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Lisboa | Igreja do Restelo | Troufa Real

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Até que ponto se pode chamar arquitectura?


A Igreja-caravela de Troufa Real arranca hoje, envolta em muitas polémicas, várias assinaturas contra, muito hesterismo de volta.
Várias opiniões dividem-se, para muitos isto surge como obra de arte, outros comparam a Gaudi, outros nem têm palavras para descrever o que sentem.

excerto do Público:
"O projecto de arquitectura baseia-se na vida do apóstolo do Oriente S. Francisco Xavier, da Índia ao Japão, e na aventura portuguesa dos Descobrimentos", explica o folheto informativo da paróquia. O PÚBLICO não conseguiu falar com o pároco da freguesia, que se encontrava fora do país, nem com Troufa Real. Certo é que também entre os responsáveis do Patriarcado houve quem não gostasse do projecto. Mas a liberdade criativa do arquitecto foi mesmo assim respeitada. "Gosto de ideias que se aproximam do limiar entre o kitsch e o piroso", assumiu, em 2004, Troufa Real, que trabalhou a título gracioso para esta obra.




Podemos chamar de arquitectura?
Solicito as vossas opiniões

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Guest Iago

Arquitectura também é arte, e nesse sentido produz-se para mexer com as emoções das pessoas e neste aspecto, este projecto já está a ser eficaz, a avaliar pelas reacções...

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Guest Iago

Na lista de funções a cumprir pode perfeitamente constar a imagem como factor de destaque, ou seja, pode ser função do edificio marcar a diferença! Não sei onde está o problema...

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a função de um edifício religioso, entre outras, é ter a capacidade de elevar espiritualmente todos os crentes que queiram usufruir do espaço. não creio, à partida, que isso esteja salvaguardado. mas posso estar enganada e no interior haver uma surpresa tal que compense tudo o resto.

já agora:


Teotónio Pereira considera que igreja do Restelo é uma aberração

Um dos autores do plano de urbanização do bairro do Restelo, Nuno Teotónio Pereira, considera “uma aberração” a igreja que ali começou a ser construída na terça-feira. Para este arquitecto, a gravidade do caso deveria levar a Câmara de Lisboa a mandar parar a obra e a exigir outro projecto.

Desenhada pelo arquitecto Troufa Real, a nova igreja do Restelo inclui uma torre de cem metros de altura em forma de minarete e uma paleta cromática ousada, com paredes pintadas de dourado, vermelho, verde e cor-de-laranja. O edifício tem, num dos lados, a forma bojuda de um barco assente numas cornucópias que imitam ondas, numa alusão à época dos descobrimentos.

Autor de várias igrejas – uma das quais, a do Sagrado Coração de Jesus, em Lisboa, classificada como monumento nacional –, Teotónio Pereira não tem dúvidas sobre a obra que está a nascer no Restelo: “Ofende de forma muito grave a paisagem urbana e os princípios basilares da arquitectura contemporânea.”

No seu entender, o projecto está completamente desenquadrado do conjunto urbano que planeou juntamente com Nuno Portas, nos anos 70, e, se for por diante, vai descaracterizar toda a encosta que se estende até ao rio. “Pela sua dimensão excessiva para as necessidades do local e pelo seu custo, nunca acreditei que fosse construído”, admite. “E, do ponto de vista da arquitectura religiosa, parece-me um completo disparate. A arquitectura das igrejas deve pautar-se pela pureza de formas e pela beleza”.

“Espanta-me por isso que o patriarcado e a própria câmara tenham consentido na sua construção”, prossegue. “A câmara deveria estar vigilante e defender os interesses da cidade”.

Movimento de opinião

Teotónio Pereira ressalva que lhe custa estar a criticar a obra de um colega – até porque partilha do princípio de que a liberdade de criação dos arquitectos não deve ser limitada. “Mas, perante este caso, não posso ficar em silêncio”, observa. “Devia formar-se um grande movimento de opinião para impedir esta obra”.

O PÚBLICO tentou perceber os meandros da aprovação deste projecto, cujos passos decisivos foram dados nos mandatos de João Soares e de Santana Lopes. Mas a consulta do respectivo processo camarário não foi esclarecedora. Tentámos, igualmente, chegar à fala quer com Troufa Real, quer com a vereadora de Santana Lopes que aprovou o projecto de arquitectura, Eduarda Napoleão, sem sucesso. Igualmente infrutíferas foram as tentativas para obter declarações por parte do actual vereador do Urbanismo, o arquitecto Manuel Salgado.

