pavilhão de Portugal na 11ª Bienal de Arquitectura de Veneza (Itália) ou a Casa Llabia (Espanha).

Souto Moura receberá o prémio, no valor de 100 mil dólares (cerca de 70 mil euros), numa cerimónia que acontecerá em Junho em Washington D.C.

fonte: http://www.publico.pt/Cultura/souto-moura-vence-o-premio-pritzker-2011-o-nobel-da-arquitectura_1487170

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Souto Moura vence o prémio Pritzker 2011, o Nobel da arquitectura

O atelier do arquitecto Eduardo Souto de Moura confirmou ao PÚBLICO a atribuição do prémio Pritzker 2011, o maior galardão mundial na área da arquitectura.

"Durante as últimas três décadas, Eduardo Souto Moura produziu um corpo de trabalho que é do nosso tempo mas que também tem ecos da arquitectura tradicional. Os seus edifícios apresentam uma capacidade única de conciliar características opostas, como o poder e a modéstia, a coragem e a subtileza, a ousadia e simplicidade - ao mesmo tempo”, pode-se ler no comunicado emitido pelo júri do prémio.

Entre os projectos mencionados, o júri destacou a obra do Estádio Municipal Braga, mais conhecido como o estádio AXA, construído numa antiga pedreira.

"Quando recebi a chamada a dizer que eu seria laureado com o Pritzker, eu nem queria acreditar. Depois recebi a confirmação que era mesmo verdade, e então percebi a grande honra que é. O facto de ser a segunda vez que um arquitecto português é escolhido torna isto ainda mais importante”, disse Souto Moura, citado no comunicado.

Nascido em 1952, no Porto, Eduardo Souto Moura é o segundo arquitecto português a receber esta distinção, depois de Álvaro Siza Vieira ter vencido em 1992. O arquitecto sucede, assim, nomes como Oscar Niemeyer (1988), Frank Gehry (1989), Norman Foster (1999) e Zaha Hadid (2004). No ano passado a Fundação Hyatt distinguiu a dupla de japoneses Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa.

Entre as suas obras mais conhecidas, destacam-se, além do Estádio Municipal de Braga (2000/03), a Casa das Histórias em Cascais, a Casa das Artes no Porto (1981/91), a Estação de Metro da Trindade, o Centro de Arte Contemporânea de Bragança (2004/2008), o Hotel do Bom Sucesso em Óbidos, o Mercado da Cidade de Braga (1980/84), a Marginal de Matosinhos-Sul (1995), o Crematório de Kortrijk (Bélgica), o Pavilhão de Portugal na 11ª Bienal de Arquitectura de Veneza (Itália) (1985) ou a Casa Llabia (Espanha).

No mesmo comunicado, em relação ao trabalho do arquitecto, o júri sublinha a confiança que Souto Moura tem em "usar uma pedra com mais de mil anos ou a inspirar-se num detalhe moderno de Mies van der Rohe".

Ao longo da sua carreira, Souto Moura viu o seu trabalho ser reconhecido diversas vezes, tendo recebido o Prémio Pessoa (1998), o Prémio Secil de Arquitectura (1992 e 2004), o 1º Prémio da Bienal Ibero-Americana (1998), o Prémio Internacional da Pedra na Arquitectura (1995), a Medalha de Ouro Heinrich Tessenow (2001) e o Prémio Internacional de Arquitectura de Chicago (2006).

O arquitecto de 58 anos receberá o prémio, no valor de 100 mil dólares (cerca de 70 mil euros), numa cerimónia que acontecerá em Junho em Washington D.C.

Souto Moura, que se encontra neste momento em viagem, marcou uma conferência de imprensa para o Hotel Flórida, em Lisboa, às 22 horas.

Criado em 1979 pela Fundação Hyatt, com sede nos Estados Unidos, o Prémio Pritzker é considerado o Prémio Nobel da Arquitectura. O galardão distingue anualmente um arquitecto vivo pelo seu trabalho excepcional.


Notícia em actualização


in http://www.publico.pt/Cultura/souto-moura-vence-o-premio-pritzker-2011-o-nobel-da-arquitectura_1487170

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Estamos sobre uma das palas do Estádio Municipal de Braga, a 45 metros do chão. Uma funcionária do estádio abre um alçapão para descermos ao corredor técnico: é total a sensação de vertigem sem o betão da pala debaixo do pés. Mas os vestígios da pedreira original, onde o arquitecto Eduardo Souto Moura começou a escavar o estádio há quatro anos, ainda estão uns bons metros acima.

Olhamos para o granito mais negro e tentamos ver a Grécia Antiga ou as ruínas incas de Machu Pichu, no Peru, que o inspiraram. É sempre difícil chegar aos momentos fundadores, mas o resultado é considerado uma das obras-primas da arquitectura dos últimos anos.

No seu escritório junto à foz do Porto, Souto Moura conta a história desta arquitectura que teve a ambição de transformar a geografia dos arredores de Braga, numa entrevista feita a propósito do Prémio Secil de Arquitectura 2003, que hoje será entregue pelo Presidente da República, às 18h30, no Palácio de Xabregas, em Lisboa.

