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Ilha de Flores | Petição contra pintura de fachada de convento

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O Deputado do CDS-PP Açores Paulo Rosa lamentou, esta terça-feira, que o Director Regional da Cultura tenha "mentido" sobre a solução de mandar pintar de amarelo-ocre as fachadas de cantarias do Convento de São Boaventura em Santa Cruz das Flores, uma vez que alega que a população foi informada e que aquela é a única solução viável para evitar a rápida erosão das pedras.

Numa conferência de imprensa, o Deputado eleito pela ilha das Flores afirmou que o responsável governativo pela pasta da Cultura na Região "faltou à verdade", porque "falou de uma reunião para a qual a população terá sido convidada, por meio de um anúncio de um jornal que é mensal, mas não deu pública nota, pela mesma via da solução encontrada na referida reunião à população".

"Os florentinos foram confrontados com a situação no acto de obra. O Senhor Director Regional da Cultura afirma que algumas das pessoas que estavam na dita reunião acabaram por concordar, mas esquece-se de afirmar que a concordância resulta do facto desta pitoresca solução ter sido apresentada como a única solução. Isto é mentira e tem que ser desmascarado", considera.

Segundo o Grupo Parlamentar do CDS-PP Açores "existem outros produtos, chamadas substâncias hidrofugantes, que tem a função de tornar a pedra repelente à água e impermeabilizá-la. Estes produtos são transparentes o que permitiria que a cantaria ficasse, mais ou menos, inalterada à vista. Estes produtos são comercializados até por várias marcas".

"A questão de fundo, e que o Senhor Director Regional da Cultura, não desmentiu é que existem alternativas que permitam que a cantaria continue exposta. São é efectivamente soluções mais caras. Assim, quando se afirma que a decisão não se prende com uma questão de custos, está-se a faltar à verdade", criticou.

Paulo Rosa, assegurando que "o CDS-PP e o seu Grupo Parlamentar valorizam a tradição e a perpetuação da memória colectiva em todas as suas vertentes", faz uma suposição para dar conta da "perplexidade e indignação" dos florentinos com esta obra e com a solução encontrada: "No tocante ao Convento de São Boaventura, e para se ter uma ideia da magnitude da indignação que grassa entre os Florentinos, imagine-se que um qualquer arquitecto pago a peso de ouro pela Direcção Regional da Cultura, ainda para mais com dinheiros públicos, se lembra de colorir de amarelo, verde alface ou até rosa choque a Igreja Matriz de Ponta Delgada ou as Portas da Cidade?! Seria intolerável e chocante, tal como o caso em análise o é na sociedade Florentina".

Decisão "estranha"

Os populares açorianos consideram que esta foi "uma estranha decisão", uma vez que "em toda a arquitectura religiosa da ilha das Flores impera o branco com cantaria em pedra. Esta solução, pitoresca no mínimo, surge em contra-ciclo com aquela que é a política cultural vigente em que, se valorizam cantarias ancestrais, expondo mesmo nalguns casos cantaria outrora oculta. Nas Flores, bizarramente, pinta-se cantaria exposta. Esta opção que é um gritante contra-senso carece, obviamente, de explicação cabal".

Para o Deputado centrista se esta for "uma solução de cariz técnico, há que explicá-la à população porque o impacto visual dum imóvel multi-secular, um dos ex-libris da vila de Santa Cruz, mudou significativamente e não deixou ninguém indiferente. Se é uma solução de cariz estético, há que lamentar profundamente esta leviandade e atentado contra o património da Ilha das Flores que só podemos catalogar como terrorismo cromático".