Em 2007, a propósito da escultura de Rui Chafes que o escritório de advogados de José Manuel Júdice colocou em frente à sua sede, na Avenida da Liberdade, o presidente da autarquia, António Costa, mostrou-se de acordo com uma sugestão do PCP para a constituição de uma comissão municipal de estética. Este organismo serviria para evitar a profusão de “mamarrachos”. A comissão, que de resto se destinava apenas à arte pública, acabou por não vingar.

Processo pouco claro

Apesar do seu exotismo, o projecto da igreja de Troufa Real para o Restelo foi apreciado pelos técnicos camarários como se de outro qualquer se tratasse. Não há, no processo consultado ontem pelo PÚBLICO na Câmara de Lisboa, qualquer referência dos técnicos nem à torre de cem metros, nem tão-pouco às cores a usar ou ao facto de a igreja ter a forma de um barco com ondas por baixo. Os funcionários apenas repararam em questões menores, como o número de lugares de estacionamento ou as taxas de construção a pagar pela igreja à autarquia. E estas, no valor de 198 mil euros, foram perdoadas, dada a finalidade da obra.


http://www.publico.clix.pt/Local/teotonio-pereira-considera-igreja-do-restelo-uma-aberracao_1410434




Depois disto não há muito mais a dizer...aliás, não me admira nada que o Santana Lopes esteja metido ao barulho...

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Eu pessoalmente sou do grupo das pessoas que só de olhar, nem sei o que diga!! Só de olhar faz-me lembrar a minha primeira maquete...com uma ausência de tudo e muita confusão á mistura, fruto de ainda não saber a quantas andava na arquitectura no 1º ano e 1º trabalho... Não percebo qual a "fome" dos arquitectos quando começam a ganhar idade avançada de fazer uma torre...?! Pior por mais que olhe para o projecto, também não o percebo, pois o mesmo igualmente quando foi concebido, não foi atribuido o dom de falar por si só.

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Qualquer pato-bravo fazia melhor do que isto. Também já vi casas de imigrantes com um nível arquitectónico mais apurado do que contém este projecto. A sério: é mesmo necessário um curso de arquitectura para projectar coisas deste nível?

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na CML não há comissão de gosto, nem limites à imaginação do arquitecto ao projectar um edifício, desde que cumpra as normas, decretos e regulamentos existentes. Já houve, em tempos, mas o lobbie do arquitectos achavam que tais regras eram muito limitativas à sua criatividade...depois é o que se vê na cidade de Lisboa.

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Troufa Real responde às críticas com nova proposta de torre



O arquitecto Troufa Real vai inspirar-se na obra do pintor Hieronimus Bosch para redesenhar a torre da polémica igreja que projectou para o Restelo, em Lisboa, e que começou esta semana a ser construída.


Troufa Real assegura, em declarações ao PÚBLICO, que esta alteração não se prende com nenhum pedido que lhe tenha sido feito para modificar o seu projecto inicial, mas sim com o facto de já não se rever na torre de tipo manuelino que desenhou, há diversos anos, para aquele espaço. "Já vou na quinta torre" para a Igreja de S. Francisco Xavier, explica o arquitecto, acrescentando que uma das versões previa uma torre com vitrais.

Desta vez a fonte de inspiração será "o quadro As Tentações de Santo Antão" - uma obra do séc. XVI de Bosch - "e José Saramago". Inicialmente concebida para ter cem metros de altura, a nova torre será mais baixa ou mantém as mesmas dimensões? "Não sei", responde Troufa Real. "Gosto muito de tudo o que é alto. Lisboa ficou a perder por não se terem construído as torres de Siza Vieira em Alcântara. Seja como for, não há pressa, uma vez que a construção desta parte da igreja será feita mais tarde."

Quanto ao resto do projecto, o arquitecto insiste em mantê-lo tal como o criou. A nave da igreja, pintada em dourado do lado de fora, imita, pela sua forma, "uma caravela num temporal, toda dobrada". Depois, além da torre com 17 sinos, há a casa do pároco, "que é uma referência à casa portuguesa do arquitecto Raul Lino". E, por fim, o centro social, reservado para a segunda fase, "que será uma réplica das antigas fortalezas portuguesas da época dos descobrimentos". As paredes vermelhas, cor-de-laranja, verdes e brancas são uma referência à Índia (destino de viagem de S. Francisco Xavier) e a Portugal.