O prémio atribuído pela cimenteira tem o valor de 50 mil euros e é considerado a maior distinção nacional na área da arquitectura.

Quando chegou à pedreira, qual foi a primeira ideia que lhe ocorreu para fazer o estádio?
Quando subi ao cimo do monte para tirar fotografias à implantação original do estádio, vi aquela pedreira muito bonita e a paisagem com os montes ao fundo, que são os contrafortes do Gerês. O enquadramento parecia a Grécia - claro que mais estragado!
Equacionei e disse: "Se isto fosse por aqui abaixo, fazia-se um anfiteatro como os gregos."
Como não percebia nada de futebol e de estádios, achei que aquela pedreira dava os assentos para as pessoas.

Mas pensou mesmo em desenhar os assentos na pedra, escavá-los, como na Antiguidade Clássica?
Essa era a minha ideia. Cheguei a perguntar à Federação Internacional de Futebol (FIFA) e à União Europeia de Futebol (UEFA) se podia fazer bancos em pedra ou em betão. Eles disseram que podia, mas que a responsabilidade era minha se um dia alguém levantasse o assento e o atirasse a outra pessoa.

Quando é que desistiu? Logo?
Não. Desisti quando chegou o programa. Tinha a ideia ingénua de que um estádio é um rectângulo verde com pessoas sentadas a ver um jogo. Um estádio para um campeonato europeu tem que ter sala para 1200 jornalistas, restaurantes, sala VIP, bancada VIP, dezenas de quartos de banho e bares.
Percebi que o programa era muito complexo, uma máquina que tinha que funcionar, cheia de infra-estruturas. A partir daí a bancada veio à frente. Nesse intervalo, consegui meter os equipamentos todos. Mas foi o programa que me levou a dizer que não era viável.

Diz que o estádio explora a relação com o sítio, mas houve literalmente uma montanha de pedra que foi desfeita. O que quer do sítio: refazê-lo, torná-lo melhor?
Já estou como o Herberto Helder - a natureza nasceu para ser manipulada. Tudo depende do bom-senso. Vivemos numa época em que a natureza quase não existe. Noutro dia, fui à Andaluzia e fez-me impressão porque não há um metro quadrado natural -, a relva são culturas intensivas, o Guadalquivir foi transferido, etc. A natureza hoje vive numa manipulação.

É preciso refazer o sítio?
É. Muda a função, tem outra forma e a arquitectura intervém... O que deve acontecer é perceber-se o yang da natureza para depois o betão funcionar com o ying e fazerem um jogo complementar. Um não dominar o outro.

A arquitectura quer relacionar-se com o sítio, mas ficaram mais de um ano a tirar toneladas de pedra. Isso é um paradoxo?
Não. Pensei bastante nisso. Fui muito acusado. Chegou a ir à Assembleia da República, porque os Verdes levantaram a questão - "Cortaram a montanha, é uma ferida na paisagem!"
Toda aquela montanha de pedra foi demolida e serviu para fazer aquela montanha de betão. O betão, no fundo, é uma pedra artificial.

Uma das suas imagens de marca é o trabalho com a pedra. Tirou de lá toneladas de granito e depois construiu um estádio em betão. Parece uma coisa edipiana com a pedra.
Talvez. Não sei. Correu bem, mas foi muito complicado. Tinha que fazer o projecto em positivo e desenhar o negativo que era a escavação: dar informações para o terreno, porque a escavação foi feita com ângulos, que iam receber os tais andares para a TV, para os VIP, etc.. Passei um ano nisto. É mesmo meter as mãos no sítio.
Depois, houve um acidente: apareceu no meio só terra e a bancada teve que passar a ser muito menos vertical. A pedra depois foi segura com cabos. Porque é que usou a própria pedra para fazer o betão? Foi uma coisa mental?
Não foi intencional. Estava ali e era mais barato. Escavou-se a pedra e fez-se uma montanha de pedra moída.

Porque é que chama ao betão pedra artificial?
Porque é. No fundo, é arranjar um ligante de pedras.

Diz que o estádio é uma obra de continuidade e não um momento de ruptura. Porquê?
A diferença foi a escala. Nunca tinha trabalhado numa escala tão grande. E a possibilidade de intervir num território e transformar uma geografia. Deixemo-nos de histórias e falsas modéstias - é a ambição de todos os arquitectos. É quase "land art".

E no seu pensamento, essa mudança de escala criou alguma ruptura, agora que passou um ano?
Não, uma ruptura não.

Uma aprendizagem, uma passagem para qualquer coisa?
Senti, porque nunca tinha trabalhado nessa escala, as vantagens da coerência, de desenhar tudo, da pequena à grande escala. Mas senti também o risco do "overdesign". Quis ser o mais anónimo possível, evitar que se sentisse a mão do senhor que está a fazer aquilo, estar-se sempre a pensar nele porque ele está sempre a chamar a atenção.
O máximo da ambição é olharmos para os sítios depois de existir a arquitectura, acharmos que aquilo esteve sempre ali e que se o tirássemos o sítio ficava pior.

