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Urbanismo

Saiba porque 2010 pode ser o ano da reabilitação urbana

Elisabete Soares

14/12/09 00:05

O Parque das Nações é um exemplo de referência de reabilitação urbana de grande escala.

Comunidade

Empresários e entidades públicas estão a criar mecanismos para apoiar a reabilitação.

O próximo ano pode ser o arranque definitivo de um mercado de reabilitação urbana a séria. A nova lei da reabilitação urbana foi aprovada e com ela trouxe uma série de benefícios fiscais para quem reabilitar; a Câmara Municipal de Lisboa está a criar uma série de mecanismos para incentivar a reabilitação prédio a prédio (ver página ao lado) e agora a Associação Empresarial de Portugal (AEP) está empenhada em criar um ‘cluster' da reabilitação. Contudo, este projecto quer mobilizar todos os agentes do mercado, incluindo proprietários, autarquias, empresas e associações, a Administração Central e os organismos públicos.

A ideia lançada pela AEP e apresentada num seminário recente encontra-se em preparação, já que o objectivo é lançar um projecto bem estruturado. Paulo Nunes de Almeida, vice-presidente da AEP e um dos dinamizadores deste ‘cluster', considera que esta iniciativa terá um efeito multiplicador para a economia nacional e não irá contribuir para o nosso endividamento externo, tendo em conta que o ‘know-how' necessário é português. "O essencial do ‘know-how', da tecnologia, dos materiais a incorporar, do tipo de empresa a envolver, quer na componente da construção/reabilitação quer pelos importantes serviços que lhe estão associados, engenharia, arquitectura, energia e eficiência energética, gestão e dinamização cultural, indústrias criativas, entre muitos outros, são de base nacional e não irão contribuir negativamente para o nosso endividamento externo, ou do lado da despesa, via importações para o agravamento do nosso défice comercial face ao exterior", alerta.

O responsável da AEP acredita que um projecto desta envergadura "contribuirá para vencer a actual crise económica e ajudará a promover um modelo de desenvolvimento sustentado para o País". Este projecto terá ainda capacidade "para alocar recursos, que sabemos cada vez mais escassos, para aquelas áreas ou sectores que melhores resultados possam gerar e que mais agentes possam envolver", considera.

A AEP alerta, no entanto, para a necessidade do "reconhecimento institucional da importância deste ‘cluster', do apoio à sua promoção, como um veículo fundamental para o aumento da competitividade da economia e em particular das PME, que são os principais ‘players' desse mercado". Os beneficiados serão de áreas tão diversas como o turismo, indústria cultural, valorização do património, ordenamento do território ou a promoção da segurança pública e da eficiência energética. "O cluster da reabilitação é uma aposta estratégica com futuro e um contributo inestimável para um modelo de desenvolvimento mais sustentado", alerta Paulo Nunes de Almeida.

O que se pretende com o cluster

"A coluna vertebral do cluster da reabilitação urbana desenvolve-se a partir de um elemento comum e unificador entre as empresas e entidades, públicas ou privadas", explica José Carlos Marques da Silva, consultor da AEP na elaboração do projecto. O objectivo é conseguir "a aglomeração de vários intervenientes, com interesse e posicionamento nesse mercado, ou que nele operam, em conjunto, criar estratégias de cooperação empresarial que consolidem e ampliem o mercado da reabilitação urbana, aumentando o volume de negócios e promovendo a qualificação dos seus agentes e dos serviços a oferecer.