"A minha arquitectura está ligada ao mundo do fantástico, é de raiz simbólica. Não sou um arquitecto moderno, sou antimoderno", explica o autor do projecto, considerando que colegas seus, como Teotónio Pereira (que classificou, ontem, no PÚBLICO, este projecto uma "aberração"), não compreendem a sua linguagem. "Odeiam o simbolismo do antigo império. É um bando de velhos, autênticos talibãs da arquitectura que não se reciclaram e não percebem o que se está a passar no mundo", acusa. E volta à carga: "Odeiam outras culturas. Só sabem fazer peixe podre, peixe passado".

Direito à arquitectura

O arquitecto que dirige o departamento do patriarcado responsável pela construção das novas igrejas, Diogo Lino Pimentel, também não sai ileso desta polémica. Depois de ter dito que o edifício para o Restelo dava muito nas vistas, recebe agora a resposta de Troufa Real. "Ele quer é fazer as igrejas no atelier dele. Mas quando esta igreja foi objecto de apreciação na Ordem dos Arquitectos, no tempo da bastonária Olga Quintanilha [entre 1999-2001], ele também esteve lá e não disse nada".

Troufa Real argumenta que o projecto foi devidamente apresentado e discutido, há cerca de dez anos, tanto na Ordem como na Cordoaria, além de ter estado exposto numa galeria da Câmara de Lisboa.

Para Troufa Real, esta sua obra é nem mais nem menos que um "cadáver esquisito". Uma expressão que usa para definir um trabalho colectivo surrealista, lembrando que convidou diferentes artistas, como Lagoa Henriques - entretanto falecido - para participar neste projecto.

Esta não é a sua primeira obra religiosa. Tem em construção outra igreja em Miraflores, Oeiras, e projectou um templo dedicado a Shiva para Loures, obra que ainda não saiu do papel. "Sou um maçon católico e respeito muito os cânones da igreja", declara. A morar em Angola, terra onde nasceu, Troufa Real deixa um recado a todos os que criticam o seu trabalho: "Deixem-me ser livre. Tenho direito à minha arquitectura de autor".

http://www.publico.clix.pt/Local/troufa-real-responde-as-criticas-com-nova-proposta-de-torre_1410653

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Para Troufa Real, esta sua obra é nem mais nem menos que um "cadáver esquisito". Uma expressão que usa para definir um trabalho colectivo surrealista...


Exactamente, um cadáver e pelos vistos, já a entrar em forte processo de decomposição!!

Inspiração em Saramago??? :) Andou de certo a ler muito "A Caverna" e deu uma mega transfiguração á imagem do Centro, descrita na obra como a cidade em altura... e já agora a mim me parece que fumou algo estranhissimo na concepção da ideia!!!
Porque o resto na minha opinião parece directamente saído do canal Cartoon network..!!!

Continuo a olhar para o projecto, sem saber o que diga...

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Uma torre com cem metros fazem com que o edifício não seja nada pacífico

Igreja-caravela de Troufa Real arranca hoje

17.11.2009 - 10:35 Por Ana Henriques

Começa hoje no Alto do Restelo a construção da nova igreja da paróquia de S. Francisco Xavier. Com uma torre de cem metros de altura e uma paleta cromática pouco habitual - haverá paredes em dourado, laranja, verde e vermelho -, o templo em forma de barco desenhado pelo arquitecto Troufa Real motivou já alguns protestos. Mas a Câmara de Lisboa diz que a obra está licenciada desde 2004/2005.DR

Fórum Cidadania considera a igreja um "empreendimento digno de Ceausescu"

O movimento cívico Forum Cidadania pôs há um mês em causa a necessidade da nova construção, "quando o Patriarcado tem a Igreja de S. Vicente de Fora fechada, porque está a cair aos bocados". E aproveitou para dar vários outros exemplos de património eclesiástico existente na cidade a necessitar de obras de conservação.

Só a primeira fase dos trabalhos - que compreende a construção da estrutura e fundações - vai custar três milhões de euros. Depois será preciso mais dinheiro para os acabamentos. Em forma de minarete, a torre albergará um elevador panorâmico e só será erguida numa segunda fase da obra.