Em contradição com isso, quais são os grandes gestos que fez para desenhar o estádio?
A própria ideia do sítio do estádio é que foi o gesto.

E a cobertura?
Não é um grande gesto, partiu da do Siza na Expo. Depois abandonei-a, porque o relvado precisava de luz. Foi uma das questões para que a FIFA me chamou a atenção.

Por isso, primeiro a pala do Siza, depois com as contingências do projecto e a influência das viagens, temos as pontes incas, do Peru.
Como não conseguia a continuidade física da cobertura, quis que se percebesse que é contínuo através dos cabos. Muitas pontes incas, encostadinhas, dá um pouco a imagem.

Qual foi a última viagem que fez para ver arquitectura?
A viagem que me marcou mais, que marcou muito o estádio, foi o Peru, a ida ao Machu Pichu.

Porque é que depois faz a deslocação para a Antiguidade Clássica?
Fiz dois estádios, duas maquetas. Primeiro, foi esse do Machu Pichu. O Machu Pichu é a relação do artificial e do natural. Não há nada que seja natural e nada que seja artificial.
No estádio, na bancada poente, foi o trabalho que há quando o betão entra para dentro da pedra. Toda a ideia das escadas ao lado da luz e da água quando chove. Durante a construção, ao ver a luz e a chuva na pedra, consegui alterar a lage da praça cá em cima e abri tudo.
Depois, quando a FIFA, a UEFA e a câmara me disseram que podia fazer o estádio, achei que tinha que perceber a arquitectura grega. Disse: "Eu tenho que ver o Epidaurus." Convenci o grupo de amigos com quem faço viagens a ir à Grécia - o Távora também.
Tirei coisas do Epidaurus. O enquadramento, mas não só. Não sabia, porque os livros não mostram, é que os teatros gregos estão abertos para a paisagem, mas não estão escancarados, é muito subtil e bonito. Têm sempre um bosque à volta, a ideia de limite existe sempre. Dá conforto e segurança, porque são abertos mas fechados.
A outra ideia foi a drenagem dos degraus. Eles inclinam as filas para trás, fazem um canal com uma ligeira pendente e quando a água chega às escadas é desviada. E a sala enorme com as colunas, cá em baixo?
Foi uma questão de segurança.

Só? Aquele espaço todo?
Se uma pessoa se engana na bancada não pode ir dar a volta à cidade.

Mas podia ter feito um túnel.
É necessário para as pessoas saírem em caso de emergência. Tem o tamanho do campo de futebol, um pouco mais, mas essa dimensão não se consegue imaginar.
O estádio foi sempre uma surpresa. Não tenho vergonha nenhuma de dizer que andei aflito sempre a fazer o estádio.

Foi uma surpresa a dimensão da sala hipostila?
As proporções foram sempre uma surpresa. Por isso, é que teve muitas maquetas. De memória, pensa-se numa sala com trinta metros [quadrados], alguns clientes falam em 60, mas esta é uma sala com 9071 metros quadrados.

Gosta muito desse espaço?
É o que talvez mais goste. Dizia, na brincadeira, que gostava de casar ali as minhas filhas, se elas quiserem casar.

Na fachada, há umas escadas que parece não acabarem. É um erro assumido ou desenhou assim?
Cheguei ao canto do estádio e não sabia acabá-lo. Como não conseguia desenhar a fachada, fiz um corte. É como um bolo, tirei uma fatia e fiquei com as escadas. Funciona um bocado como um elemento escultórico.

Disse que tinha tido imenso medo com estádio. Agora tem menos medo do erro?
Na arquitectura, cada vez tenho mais dúvidas e sinto mais insegurança. Cada vez faço mais maquetas. Há outras coisas que nunca fiz e que estou a tentar fazer.

O que é que nunca fez?
Portas e janelas, fugi sempre. A coisa mais difícil que há em arquitectura é abrir um buraco numa parede.

Por isso, a imagem tradicional da arquitectura.
É, não há nada mais difícil. Anda tudo a fugir a isso, fazem tudo em vidro, texturas, brise-soleil e tal. Só conheço meia dúzia de arquitectos que fazem portas e janelas bem. Pode-se copiar...
O problema é que nos falta a terceira proporção, porque os antigos tinham a profundidade. A janela não era uma linha. Quando faço janelas parece que o muro está a abanar. Faço sempre duas casas: portas e janelas e vidros. Houve uma para um escritor, na serra da Arrábida, que disse que não queria tudo em vidro e que queria uma relação com a paisagem sempre diferente. Aí, tive mesmo que fazer e gostei. É um exercício de máquina fotográfica.

"O Futuro da Arquitectura não é a Casa da Música"

Souto Moura fez parte do júri que escolheu Rem Koolhaas como arquitecto da Casa da Música, no Porto. Acha bonito o edifício feito pelo holandês, mas pensa que a sua gramática, a da desconstrução, é um luxo das sociedades pós-industriais. O que espera da abertura da Casa da Música?
É um edifício que gosto.

