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Um filme sobre Nuno Teotónio Pereira

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18/10/2009

Quando Teotónio Pereira queria ser “tecto”


O retrato do arquitecto Nuno Teotónio Pereira na série Figuras Relevantes da Cultura Portuguesa é também um pedaço da história do Portugal do século XX.

Um filme sobre Nuno Teotónio Pereira nunca poderia ser apenas um filme sobre arquitectura. O documentário de Joana Cunha Ferreira que a RPT2 exibiu ontem às 21h00 (um dos seis documentários sobre Figuras Relevantes da Cultura Portuguesa produzidos pela Midas) confirma isso: é também uma história do Portugal do século XX desde 1922, ano em que nasceu o menino que dizia que, quando crescesse, "queria ser tecto".

Se Teotónio Pereira cresce num ambiente "conservador, monárquico e católico" e enquanto jovem "corre a inscrever-se na Mocidade Portuguesa", o curso nas Belas-Artes vai transformá-lo.

A paixão pela Arquitectura leva-o a descobrir o movimento moderno, e o traço de Teotónio Pereira começa a marcar Lisboa e o país: da Igreja de Penamacor (o seu primeiro projecto, construído quando tinha 27 anos), ao Bloco das Águas Livres (com Bartolomeu Costa Cabral), que, nos anos 50, é "dos edifícios mais modernos de habitação que Lisboa conhece à época", passando pelo Edifício Franjinhas, e pela Igreja do Sagrado Coração de Jesus, em Lisboa.

No filme, o arquitecto explica como "as novas ideias sobre o espaço comunitário [nas igrejas]" o entusiasmavam. E, ao seu lado, Nuno Portas recorda o lado experimental do projecto. "Tinha o princípio do shopping-mall", permitindo às pessoas atravessar o quarteirão através do espaço da igreja.

Mas Teotónio Pereira foi também o combatente político, preso quatro vezes pela PIDE, torturado, libertado de Caxias a 26 de Abril, fundador do Movimento de Esquerda Socialista (MES), o homem que, no 1º de Maio de 1974, dizia: "Não nos podemos contentar com meias soluções, temos que ir até ao fim".

E que, já depois de deixar a política partidária e de dissolver o MES, continuou a indignar-se por haver pessoas que ainda não têm condições de habitação dignas. O homem que "queria ser tecto" confessa, no final, que continua a acreditar que "o mundo pode ser melhorado".

Alexandra Prado Coelho (PÚBLICO)

in http://cinecartaz.publico.pt/noticias.asp?id=243127

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