O Forum Cidadania (http://cidadanialx.blogspot.com) criticou também o projecto de Troufa Real, chamando-lhe "um empreendimento digno de Ceaucescu" [o antigo ditador romeno]. Num abaixo-assinado online (por enquanto pouco concorrido) fala-se em "aberração urbanística".

"O projecto de arquitectura baseia-se na vida do apóstolo do Oriente S. Francisco Xavier, da Índia ao Japão, e na aventura portuguesa dos Descobrimentos", explica o folheto informativo da paróquia. O PÚBLICO não conseguiu falar com o pároco da freguesia, que se encontrava fora do país, nem com Troufa Real. Certo é que também entre os responsáveis do Patriarcado houve quem não gostasse do projecto. Mas a liberdade criativa do arquitecto foi mesmo assim respeitada. "Gosto de ideias que se aproximam do limiar entre o kitsch e o piroso", assumiu, em 2004, Troufa Real, que trabalhou a título gracioso para esta obra.

Segundo a Construtora de Vila Franca, encarregada da primeira fase da empreitada, o edifício terá uma área de construção de 2700 metros quadrados, e nele serão consumidos 3600 metros cúbicos de betão e 500 toneladas de aço em varão. O projecto inclui diversos edifícios de menor dimensão para serviços paroquiais, mas do ponto de vista construtivo o mais complicado de fazer será a igreja propriamente dita, por incluir uma estrutura metálica - revestida por um casco dourado, se o orçamento o permitir - semelhante ao cavername de um barco. "Talvez tenhamos de recorrer a uma empresa da indústria naval", admite o responsável pela obra na construtora, André Silva. A paróquia ainda só conseguiu juntar um milhão de euros dos três necessários para a primeira fase dos trabalhos.

in http://www.publico.clix.pt/Local/igrejacaravela-de-troufa-real-arranca-hoje_1410166


Especialista do patriarcado acha que igreja de Troufa Real para o Restelo dá muito nas vistas

17.11.2009 - 21:57 Por Ana Henriques

A igreja em forma de barco que Troufa Real desenhou para o Alto do Restelo, e cuja construção começou ontem, “dá muito nas vistas”, admite o arquitecto que preside ao departamento do patriarcado encarregue de dar parecer sobre os novos templos.DR

“É um edifício que se impõe. Uma igreja dos nossos dias deve ser mais discreta”, observa Diogo Lino Pimentel, director do secretariado das novas igrejas do patriarcado. Mas, segundo o mesmo responsável, já não há nada a fazer, uma vez que a decisão de permitir a sua construção foi há muito tomada pela hierarquia eclesiástica.

O edifício tem sido alvo de alguma contestação, quer por causa da sua forma quer por causa da paleta de cores prevista para as fachadas e paredes – dourado, vermelho, cor-de-laranja e verde. O projecto inclui uma torre de cem metros de altura, em forma de minarete.

Diogo Lino Pimentel recorda-se que quando o secretariado das novas igrejas foi chamado a pronunciar-se sobre o projecto, em 2001, emitiu um parecer que abordava a questão por dois prismas: “O da liberdade criativa do arquitecto e, por outro lado, a questão de saber se aquele projecto era aceitável em termos pastorais, da imagem que a igreja quer dar de si própria”.

Foi em relação a este segundo aspecto que o arquitecto levantou algumas questões. “Mas esta reflexão que propus acabou por nunca ser feita”, relata. O tempo foi passando e o projecto acabou por ser aprovado pelo patriarcado, apesar das objecções levantadas.

O assunto também não é pacífico entre os paroquianos do Restelo. “Estou farta de dizer ao prior que não gosto da igreja”, diz um deles. Outra paroquiana que se tem empenhado na obra admite que ela “tem umas coisas mais bonitas que outras”.

“Mas quem gosta, gosta. Quem não gosta come menos”, observa.

in http://www.publico.clix.pt/Local/especialista-do-patriarcado-acha-que-igreja-de-troufa-real-para-o-restelo-da-muito-nas-vistas_1410258


Lisboa

Projecto da nova igreja de São Francisco Xavier não agrada a todos

A construção da nova igreja da paróquia de São Francisco Xavier, no Alto do Restelo está a criar alguma polémica

"O projecto de arquitectura baseia-se na vida do apóstolo do Oriente São Francisco Xavier, da Índia ao Japão, e na aventura portuguesa dos Descobrimentos", explica o folheto informativo da paróquia. A nova igreja tem uma torre de cem metros de altura e um templo em forma de barco, um projecto do arquitecto Troufa Real.