Muito?
Muito, muito não. Acho bonito, mas o futuro da arquitectura não é aquele.

Porquê?
É uma obra de excepção. Era do júri e tenho defendido a Casa da Música. Gosto do edifício, fica bem ali. Por dentro, acho muito interessante.
Mas é um pós-modernismo: nós ainda não resolvemos os problemas que ele critica. Koolhaas constrói o não-espaço, faz uma massa e depois tira coisas. Constrói pela negativa. No fundo, é uma desconstrução.

Não fez a mesma coisa em Braga? Não tirou?
Mas depois pus.

Ele também pôs.
Não. Acho que ele faz os vazios. As salas são bocados de matéria que saem. É uma certa maneira de ver a arquitectura: desconstruir, tem a ver com Derrida, essas coisas todas. Acho que Portugal durante muitos anos vai precisar de construir - precisamos da gramática da construção e não da desconstrução. A desconstrução é um luxo das sociedades pós-industriais.

Tem medo de pequeninas Casas da Música e arquitectos confusos? É isso?
É, pode acontecer, fica a galinha e os pintainhos. E também defendo que a arquitectura deve ser mais anónima.

"Não sei o preço do estádio"

Diz que as contas não estão fechadas e que não sabe se as infra-estruturas que beneficiaram Braga estão incluídas.
Em relação ao preço do estádio, há vários números.
O mais caro por lugar.

Exacto. Foram 100 milhões de euros?
Nunca me disseram.

Não sabe?
Não sei. Não estão fechadas as contas. Li que custou 20 milhões de contos, 16, 14. Não vi as contas. Claro que é uma obra cara. Só para tirar a pedra já estão milhões ali metidos.

Sentiu-se mal quando viu "o mais caro, etc."?
Não. Não é agradável. Tenho sempre uma esperança de ver as contas... Uma coisa é o estádio, outra são as infra-estruturas de um parque desportivo. Mudei o rio, quem pagou foi o estádio, mas ao mudar vai servir o desvio de esgotos de Braga e a piscina. Não sei se essas infra-estruturas estão metidas.

E a falta de concurso público?
Ser entrega directa a mim?

Sim.
Fiquei contente.

Vamos ter eleições, provavelmente vamos mudar de partido no governo. Os governos têm influenciado a arquitectura?Entrevista publicada a 27 de Janeiro de 2005
Transformar uma geografia é a ambição de todos os arquitectos
28.03.2011 - 18:31 Por Isabel Salema

O arquitecto Eduardo Souto Moura vai receber hoje do Presidente da República o Prémio Secil, atribuído ao Estádio Municipal de Braga. É a segunda vez que o recebe, um feito só repetido por Álvaro Siza Vieira: "É a confirmação, podiam ter-se enganado."

Estamos sobre uma das palas do Estádio Municipal de Braga, a 45 metros do chão. Uma funcionária do estádio abre um alçapão para descermos ao corredor técnico: é total a sensação de vertigem sem o betão da pala debaixo do pés. Mas os vestígios da pedreira original, onde o arquitecto Eduardo Souto Moura começou a escavar o estádio há quatro anos, ainda estão uns bons metros acima.

Olhamos para o granito mais negro e tentamos ver a Grécia Antiga ou as ruínas incas de Machu Pichu, no Peru, que o inspiraram. É sempre difícil chegar aos momentos fundadores, mas o resultado é considerado uma das obras-primas da arquitectura dos últimos anos.

No seu escritório junto à foz do Porto, Souto Moura conta a história desta arquitectura que teve a ambição de transformar a geografia dos arredores de Braga, numa entrevista feita a propósito do Prémio Secil de Arquitectura 2003, que hoje será entregue pelo Presidente da República, às 18h30, no Palácio de Xabregas, em Lisboa.

O prémio atribuído pela cimenteira tem o valor de 50 mil euros e é considerado a maior distinção nacional na área da arquitectura.

Quando chegou à pedreira, qual foi a primeira ideia que lhe ocorreu para fazer o estádio?
Quando subi ao cimo do monte para tirar fotografias à implantação original do estádio, vi aquela pedreira muito bonita e a paisagem com os montes ao fundo, que são os contrafortes do Gerês. O enquadramento parecia a Grécia - claro que mais estragado!
Equacionei e disse: "Se isto fosse por aqui abaixo, fazia-se um anfiteatro como os gregos."
Como não percebia nada de futebol e de estádios, achei que aquela pedreira dava os assentos para as pessoas.

Mas pensou mesmo em desenhar os assentos na pedra, escavá-los, como na Antiguidade Clássica?
Essa era a minha ideia. Cheguei a perguntar à Federação Internacional de Futebol (FIFA) e à União Europeia de Futebol (UEFA) se podia fazer bancos em pedra ou em betão. Eles disseram que podia, mas que a responsabilidade era minha se um dia alguém levantasse o assento e o atirasse a outra pessoa.