População "indignada"

Segundo a bancada parlamentar centrista "há, neste momento, uma onda crescente de indignação colectiva à qual nos associamos. É, simultaneamente, um dever cívico de representatividade e um acto de coerência política. Este exemplo lamentável é apenas mais um da forma como se desbarata o nosso património cultural e a nossa memória colectiva. Por um lado, investe-se, e bem, num Centro de Interpretação e restaura-se a Fábrica da Baleia em Santa Cruz das Flores em investimento vultuoso. Por outro lado, descuram-se três botes baleeiros expostos às intempéries e em processo de degradação acelerada com responsabilidades bipartidas entre a autarquia e a tutela. São estes os paradoxos inexplicáveis da nossa política cultural", criticam.

Porém, conclui Paulo Rosa, "além dos investimentos de índole financeira que estão indubitavelmente a ser feitos, falta o investimento mais importante: O investimento na sensibilidade cultural, no bom senso e na humildade de perceber que cada ilha é uma ilha com um pulsar próprio e com uma memória colectiva única. Por isso decisões deste tipo não deveriam nunca ser tomadas responsavelmente sem auscultação desse pulsar".

JOSÉ GARCIA

in http://www.azoresdigital.com/ler.php?id=14726



NAS FLORES Petição contra pintura de fachada de convento

Publicado na Quarta-Feira, dia 02 de Fevereiro de 2011, em Actualidade

Um grupo de habitantes da ilha das Flores lançou uma petição em defesa da cantaria do Convento de S. Boaventura, que será entregue esta semana no parlamento regional para que a questão seja discutida em plenário.

Em causa estão as obras de reabilitação que incluíram a pintura em amarelo-ocre da cantaria do convento, um edifício com mais de 300 anos, que é um dos mais importantes daquela ilha açoriana.

A petição lançada online já recolheu mais de 430 assinaturas, ultrapassando as 300 necessárias para a entrega de petições populares na Assembleia Legislativa Regional, mas a estas ainda serão acrescentadas outras dezenas que os promotores da iniciativa recolheram em papel.

A petição, dirigida à Assembleia Legislativa, Presidência do Governo, Direcção Regional de Cultura, Misericórdia de Santa Cruz das Flores e Museu das Flores, apela a que seja revertida a pintura naquela cor.

O Convento de S. Boaventura, classificado como imóvel de interesse público, começou por acolher os frades franciscanos, funcionou depois como hospital e recebeu o Externato da Imaculada Conceição, acolhendo actualmente o Museu das Flores.

Em meados de Janeiro, no quadro das obras de restauro e beneficiação que estão em curso, a pedra de cantaria da fachada edifício começou a ser pintada num tom amarelo-ocre, o que gerou alguma contestação.

Os promotores da petição admitem a necessidade de ser protegida a cantaria do convento, mas defendem que essa protecção “pode ser realizada com materiais em cores de tom neutro, que permitam manter o aspecto natural da pedra”.

Nesse sentido, os signatários “exigem às entidades competentes que, de forma célere, seja restituído o aspecto anterior da cantaria, sem qualquer prejuízo dos esforços de protecção quanto à erosão salina”.

O director do Museu das Flores, Luís Vieira, em declarações à Lusa a 24 de Janeiro, assegurou que a tinta aplicada sobre a cantaria é facilmente removível, podendo ser substituída por outro produto que garanta a protecção contra a erosão.

O CDS/PP, que também se pronunciou contra a pintura da cantaria em amarelo-ocre, apresentou ontem um projecto de resolução na Assembleia Legislativa em que recomenda ao governo regional que “opte por uma solução técnica incolor para a preservação da cantaria” do Convento de S. Boaventura, em Santa Cruz das Flores.

O documento recorda que “toda a arquitectura religiosa da ilha se caracteriza pelo branco debruado a cantaria na sua cor natural”, acrescentando que “é esta a estética mais ao gosto dos florentinos”.

Nesse sentido, o CDS/PP considera que a pintura em amarelo-ocre “atenta claramente contra a tendência estética” dominante nas Flores, defendendo que o convento “merece outro tipo de solução para a preservação das suas cantarias”.

in http://www.auniao.com/noticias/ver.php?id=22787

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