A primeira fase dos trabalhos - que compreende a construção da estrutura e fundações - vai custar três milhões de euros, adianta o Público. Em forma de minarete, a torre albergará um elevador panorâmico e só será erguida numa segunda fase da obra.

O projecto já motivou alguns protestos. O movimento cívico Forum Cidadania pôs em causa a necessidade da nova construção, "quando o Patriarcado tem a Igreja de São Vicente de Fora fechada, porque está a cair aos bocados". O Forum critica ainda o projecto chamando-lhe uma “aberração urbanística". A Câmara de Lisboa diz que a obra está licenciada desde 2004/2005.

Lucília Oliveira

in http://www.fatimamissionaria.pt/noticia3.php?recordID=28399&seccao=2



19 Novembro 2009 - 00h30

Lisboa: Padre quer acabar com as missas num barracão

Igreja polémica

O padre da paróquia de S. Francisco Xavier, em Lisboa, aguarda com entusiasmo a construção da nova igreja no prazo previsto de um ano. "É fundamental ter uma igreja", sublinha António Colimão ao CM, recordando que "desde 1990 as missas são realizadas num barracão, na rua Diogo Afonso", no Restelo.

O padre diz ter dificuldade em compreender porque surgiram vozes críticas após o início das obras, há dois dias. "O projecto conta com mais de dez anos e levou os cerca de dez mil fiéis da paróquia a reunirem três milhões de euros em peditórios sem haver contestação", disse.

Pelo abuso das cores, a obra levou o movimento cívico Fórum Cidadania a colocar em causa a necessidade da nova construção. O próprio director do secretariado das novas igrejas do Patriarcado, Diogo Lino Pimentel, sublinhou que "uma igreja dos nossos dias deve ser mais discreta". O mesmo responsável chegou à conclusão de que agora não há nada a fazer para impedir a construção: o Patriarcado tomou a decisão de construir a igreja há já alguns anos.

A igreja é um projecto oferecido pelo arquitecto Troufa Real sem qualquer traço de discrição. O corpo central do templo é uma caravela dourada encostada a um paredão vermelho. A obra conta também com uma torre panorâmica de cem metros. A igreja será erguida num lote cedido pela Câmara Municipal de Lisboa com cerca de 3300 m2 no Alto do Restelo (delimitado, a nascente, pela avenida Ilha da Madeira).

A obra de Troufa Real baseia-se na vida do Apóstolo do Oriente, S. Francisco Xavier, da Índia ao Japão, e na aventura portuguesa dos Descobrimentos, com uma elevada carga simbólica. A igreja em forma de caravela dourada homenageia, assim, o papel evangelizador português na Ásia. Numa segunda fase será erguida a torre que lembra um minarete.

APONTAMENTOS

MEIO SÉCULO

A paróquia foi criada há meio século e autonomizada de Santa Maria de Belém em 1990. A devoção a São Francisco Xavier resulta da ligação do Restelo aos Descobrimentos. Pela colina circulavam pessoas e bens que partiam para o Oriente.

EVANGELIZADOR

S. Francisco Xavier nasceu em 1506, em Navarra (Espanha), e morreu em 1552, em Sanchoão (China). A Igreja Católica Romana considera que tenha convertido mais pessoas ao Cristianismo do que qualquer outro missionário desde São Paulo.

SEIS BLOCOS

O templo será construído em seis blocos: 1.º (em construção) é a igreja; 2.º a torre e baptistério; 3.º serviços de apoio ao culto e casa do pároco; 4.º salas de formação religiosa; 5.º auditório e salas de audiências; 6.º salas de acção social.

João Saramago

in http://www.correiomanha.pt/noticia.aspx?contentid=57678037-2E2F-42F1-B965-5FA743E6F966&channelid=00000010-0000-0000-0000-000000000010

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Uma arquitectura escandalosa

A igreja em forma de barco desenhada para o Alto do Restelo, em Lisboa, começou esta semana a ser construída. E a polémica ganhou fôlego. Pedimos ao nosso crítico de arquitectura Jorge Figueira que olhasse para a obra de Troufa Real

A arquitectura volta a suscitar polémica em Lisboa. A igreja da paróquia de S. Francisco Xavier, do arquitecto Troufa Real, é contestada pelas razões habituais: a altura - tem uma torre de cem metros; as cores - dourado, laranja, verde e vermelho; e as formas - o templo que imita uma "caravela num temporal".