De acordo com os Censos de 2001, em Portugal existem 329 mil prédios a necessitar de reparações médias, 92 mil prédios que se encontram muito degradados e 163 mil que precisam com urgência de grandes reparações. Este é o quadro real da situação em que se encontram os centros das cidades portugueses, e que apesar de todas as medidas tomadas pelos últimos executivos Portugal continua a ser um dos países da Europa que menos tem investido na reabilitação. "O difícil quadro financeiro actual, da parte do Governo central e dos municípios, inviabiliza algumas soluções nesta matéria, alerta Marques da Silva. Por isso é que é preciso fazer "acontecer a reabilitação urbana como uma das melhores vias para ajudar a promover um modelo de desenvolvimento sustentado para o futuro do país", sintetiza o consultor.

in
http://economico.sapo.pt/noticias/saiba-porque-2010-pode-ser-o-ano-da-reabilitacao-urbana_76578.html

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Património

Construção de residência universitária revela a muralha mais antiga do Porto

Já se encontrou muita cerâmica, túmulos e cachimbos de uma antiga fábrica, mas o maior achado das várias obras da Sociedade de Reabilitação Urbana (SRU) do Porto aconteceu na Sé, onde está agora à vista a muralha mais antiga da cidade

Os vestígios vão ser preservados no local, incorporando o projecto de uma residência universitária que deverá estar pronta dentro de dois anos.

«Sabíamos que existia ocupação deste período, mas nunca tínhamos encontrado nenhuma estrutura. É uma muralha castreja, da idade do Ferro. Segundo os especialistas, será do século II antes de Cristo», explicou à Lusa Vítor Fonseca, da empresa Arqueologia e Património, responsável pelos trabalhos arqueológicos da obra da empresa Novopca no morro da Sé.

À custa desta e de outras descobertas, o projecto de arquitectura foi revisto quatro vezes: das 150 camas inicialmente previstas, apenas vão ser instaladas 140, e aos cinco mil metros quadrados de construção somaram-se mais dois mil, porque as escavações deixaram a descoberto o piso -1 do edifício.

«Os custos aumentaram e a rentabilidade diminuiu. Mas temos a noção de que estes achados têm de ser mantidos. É uma articulação complicada. Por um lado valorizam o edifício, por outro condicionam», descreve Patrícia Santos, da Novopca.

Este é um dos casos em que a importância da descoberta obriga à sua musealização, ajustando o projecto sem destruir a estrutura e permitindo a sua fruição pública, explica Belém Campos Paiva, arqueóloga da Direcção Regional de Cultura do Norte (DRCN).

A entidade, tutelada pelo Instituto de Gestão do Património Arquitetónico e Arqueológico (IGESPAR), é responsável por acompanhar de perto os trabalhos no centro histórico portuense.

E não tem tido mãos a medir: desde que a SRU foi constituída, em 2004, já foram feitas intervenções em cerca de 200 prédios (150 através de contratos e cerca de 40 através de parcerias que incluem os quarteirões de Carlos Alberto, Corpo da Guarda, Cardosas ou Morro da Sé), revelou à Lusa Rui Quelhas, administrador executivo da Porto Vivo.

Na DRC Norte, tanta intervenção obrigou a um trabalho acrescido e à criação de uma «linha verde, com mais reuniões e marcadas em menos tempo», admite a directora Paula Silva.

«Foram encontradas muitas coisas, muito interessantes, porque o Porto é uma cidade sobreposta, é um sítio com muita história», acrescenta.

Dependendo da avaliação feita pela tutela aos vestígios encontrados, eles podem ser transferidos para museus ou pode criar-se uma espécie de memorial no local.

«No caso das estruturas (muros, alicerces, lageados), sempre que o projecto permite opta-se por não desmontá-las. Depois dos registos, é colocada uma protecção, e a obra prossegue como planeado. Caso a importância patrimonial o justifique, pode optar-se por deixar uma memória visível ou contar a história do lugar criando um espaço adequado», descreve Belém Campos Paiva.

A preservação pelo registo é outra das hipóteses, esclarece João Pedro Cunha Ribeiro, subdirector do IGESPAR.

«A lei do património exige, como princípio único, a preservação pelo registo. Muitas vezes, o material encontrado é volátil e não exige preservação no local. Os achados podem não ter a monumentalidade que exija a sua musealização e, nesses casos, fica o seu registo», nota.

Lusa / SOL

in http://sol.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=162119

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