Quando é que desistiu? Logo?
Não. Desisti quando chegou o programa. Tinha a ideia ingénua de que um estádio é um rectângulo verde com pessoas sentadas a ver um jogo. Um estádio para um campeonato europeu tem que ter sala para 1200 jornalistas, restaurantes, sala VIP, bancada VIP, dezenas de quartos de banho e bares.
Percebi que o programa era muito complexo, uma máquina que tinha que funcionar, cheia de infra-estruturas. A partir daí a bancada veio à frente. Nesse intervalo, consegui meter os equipamentos todos. Mas foi o programa que me levou a dizer que não era viável.

Diz que o estádio explora a relação com o sítio, mas houve literalmente uma montanha de pedra que foi desfeita. O que quer do sítio: refazê-lo, torná-lo melhor?
Já estou como o Herberto Helder - a natureza nasceu para ser manipulada. Tudo depende do bom-senso. Vivemos numa época em que a natureza quase não existe. Noutro dia, fui à Andaluzia e fez-me impressão porque não há um metro quadrado natural -, a relva são culturas intensivas, o Guadalquivir foi transferido, etc. A natureza hoje vive numa manipulação.

É preciso refazer o sítio?
É. Muda a função, tem outra forma e a arquitectura intervém... O que deve acontecer é perceber-se o yang da natureza para depois o betão funcionar com o ying e fazerem um jogo complementar. Um não dominar o outro.

A arquitectura quer relacionar-se com o sítio, mas ficaram mais de um ano a tirar toneladas de pedra. Isso é um paradoxo?
Não. Pensei bastante nisso. Fui muito acusado. Chegou a ir à Assembleia da República, porque os Verdes levantaram a questão - "Cortaram a montanha, é uma ferida na paisagem!"
Toda aquela montanha de pedra foi demolida e serviu para fazer aquela montanha de betão. O betão, no fundo, é uma pedra artificial.

Uma das suas imagens de marca é o trabalho com a pedra. Tirou de lá toneladas de granito e depois construiu um estádio em betão. Parece uma coisa edipiana com a pedra.
Talvez. Não sei. Correu bem, mas foi muito complicado. Tinha que fazer o projecto em positivo e desenhar o negativo que era a escavação: dar informações para o terreno, porque a escavação foi feita com ângulos, que iam receber os tais andares para a TV, para os VIP, etc.. Passei um ano nisto. É mesmo meter as mãos no sítio.
Depois, houve um acidente: apareceu no meio só terra e a bancada teve que passar a ser muito menos vertical. A pedra depois foi segura com cabos. Porque é que usou a própria pedra para fazer o betão? Foi uma coisa mental?
Não foi intencional. Estava ali e era mais barato. Escavou-se a pedra e fez-se uma montanha de pedra moída.

Porque é que chama ao betão pedra artificial?
Porque é. No fundo, é arranjar um ligante de pedras.

Diz que o estádio é uma obra de continuidade e não um momento de ruptura. Porquê?
A diferença foi a escala. Nunca tinha trabalhado numa escala tão grande. E a possibilidade de intervir num território e transformar uma geografia. Deixemo-nos de histórias e falsas modéstias - é a ambição de todos os arquitectos. É quase "land art".

E no seu pensamento, essa mudança de escala criou alguma ruptura, agora que passou um ano?
Não, uma ruptura não.

Uma aprendizagem, uma passagem para qualquer coisa?
Senti, porque nunca tinha trabalhado nessa escala, as vantagens da coerência, de desenhar tudo, da pequena à grande escala. Mas senti também o risco do "overdesign". Quis ser o mais anónimo possível, evitar que se sentisse a mão do senhor que está a fazer aquilo, estar-se sempre a pensar nele porque ele está sempre a chamar a atenção.
O máximo da ambição é olharmos para os sítios depois de existir a arquitectura, acharmos que aquilo esteve sempre ali e que se o tirássemos o sítio ficava pior.

Em contradição com isso, quais são os grandes gestos que fez para desenhar o estádio?
A própria ideia do sítio do estádio é que foi o gesto.

E a cobertura?
Não é um grande gesto, partiu da do Siza na Expo. Depois abandonei-a, porque o relvado precisava de luz. Foi uma das questões para que a FIFA me chamou a atenção.

Por isso, primeiro a pala do Siza, depois com as contingências do projecto e a influência das viagens, temos as pontes incas, do Peru.
Como não conseguia a continuidade física da cobertura, quis que se percebesse que é contínuo através dos cabos. Muitas pontes incas, encostadinhas, dá um pouco a imagem.

Qual foi a última viagem que fez para ver arquitectura?
A viagem que me marcou mais, que marcou muito o estádio, foi o Peru, a ida ao Machu Pichu.