Troufa Real faz parte de uma geração de arquitectos que fez da oposição à arquitectura moderna, tida como anódina, a razão de ser dos seus projectos. Quando declara "Sou antimoderno", tenta replicar a obsessão com que outros anteriormente se declararam "modernos". A libertação dos "dogmas" da arquitectura moderna, tal como aconteceu com Pancho Guedes ou Luiz Cunha, passou pela actividade artística. Reivindicar para os arquitectos "a liberdade dos artistas", como escreveu Pancho, significou essencialmente a criação de uma arquitectura libertária, escandalosa e pueril. A Igreja de S. Francisco Xavier é assim, premeditadamente. Entretanto, a arquitectura moderna já não é o que era - quando existia - e, por isso, esta retórica de oposição é algo anacrónica, "anos 80".

Mas é isso uma arquitectura escandalosa - e já estava tudo nas Amoreiras de Tomás Taveira: metáforas ligeiras; cores fortes; grande dimensão. A "imaginação" permite a confluência de temas; a "colagem" é a técnica que os resolve. A sobrecarga de imagens denota um horror ao vazio, que é o sítio do moderno. O confronto com a matriz centro-europeia da arquitectura moderna suscita na Igreja de S. Francisco Xavier o ressurgimento de narrativas imperiais para sul, a evocação dos Descobrimentos, as caravelas. Trata-se de um cruzamento geográfico complexo: chegar a África através de Las Vegas.

A propósito do desenho da torre, segundo o PÚBLICO (20/11/2009), Troufa Real diz já não se reconhecer na referência ao manuelino do projecto apresentado e vai agora inspirar-se no quadro As Tentações de Santo Antão, de Bosch, e em "José Saramago". É importante e enigmático este "José Saramago". Segundo Troufa Real, a nave da igreja imita uma "caravela num temporal, toda dobrada"; a casa do pároco é "uma referência à casa portuguesa do arquitecto Raul Lino"; o centro social "será uma réplica das antigas fortalezas portuguesa"; as cores são uma referência à Índia, para onde S. Francisco de Xavier viajou.

Gaudí em saldos

É interessante notar que este é exactamente o tipo de linguagem dos arquitectos de centros comerciais: a criação de narrativas que permitem desenvolver e "assinar" as formas. O mais escandaloso na igreja, mais do que as cores ou os cem metros, é que é feita com uma linguagem de centro comercial. Troufa Real passa do manuelino para Bosch como, digamos, se pode passar de uma praça de alimentação Velasquez para uma galeria gótica. Tal como qualquer centro comercial que se preze, este é um projecto megalómano: não tem o maior número de lojas da Península Ibérica, mas tem a torre mais alta das redondezas. Parece sofrer de gigantismo. Quer ser iconográfica, mas onde na arquitectura contemporânea a delicadeza da pele e o trato high tech são essenciais a igreja é rudemente pop e inconveniente. Como um centro comercial. Se é um Gaudí, é um Gaudí em saldos; não tanto a Sagrada Família, mas mais uma desenraizada, desengraçada família. Talvez esteja aí, afinal, a sua contemporaneidade.

Porque convém dizer: há edifícios que ontem eram mamarrachos e que hoje são obras-primas. Em 1972, o Diário Popular classificou o "Franjinhas", de Teotónio Pereira e Braula Reis, como um "mamarracho" e lançou uma caça às bruxas. O "Franjinhas" é evidentemente uma obra belíssima da arquitectura portuguesa. Também as Amoreiras iriam destruir a silhueta de Lisboa; não aconteceu tal coisa. O Centro Cultural de Belém arrasaria os Jerónimos; ainda estamos para ver como. Em geral, os verdadeiros mamarrachos passam despercebidos, não geram polémica. A polémica à volta de um edifício significa que não é um mamarracho. Um mamarracho autêntico usa sempre uma face oculta, é mais sub-reptício. Quando se dá por ele, é tarde de mais.

