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Surpresas e desilusões de dois arquitectos por Portugal

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Surpresas e desilusões de dois arquitectos por Portugal




Percorreram o país de Norte a Sul munidos de câmaras de vídeo e máquinas fotográficas. Um no litoral, outro no interior. A viagem originou um livro e uma exposição. Descubra as diferenças

As viagens têm destas coisas: mudam percepções. Este Verão, dois amigos arquitectos fizeram-se à estrada e viram teorias que debatiam há mais de cinco anos caírem pela base. Um especulava sobre a possibilidade do litoral português poder formar uma única cidade, como o "Randstad", na Holanda, onde vivera e trabalhara. O outro idealizava um interior romântico, pontuado por pequenas vilas e aldeias históricas, o ponto de partida para o desenvolvimento de uma Toscana nacional. Percorridos "mil e poucos quilómetros" em quase quatro dias (um) e "novecentos e tal quilómetros" em dois dias e meio (outro), tinham recolhido material para várias surpresas, uma exposição e um livro: "Duas Linhas", de Nuno Louro e Pedro Campos Costa.

Partida As regras do jogo eram simples: percorrer a par e passo duas linhas de norte a sul do país, uma no litoral, outra no interior, com paragens de 10 em 10 quilómetros. Em cada ponto tirariam uma fotografia e fariam um vídeo a 360º. Para mais tarde analisar e comparar. Lançaram os dados, o Google Earth ditou a latitude. As longitudes dependeriam das estradas existentes.

Casa da Partida: Vila Nova de Cerveira, no Minho, e França, em Trás-os-Montes. Os problemas começaram logo aí. Nuno, no litoral, perdeu-se e chegou oito minutos atrasado. Ao contrário do que esperavam, a diferença foi aumentando. "Eu fiz uma viagem super agradável, a ouvir música clássica. Parava no meio da estrada, fazia a foto e se calhar passada meia hora é que aparecia outro carro", conta Pedro. "O Nuno apanhou trânsito, teve um furo, não conseguia parar [nos sítios previstos]. A complexidade na costa é mil vezes superior." O parceiro reforça: "Levei o GPS com a última actualização e muitas vezes chegava a um cruzamento e já era uma rotunda." Cerca de 20, com "arte", especificaria depois.

Num campeonato do mau, o caos do litoral concorreria com a desertificação do interior. "Não há pessoas. O que não acontece do outro lado da fronteira, com cidades dinâmicas como Salamanca e Badajoz", lamenta Pedro. "A visão da 'Toscana' não é real." Um dos episódios mais caricatos da viagem, lembra, aconteceu quando o GPS apitou perto da Guarda, onde uma mãe e um filho pediam boleia. "Saio para fazer a foto. Volto ao carro e eles estão lá dentro. Achei tão giro que lhes dei boleia e fiz a foto na aldeia onde viviam, o Baraçal."

Chegada A viagem acabou, como não podia deixar de ser, no mar: Sagres e Olhão. Cada um tirara cerca de 600 fotos. Seguiu-se a selecção individual e intuitiva de 59 imagens vezes dois para serem publicadas e expostas lado a lado. O livro acaba de sair; a exposição dura até ao final do mês no Espaço Avenida, em Lisboa. Feitas as contas, gastaram 12 mil euros para obterem "sem querer ser pejurativo", diz Pedro, "uma perspectiva sem pôr os pés no chão". Para a próxima, avisam, vão à boleia.


http://www.ionline.pt/conteudo/29791-surpresas-e-desilusoes-dois-arquitectos-portugal---video

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