Porque é que depois faz a deslocação para a Antiguidade Clássica?
Fiz dois estádios, duas maquetas. Primeiro, foi esse do Machu Pichu. O Machu Pichu é a relação do artificial e do natural. Não há nada que seja natural e nada que seja artificial.
No estádio, na bancada poente, foi o trabalho que há quando o betão entra para dentro da pedra. Toda a ideia das escadas ao lado da luz e da água quando chove. Durante a construção, ao ver a luz e a chuva na pedra, consegui alterar a lage da praça cá em cima e abri tudo.
Depois, quando a FIFA, a UEFA e a câmara me disseram que podia fazer o estádio, achei que tinha que perceber a arquitectura grega. Disse: "Eu tenho que ver o Epidaurus." Convenci o grupo de amigos com quem faço viagens a ir à Grécia - o Távora também.
Tirei coisas do Epidaurus. O enquadramento, mas não só. Não sabia, porque os livros não mostram, é que os teatros gregos estão abertos para a paisagem, mas não estão escancarados, é muito subtil e bonito. Têm sempre um bosque à volta, a ideia de limite existe sempre. Dá conforto e segurança, porque são abertos mas fechados.
A outra ideia foi a drenagem dos degraus. Eles inclinam as filas para trás, fazem um canal com uma ligeira pendente e quando a água chega às escadas é desviada. E a sala enorme com as colunas, cá em baixo?
Foi uma questão de segurança.

Só? Aquele espaço todo?
Se uma pessoa se engana na bancada não pode ir dar a volta à cidade.

Mas podia ter feito um túnel.
É necessário para as pessoas saírem em caso de emergência. Tem o tamanho do campo de futebol, um pouco mais, mas essa dimensão não se consegue imaginar.
O estádio foi sempre uma surpresa. Não tenho vergonha nenhuma de dizer que andei aflito sempre a fazer o estádio.

Foi uma surpresa a dimensão da sala hipostila?
As proporções foram sempre uma surpresa. Por isso, é que teve muitas maquetas. De memória, pensa-se numa sala com trinta metros [quadrados], alguns clientes falam em 60, mas esta é uma sala com 9071 metros quadrados.

Gosta muito desse espaço?
É o que talvez mais goste. Dizia, na brincadeira, que gostava de casar ali as minhas filhas, se elas quiserem casar.

Na fachada, há umas escadas que parece não acabarem. É um erro assumido ou desenhou assim?
Cheguei ao canto do estádio e não sabia acabá-lo. Como não conseguia desenhar a fachada, fiz um corte. É como um bolo, tirei uma fatia e fiquei com as escadas. Funciona um bocado como um elemento escultórico.

Disse que tinha tido imenso medo com estádio. Agora tem menos medo do erro?
Na arquitectura, cada vez tenho mais dúvidas e sinto mais insegurança. Cada vez faço mais maquetas. Há outras coisas que nunca fiz e que estou a tentar fazer.

O que é que nunca fez?
Portas e janelas, fugi sempre. A coisa mais difícil que há em arquitectura é abrir um buraco numa parede.

Por isso, a imagem tradicional da arquitectura.
É, não há nada mais difícil. Anda tudo a fugir a isso, fazem tudo em vidro, texturas, brise-soleil e tal. Só conheço meia dúzia de arquitectos que fazem portas e janelas bem. Pode-se copiar...
O problema é que nos falta a terceira proporção, porque os antigos tinham a profundidade. A janela não era uma linha. Quando faço janelas parece que o muro está a abanar. Faço sempre duas casas: portas e janelas e vidros. Houve uma para um escritor, na serra da Arrábida, que disse que não queria tudo em vidro e que queria uma relação com a paisagem sempre diferente. Aí, tive mesmo que fazer e gostei. É um exercício de máquina fotográfica.

"O Futuro da Arquitectura não é a Casa da Música"

Souto Moura fez parte do júri que escolheu Rem Koolhaas como arquitecto da Casa da Música, no Porto. Acha bonito o edifício feito pelo holandês, mas pensa que a sua gramática, a da desconstrução, é um luxo das sociedades pós-industriais. O que espera da abertura da Casa da Música?
É um edifício que gosto.

Muito?
Muito, muito não. Acho bonito, mas o futuro da arquitectura não é aquele.

Porquê?
É uma obra de excepção. Era do júri e tenho defendido a Casa da Música. Gosto do edifício, fica bem ali. Por dentro, acho muito interessante.
Mas é um pós-modernismo: nós ainda não resolvemos os problemas que ele critica. Koolhaas constrói o não-espaço, faz uma massa e depois tira coisas. Constrói pela negativa. No fundo, é uma desconstrução.

Não fez a mesma coisa em Braga? Não tirou?
Mas depois pus.

Ele também pôs.
Não. Acho que ele faz os vazios. As salas são bocados de matéria que saem. É uma certa maneira de ver a arquitectura: desconstruir, tem a ver com Derrida, essas coisas todas. Acho que Portugal durante muitos anos vai precisar de construir - precisamos da gramática da construção e não da desconstrução. A desconstrução é um luxo das sociedades pós-industriais.

Tem medo de pequeninas Casas da Música e arquitectos confusos? É isso?
É, pode acontecer, fica a galinha e os pintainhos. E também defendo que a arquitectura deve ser mais anónima.