A propósito da polémica, é natural e corajoso que Nuno Teotónio Pereira se tenha referido a este edifício como uma "aberração" (PÚBLICO, 19/11/2009). Na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, Teotónio Pereira, Nuno Portas e Vieira de Almeida conseguiram um requintado equilíbrio, uma quase impossível paz com materiais e sabedoria modernas. Este edifício não vislumbra sequer tal ordem e coerência. Se trocarmos "aberração" por "grotesco", estamos lá.

Deve-se acrescentar ainda que as obras recentes de Troufa Real no Parque das Nações não são felizes. O Edifício Écran é uma estrutura banal com faixas coloridas. Acredita-se que na Igreja de S. Francisco Xavier, sem os compromissos que existem num edifício de habitação, Troufa Real possa estar mais perto do seu antimodernismo.

De resto, esta é uma arquitectura populista que não é popular e, no seu anacronismo, chega em contraciclo. É, várias vezes, politicamente incorrecta. No nosso tempo, a autenticidade e a sustentabilidade são palavras de ordem. A Igreja de S. Francisco Xavier tem pouco de sustentável, como se compreende; e o autêntico escapa-lhe totalmente. O Fórum Cidadania diz até que se trata de um "empreendimento digno de Ceaucescu". Duvido que Ceaucescu entrasse com dinheiro para a construção de um edifício fragmentado como um puzzle irresolúvel, com cornucópias como ondas gigantes, e com um superminarete como torre de uma igreja católica.

A Igreja de S. Francisco Xavier é talvez o fecho de uma geração que teve em Tomás Taveira o expoente máximo. É uma arquitectura escandalosa: cenográfica, narrativa, literal, sem bom gosto. Na prática é uma súmula de faux pas: o dourado; o minarete católico; as cores em força; o neoportuguês suave. Sem elegância, nem subtileza, nem harmonia. Mas também: sem compromissos. Não há nada que se aproveite; e isso é muito atractivo.

in http://jornal.publico.clix.pt/noticia/22-11-2009/uma-arquitectura-escandalosa-18261663.htm


Troufa Real justifica igreja (a)berrante com o queijo limiano

por Luís Leal Miranda, Publicado em 21 de Novembro de 2009

À polémica da nova igreja do Restelo o arquitecto responde com uma espécie de sentido de humor

A igreja-caravela que vai nascer no Restelo

Escrever "edifício mais feio de Lisboa" no Google e carregar na tecla Enter. O primeiro resultado é um fórum de arquitectura (www.skyscrapercity.com) onde se listam os maiores erros arquitectónicos da capital. Para encontrar um edifício do arquitecto Troufa Real bastam dez posts. Está lá o prédio de habitação que faz esquina com a Rua Dona Estefânia e a Avenida Duque de Ávila. Dentro de poucos anos, e a avaliar pelas reacções ao projecto da nova igreja do Restelo, Lisboa vai ter mais um item nesta categoria.

Ao telefone a partir de Angola, José Deodorato Troufa Real, antigo professor da Faculdade de Arquitectura, comenta assim a polémica: "É por estas razões que o queijo Limiano é tão apreciado." O comentário é propositadamente absurdo, deslocado da realidade e surreal - mas ironicamente coerente com os projectos arquitectónicos que tem vindo a assinar. "Sou um artista e não permito que a minha criatividade seja censurada por ninguém", completou.

A igreja desenhada para o Alto do Restelo, destinada a cobrir as necessidades da paróquia de São Francisco Xavier, já foi descrita como "bolo de noiva", "carro alegórico" e "palácio da Barbie" por cidadãos indignados, em blogues e fóruns. O arquitecto Nuno Teotónio Pereira fala em "aberração" e pede que a Câmara de Lisboa pare a obra. Para Diogo Lino Pimentel, arquitecto do patriarcado encarregado de analisar as novas igrejas, o projecto de Troufa Real "dá muito nas vistas".

Reconstruir angola "Estou há sete anos em Angola e nunca ninguém quis saber de mim. Agora, por causa de uma igreja andam todos a querer falar", atira Troufa Real durante o telefonema que interrompeu um passeio. O arquitecto português que em 1996 sugeriu a criação de uma nova capital em Angola, "Angólia", está naquele país a liderar uma série de projectos de renovação do centro de Luanda. Entre eles está um edifício de 32 andares.

"Isto está muito desenvolvido, que é que você pensa?!", comenta quando sugerimos uma entrevista para um telefone fixo, depois de o arquitecto se mostrar intimidado com a factura do roaming. "Cabines? Em Luanda já não há disso!"