"Não sei o preço do estádio"

Diz que as contas não estão fechadas e que não sabe se as infra-estruturas que beneficiaram Braga estão incluídas.
Em relação ao preço do estádio, há vários números.
O mais caro por lugar.

Exacto. Foram 100 milhões de euros?
Nunca me disseram.

Não sabe?
Não sei. Não estão fechadas as contas. Li que custou 20 milhões de contos, 16, 14. Não vi as contas. Claro que é uma obra cara. Só para tirar a pedra já estão milhões ali metidos.

Sentiu-se mal quando viu "o mais caro, etc."?
Não. Não é agradável. Tenho sempre uma esperança de ver as contas... Uma coisa é o estádio, outra são as infra-estruturas de um parque desportivo. Mudei o rio, quem pagou foi o estádio, mas ao mudar vai servir o desvio de esgotos de Braga e a piscina. Não sei se essas infra-estruturas estão metidas.

E a falta de concurso público?
Ser entrega directa a mim?

Sim.
Fiquei contente.

Vamos ter eleições, provavelmente vamos mudar de partido no governo. Os governos têm influenciado a arquitectura?
Muito pouco. Da famosa lei 73-73 os governos não querem saber. Os resultados são os mesmos, são muito subtis as diferenças.


IN http://www.publico.pt/Cultura/transformar-uma-geografia-e-a-ambicao-de-todos-os-arquitectos_1487183?all=1

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Entrevista
“A arquitectura é uma arte social”
Ana Baptista
30/03/11 11:23

Eduardo Souto de Moura ganhou o Pritzker, o “Nobel” mundial da arquitectura, e já é o segundo português distinguido.

O arquitecto Eduardo Souto de Moura é da “escola do Porto”, tal como Siza Vieira e talvez seja por isso que ambos têm atelier no mesmo prédio. O Estádio de Braga trouxe a Souto de Moura ainda maior reconhecimento e agora viu a sua obra de vida ser distinguida com o “Nobel” da arquitectura, o prémio máximo da área. Em conversa com o Diário Económico, o arquitecto confessa que é um galardão inesperado.

Como reagiu quando soube que tinha ganho o Prémio Pritzker?
A primeira reacção foi não acreditar. Há 15 dias ligaram-me e não acreditei, pensei que fosse brincadeira, mas depois recebi umas cartas oficiais e pensei que a brincadeira já não podia ir tão longe. Então aí fiquei contente. Por mim, pelo País, pela arquitectura portuguesa e pela minha equipa. A arquitectura é uma disciplina colectiva.

Esperava receber este prémio?
Nunca esperei. Confesso que tive uma leve suspeita de que iria receber o Prémio Europeu de Arquitectura com o Estádio de Braga e parece que foi por pouco que não o recebi, mas com este não contava.

Vai mudar alguma coisa?
Vai, claro. As pessoas vão ver as obras de outra forma e obriga a ter uma maior responsabilidade. Já a tinha, mas vai ter de ser ainda maior. E terei de ter mais cuidado com o que digo. Faz parte de ser uma figura pública.

Isso é difícil para uma pessoa reservada?
É uma questão de feitio ser reservado.

E vai mudar alguma coisa na forma como faz arquitectura? Mais pressão?
Vai haver mais pressão, não na forma como faço arquitectura, mas sim na divulgação. E a crítica vai ser mais contudente, principalmente em Portugal.

Vai fazer mais coisas lá fora agora?
Já tenho bastantes coisas lá fora e isto não pode ficar atordoado.
Mas tem feito mais obras em Portugal...
Prefiro trabalhar cá, mas agora há menos trabalho e por isso já comecei a ter mais trabalho lá fora. No Porto não se passa nada. Sou portuense e é triste o que se passa. Não há investimento público nem privado, não há emprego, não há iniciativa e parece que agora em Lisboa ou há mais dinheiro ou arrisca-se mais. Mas é no Porto que gosto de viver.

Há alguma obra sua que goste mais?
O Estádio de Braga é a obra mais bem conseguida. É bastante completa porque tem uma parte de obra de escala e outra parte de pormenor. Outra é o Metro do Porto que está bem conservada e limpa e isso quer dizer que já foi aceite pelo público.

Tem obras que estejam mal conservadas?
Sim. A casa do Manuel de Oliveira está fechada, porque houve um desentendimento entre ele e a autarquia. E a Casa das Artes do Porto também. Tenho um projecto para reconverter aquilo em cinemateca, mas não tem havido dinheiro.

Lida bem com estas questões políticas e financeiras da arquitectura?
Faz partem da arquitecura ter um suporte físico. É uma arte social.

Haver limitações a uma obra pode ser bom?
Creio que as facilidades podem levar a um certo desleixo.

Como descreveria a sua arquitectura?
Sou um arquitecto dos ângulos rectos que gosto de coisas tortas, mas são excepções. Só não faço recto quando o terreno não o permite. O objectivo da arquitectura é transformar para ficar melhor.