A opção videoconferência foi lançada por Troufa Real, que rapidamente voltou atrás na ideia, temendo "o software pirata que se usa em Portugal". Mais pormenores só para os jornalistas que possam viajar até Luanda para falar em pessoa com o responsável por projectos como o Templo Shiva de Santo António dos Cavaleiros. Preços e horários de voo também os tem na ponta da língua. Justificações para a igreja de cinco cores com um minarete de 100 metros de altura, essas ficam reduzidas à frase "é por estas razões que o queijo Limiano é tão apreciado".

in http://www.ionline.pt/conteudo/34084-troufa-real-justifica-igreja-aberrante-com-o-queijo-limiano

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Na minha opinião isso não é arte nem arquitectura! Um bocado de caca na rua pode também despertar emoções (especialmente por quem a pisar), mas não é arte! Desperta muitas emoções, mas não é NADA! Para além de ser conceitualmente ridículo, foi formalizado de uma forma muito má! Parece um bibelot daqueles que as nossas avós tinham em casa. Se fosse um canil, o Sr. Truoufas projectava um cão de loiça? Ou uma estátua de Nª Sª de Fátima para o novo templo? daquelas que brilha no escuro? PS- Sugiro que o sr. Troufas vá estudar um pouco mais de arquitectura....

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Troufa Real justifica igreja (a)berrante com o queijo limiano

Escrever "edifício mais feio de Lisboa" no Google e carregar na tecla Enter. O primeiro resultado é um fórum de arquitectura (www.skyscrapercity.com) onde se listam os maiores erros arquitectónicos da capital. Para encontrar um edifício do arquitecto Troufa Real bastam dez posts. Está lá o prédio de habitação que faz esquina com a Rua Dona Estefânia e a Avenida Duque de Ávila. Dentro de poucos anos, e a avaliar pelas reacções ao projecto da nova igreja do Restelo, Lisboa vai ter mais um item nesta categoria.

Ao telefone a partir de Angola, José Deodorato Troufa Real, antigo professor da Faculdade de Arquitectura, comenta assim a polémica: "É por estas razões que o queijo Limiano é tão apreciado." O comentário é propositadamente absurdo, deslocado da realidade e surreal - mas ironicamente coerente com os projectos arquitectónicos que tem vindo a assinar. "Sou um artista e não permito que a minha criatividade seja censurada por ninguém", completou.

A igreja desenhada para o Alto do Restelo, destinada a cobrir as necessidades da paróquia de São Francisco Xavier, já foi descrita como "bolo de noiva", "carro alegórico" e "palácio da Barbie" por cidadãos indignados, em blogues e fóruns. O arquitecto Nuno Teotónio Pereira fala em "aberração" e pede que a Câmara de Lisboa pare a obra. Para Diogo Lino Pimentel, arquitecto do patriarcado encarregado de analisar as novas igrejas, o projecto de Troufa Real "dá muito nas vistas".

Reconstruir angola "Estou há sete anos em Angola e nunca ninguém quis saber de mim. Agora, por causa de uma igreja andam todos a querer falar", atira Troufa Real durante o telefonema que interrompeu um passeio. O arquitecto português que em 1996 sugeriu a criação de uma nova capital em Angola, "Angólia", está naquele país a liderar uma série de projectos de renovação do centro de Luanda. Entre eles está um edifício de 32 andares.

"Isto está muito desenvolvido, que é que você pensa?!", comenta quando sugerimos uma entrevista para um telefone fixo, depois de o arquitecto se mostrar intimidado com a factura do roaming. "Cabines? Em Luanda já não há disso!"

A opção videoconferência foi lançada por Troufa Real, que rapidamente voltou atrás na ideia, temendo "o software pirata que se usa em Portugal". Mais pormenores só para os jornalistas que possam viajar até Luanda para falar em pessoa com o responsável por projectos como o Templo Shiva de Santo António dos Cavaleiros. Preços e horários de voo também os tem na ponta da língua. Justificações para a igreja de cinco cores com um minarete de 100 metros de altura, essas ficam reduzidas à frase "é por estas razões que o queijo Limiano é tão apreciado".

http://www.ionline.pt/conteudo/34084-troufa-real-justifica-igreja-aberrante-com-o-queijo-limiano

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