Perfil

Souto de Moura
Nasceu no Porto, tem 58 anos e uma carreira com mais de 30, na qual se inclui uma lista de 60 obras concluídas. Estudou na Faculdade de Belas Artes do Porto, trabalhou com Siza Vieira e sempre foi famoso como o arquitecto que desenhava casas. Entretanto provou ser capaz de fazer obras de grande escala como o Estádio de Braga, um dos seus projectos favoritos. Além do Pritzker, já venceu, entre outros, um prémio Secil.

O que é o pritzker?

O "Nobel" da arquitectura
A família Hyatt - proprietária dos hotéis com o mesmo nome - decidiu, no final dos anos 1970, criar um galardão que premiasse a genialidade das obras dos arquitectos ainda em vida. Não só porque a empresa estava muito ligada aos edifícios e apreciava a disciplina, mas também porque o prémio Nobel não inclui a arquitectura. Hoje, 32 anos depois de atribuído o primeiro prémio, o Pritzker é considerado o prémio máximo da arquitectura mundial. Na lista de premiados contam-se nomes como o norte-americano Frank Ghery, o francês Jean Nouvel, o brasileiro Oscar Niemeyer, o holandês Rem Koolhas, curiosamente, todos eles com ligação a Portugal. Frank Ghery fez um projecto para o Parque Mayer, Jean Nouvel tinha um projecto para a zona da Boavista, em Lisboa, e Rem Koolhas desenhou a Casa da Música, no Porto. Da lista dos premiados faz ainda parte Álvaro Siza Vieira, o primeiro arquitecto português a receber esta distinção. Com a menção a Souto de Moura, Portugal conta já com dois prémios Pritzkers. E se a primeira, em 1992, foi anunciada sem percalços, o mesmo não se pode dizer da de Souto de Moura. O vencedor foi divulgado por um 'site' de arquitectura espanhol e a organização teve de fazer uma divulgação apressada. O arquitecto já sabia, mas aguardava o anúncio oficial. Para o júri do prémio, que inclui nomes como Renzo Piano ou Glenn Murcutt (ambos vencedores do Pritzker), "os edifícios de Souto de Moura agregam complexas referências às características da região, paisagem, local e história da arquitectura". Mais: dizem que Souto de Moura "é capaz de desenhar do doméstico à escala urbana" e que a sua arquitectura "não é óbvia, frívola ou pitoresca. Está imbuída de inteligência e seriedade. O seu trabalho requer um encontro intenso não um olhar fugidio". Palavras que deram a Souto de Moura um prémio de 100 mil dólares (cerca de 71 mil euros), uma medalha de bronze e o reconhecimento eterno.


IN http://economico.sapo.pt/noticias/a-arquitectura-e-uma-arte-social_114732.html

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ARQUITECTURA
Carrilho da Graça: Pritzker para Souto Moura é "consagração internacional merecida"
por Lusa28 Março 2011

O arquitecto João Carrilho da Graça considerou hoje que a atribuição do Pritzker 2011 a Eduardo Souto Moura representa "uma consagração internacional muito merecida".
Souto Moura ganhou o Prémio Pritzker de Arquitectura 2011 pelo seu "rigor e precisão", anunciou hoje a Fundação Hyatt, promotora do galardão criado em 1979 com o objetivo distinguir um arquitecto vivo.
Considerado o Nobel da arquitetura, o galardão é atribuído pela segunda vez a um português, depois de Álvaro Siza Vieira ter vencido a edição de 1992.
Para Carrilho da Graça, Souto Moura "merece extremamente o prémio porque tem uma obra que fez mudar a atenção dos arquitectos para novas propostas de trabalho", sublinhou, em declarações à agência Lusa.
Souto Moura "tem uma obra muito consolidada", observou, considerando "fantástico e uma situação muito excepcional" que a Fundação Hyatt atribua pela segunda vez o galardão a um arquitecto português.
"Eles são contemporâneos, têm uma história de relação de trabalho, mas com autonomia. Álvaro Siza já ganhou todos os prémios internacionais que há para ganhar e é talvez o português que maior consagração atingiu até hoje", apontou.
Porém, Carrilho da Graça sublinhou que, "para quem tivesse dúvidas sobre o enorme valor de Souto Moura, elas ficaram desfeitas com esta atribuição".
No ano passado a Fundação Hyatt distinguiu a dupla de japoneses Kazuyo Sejima e Ryue Nishizawa.
Eduardo Souto Moura, de 58 anos, nasceu no Porto e iniciou a sua carreira colaborando com o arquiteto Álvaro Siza Vieira, entre 1974 e 1979.
Em 1980, o arquitecto termina a licenciatura, pela Escola Superior de Belas Artes do Porto, inicia a sua atividade como profissional liberal e recebe o seu primeiro prémio, da Fundação António de Almeida.
O mercado municipal de Braga, a ponte Dell'Accademia, em Veneza, Itália, a reconversão do Convento de santa Maria do Bouro numa pousada, em Amares, e o Estádio Municipal de Braga são alguns dos seus principais projectos.


IN http://www.dn.pt/inicio/artes/interior.aspx?content_id=1817300&seccao=Arquitectura&page=-1

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